Opinião

A importância das frutas tropicais na Vida dos são-tomenses

Ocorreu-me desta vez refletir sobre as frutas tropicais existentes em São Tomé e Príncipe, algumas delas infelizmente em fase de desaparecimento, por razões que devem ser estudadas pelos especialistas em matéria de pomicultura. Entretanto, algumas das razões são evidentes e darei a minha modesta opinião ao longo deste artigo.

Quem é da minha geração e que residia no meio rural, lembra-se perfeitamente que na nossa idade juvenil essas frutas existiam abundantemente em toda a extensão das florestas são-tomense e, serviam muitas vezes para saciarmos a fome quando deslocássemos ao mato para apanha de lenha e outras tarefas. Elas eram o nosso lanche. Algumas vezes íamos propositadamente a essas glebas dos nossos familiares ou não, para a recolha dessas frutas para levar para casa e serem consumidas. Importa referir que a quantidade era tanta que muitas dessas frutas não eram vendidas nos mercados naquela altura.

Grande parte dessas frutas não obedecem a uma plantação ou sementeira regular e organizada feita pelos agricultores, pois, elas nascem de forma esporádica na floresta porque as aves e outras animais selvagens encarregam-se de espalhar as suas sementes no solo depois de saborearem as polpas das mesmas frutas. As plantas frutíferas que temos nos nossos quintais muitas delas são trazidas das florestas em consequência da disseminação já referida.

Quero me referir a algumas dessas frutas: manga, jaca, sape-sape, carambola, castanha, cajá-manga, goiaba, pêssego, pitanga, anona, fruta-pão, mamão, bananas de toda a espécie, limão, laranja, úntue, tamarindo, cacau, café, ananás, safú, guêgue, romã, etc. Certamente omiti muitas delas, pelo que, o leitor poderá completar a lista no comentário, que eu agradeço.

Não sendo eu especialista nesta área, não sei se entre as plantas referidas existem algumas endémicas no nosso território. Uma curiosidade que gostaria de conhecer.

Não inclui na lista as frutas não comestíveis por ser humano, mas que são importantes também para a alimentação dos pássaros, morcego e gados, assim como a arborização, pois, elas contribuem para a exuberância das nossas florestas e Obôs. Como exemplo, temos o chamado ´´figó plôcô´´, traduzido a português, «figo de porco».

Mas o objetivo principal desse artigo é de chamar a atenção as Autoridades do Pais pela triste constatação de que algumas dessas plantas frutíferas estão a desaparecer aos poucos, devido ao desmatamento das florestas para fins de aproveitamento de madeira e queimadas para produção de carvão. Igualmente, poderá por em causa a sobrevivência de algumas aves ou outros animais existentes nas nossas florestas, muitas delas endémicas, que tem como alimento as frutas produzidas por essas plantas. Portanto, é todo o nosso ecossistema que está em perigo eminente.

Dai que, há necessidade urgente de se intensificar o controlo e a fiscalização das florestas para se evitar o abate indiscriminado e abusivo de arvores de toda a espécie nas florestas e nos Obôs.

Paralelamente a essas ações de fiscalização, deve-se proceder a ao plantios de arvores nas zonas afetadas, dando maior relevo as arvores frutíferas em extinção, através de um programa intenso e específico devidamente elaborado e que contempla cimenteira e plantio dessas arvores. Por que não identificar também locais específicos a nível nacional para a instalação de pomares de plantas em desaparecimento, utilizando as técnicas modernas para essas atividades.

Não devemos deixar essa tarefa apenas aos pássaros e outros animais. Essa importante ação vai permitir a breve trecho dispormos dessas frutas adaptáveis as nossas realidades ambientais, em quantidade e qualidade, para continuarmos a saborear essas deliciosas dádivas que Deus nos deu, no presente e no futuro a preços aceitáveis e, quiçá, exporta-las para outros mercados no estrangeiro, onde se apreciam frutas tropicais de qualidade.

Não é aceitável comprar hoje em dia um naco de jaca de tamanho reduzido por um valor mínimo de 25 dobras, porque a procura é muito maior que a oferta, mesmo na época de maior produção dessa fruta.

Em relação ao côco que não referi na lista, fiquei com dúvidas em saber se é ou não uma fruta. Para tanto, fiz uma consulta a Meta IA, a mesma confirma que o côco é efetivamente considerado uma fruta com características especiais.

Tem-se constatado nesses últimos tempos o aumento do consumo de água do côco como uma preciosa bebida refrescante natural, a (d´auá). Para além do líquido, a amêndoa do coco é também utilizada para a extração de óleo e leite, muito usado na culinária e na cosmética. Apraz-me saber que já existe no Pais pequenas iniciativas empresariais de transformação do côco e outras frutas de produção local.

Por essa razão a pressão sobre a utilização de côco no Pais está a aumentar, também porque o número de coqueiros está a diminuir em toda a extensão do território nacional, sobretudo nos terrenos que confinam a capital do Pais, por envelhecimento das plantas ou devastação dos terrenos onde outrora havia muitos coqueiros, para serem usados para outros fins. Dai a necessidade também de se implementar o plantio de novos coqueiros, de acordo com o programa acima referido.

Outro grande problema é a praga que tomou conta dos citrinos e outras frutas. A praga dos limoeiros por exemplo, foi analisada por mim num artigo publicado há algum tempo a essa parte. Ainda assim, não é visível da parte das autoridades ligadas a agricultura nenhuma medida estruturada com vista a erradicação dessa praga que afeta os citrinos no País ainda que se tenha que contar com a cooperação dos nossos parceiros que também viveram essa triste realidade. Em consequência disso, o preço do nosso limão e outros citrinos aumentaram de forma exponencial, o que obrigou alguns supermercados a importar o limão. Quem diria?

Importa referir que o nosso limão, noutras paragens, designados por «lima», é muito consumido pelos são-tomenses, na preparação de limonada, na confeitaria, mas sobretudo na culinária utilizado para a preparação de peixes ou carne, tanto cozido como grelhado. Eu não troco o nosso limão com um outro qualquer devido a sua qualidade invulgar.

São Tomé, 4 de agosto de 2026

Fernando Simão

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