Sociedade

Crime brutal em Pantufo choca a sociedade

Um crime violento está a chocar a sociedade são-tomense: uma mulher de 33 anos foi morta à facada pelo ex-companheiro, na localidade de Pantufo, em São Tomé.

Segundo relatos, o agressor terá primeiro desferido murros contra a cabeça da vítima, antes de aplicar vários golpes de faca. A jovem, que ao longo da relação foi alvo de sucessivos episódios de violência, deixa cinco filhos menores.

Após o homicídio, o agressor apresentou-se voluntariamente às autoridades e confessou o crime, alegando ter agido por ciúmes.

Casos de violência contra mulheres têm vindo a aumentar em São Tomé e Príncipe, muitos deles com consequências graves e, em alguns casos, fatais. Só na última semana, duas mulheres foram brutalmente atacadas: uma perdeu a vida em Pantufo e outra, em Santana, distrito de Cantagalo, encontra-se em estado crítico na UTI.

A crescente onda de violência tem gerado forte preocupação entre líderes políticos e autoridades. “Menos de uma semana, duas senhoras, uma morta e outra entre a vida e a morte”, alertou Beatriz Azevedo, líder parlamentar da Coligação MCI/PS-PUN. O Comissário Edson Bragança, do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, reforçou: “Temos sido solicitados sempre para socorrer situações dessas, algumas vezes com gravidade.

Perante este cenário, cresce o apelo a uma resposta mais firme e eficaz por parte das autoridades para travar esta escalada de violência.

José Bouças

2 Comments

2 Comments

  1. Guilherme Mota

    12 de Abril de 2026 at 10:39

    O Ministério Público e os Tribunais têm que aplicar a máxima penalização possível contra este tipo de crimes, incluindo a pedofilia. Talvez os legisladores devem rever o nosso código penal e a Constituição para introduzirmos a prisão perpetua para esta tipologia de crimes. Apenas o meu grito de revolta e de solidariedade para com os familiares das vítimas.

  2. Jxecove

    13 de Abril de 2026 at 12:34

    O que aconteceu em Pantufo não é apenas mais um caso, é um retrato brutal de uma sociedade que continua a falhar na proteção das suas mulheres. Uma vida tirada com violência extrema, após um histórico de agressões, deixando cinco crianças órfãs. E, como tantas vezes, o agressor refugia-se numa justificativa vazia como “ciúmes”, como se isso pudesse, de alguma forma, atenuar a gravidade de um crime hediondo.
    É impossível não sentir revolta. Isto não é um “episódio isolado”, é uma sequência alarmante de falhas. Falha na prevenção, falha na proteção das vítimas e falha na responsabilização atempada dos agressores. Quando, em menos de uma semana, temos uma mulher morta e outra a lutar pela vida, já não estamos perante exceções, estamos perante um padrão que exige ação urgente e firme.
    As declarações de Beatriz Azevedo e do comissário Edson Bragança apenas confirmam aquilo que já é evidente, a situação está fora de controlo e continua a agravar-se.
    Ao jornalista José Bouças, e a todos os profissionais da comunicação. Este é precisamente o momento de resgatar a essência do jornalismo. Informar não é apenas relatar tragédias, é esclarecer, investigar, educar e expor falhas do sistema com rigor e independência. Quem tem acesso a milhares ou milhões de pessoas tem também a responsabilidade de ir além do superficial.
    O jornalismo não pode servir de extensão de agendas políticas nem refugiar-se em declarações institucionais sem aprofundamento. O país precisa de jornalismo de investigação sério, que questione, que pressione, que ajude a prevenir, não apenas a noticiar depois da tragédia consumada.
    Porque enquanto se discursa, mulheres continuam a morrer. E isso já não é apenas preocupante, é inadmissível.

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