É com muita preocupação que observo a degradação persistente da situação política, económica e social em que se vive no nosso Pais, há vários anos a essa parte.
Com exceção dos partidos políticos surgidos ultimamente, todos participaram na governação de São Tomé e Príncipe, sozinhos ou coligados. Portanto, todos têm a culpa no cartório da desgraça do Pais.
Por outro lado, somos um autêntico laboratório de experiências de sistemas de governação, pois, com exceção da monarquia, já se experimentou todos previstos na Ciência Política e nenhum deles funcionou devidamente. Então, qual é o problema?
Começa a ganhar forma em Africa e, eu corroboro, a ideia de que o modelo de democracia que praticamos no continente atualmente, fruto de um protótipo imposto não se adequa as realidades africanas de uma maneira geral. Para tanto, é necessário que os nossos cientistas políticos começam a estudar um modelo de democracia alternativo, baseado nas nossas realidades socioculturais, porque o pior erro é insistir indefinidamente em algo que não da certo.
Não é por acaso que Winston Churchill, antigo Primeiro Ministro do Reino Unido disse em um discurso certo dia que: “A democracia é o pior sistema de governo, com exceção de todos os outros que já foram experimentados.” Neste sentido por que não estudarmos um modelo que se adapte as realidades africanas que tem as suas singularidades e não o modelo ocidental que nos impuseram e que não tem resultado até agora, solvo raríssimas exceções?
Referindo-me particularmente ao nosso Pais, São Tomé e Príncipe, é bom lembrar que vivemos num regime democrático há mais de 35 anos e o Pais não ata nem desata. Sempre nos disseram que a democracia favorece o desenvolvimento económico e social dos Países que a praticam. A realidade é que todo esse tempo da nossa vivencia democrática o Pais regrediu de forma assustadora no aspeto económico e social. Temos limitado ao longo desse tempo a realizar eleições regularmente, mais ou menos livres, sempre com a presença de observadores estrangeiros, principalmente dos Países e organizações que financiam o nosso processo eleitoral. Sendo as eleições um ato soberano, não se entende por que razão o mesmo não é totalmente financiado com fundos do OGE? O estranho e vergonhoso é a indiferença das nossas autoridades ao longo de todo esse tempo, perante essa situação humilhante e não se apercebem que a tal democracia que praticamos em que as instituições quase todas elas não funcionam, é fingir que somos um Pais democrático apenas para cumprir objetivos inconfessados de potencias estrangeiras.
Por tudo isso, pergunta-se: será esse modelo democrático que queremos para o nosso Pais?
Atrevo-me a levantar essa questão de modelo de democracia porque muitos com quem tenho abordado essa matéria não dão muita importância ao tema e nota-se algum receio em falar do assunto, só porque alguém nos ensinou que essa democracia ocidental é a mais adequada para Africa e não há nenhuma outra para o substituir.
Contrariamente ao que pensam, acho que devemos começar a falar e a debater o assunto, sem tabu. Por isso é que teremos muito tempo para falar desse tema, com exemplos palpáveis.
Outra faceta da nossa vivencia política é a forma como a nossa classe política encara essa prática no Pais. Na verdade, alguns casos nem os chamaria políticos porque de política não percebem absolutamente nada e não são dignos desse título nobre.
Há duas maneiras de fazer política: uma é quando se faz política com honestidade para servir o Pais e o bem-estar do povo e outra, quando se usa a política para servir os seus interesses pessoais e de grupos. Tenho a impressão que, salvo raras exceções, infelizmente grande parte dos nossos políticos optaram por a última via. Daí a explicação para a situação degradante em que se vive no Pais ao longo de todos esses anos e com a tendência para piorar cada vez mais, se nada for feito.
A partir do próximo mês de setembro vamos entrar no segundo pleito eleitoral deste ano de 2026 depois das eleições presidenciais em que foi reconduzido o Presidente da República, Engº Carlos Vial Nova, cuja tomada de posse está prevista para o dia 3 de setembro de 2026.
Desta feita, será realizada as Eleições Legislativas, Regionais e Autárquicas no dia 27 de setembro de 2026.
Na minha opinião, três aspetos deveriam estar nas preocupações dos Partidos Políticos que vão concorrer a essas eleições, a saber: Primeiro – constituição de um Governo sério e forte, com a capacidade de enfrentar e resolver grande parte dos problemas prioritário do Pais, independentemente do Partido que ganhar as eleições. É preciso ter a consciência que os problemas do Pais são enormes e complexos neste momento e um só Partido não terá a veleidade de os resolver sem o concurso de todas as forças vivas da Nação. Porque não os Partidos todos e a Sociedade Civil chegarem a um acordo para um Pacto de Regime durante uma ou duas legislaturas, com objetivo de endireitar o Pais? Não cometam os erros de um passado recente, que mesmo com a maioria absoluta, a situação ficou mais complicada em vez de se encontrar soluções. Eu até diria, nunca mais a maioria absoluta no Pais! É minha opinião; Segundo – a qualidade dos deputados que constituirão o Parlamento. Eu não gostaria de presenciar de novo esses espetáculos triste da última legislatura, que para mim foi a pior desde a instalação do multipartidarismo. Deve-se ter em conta a literacia dos deputados para a qualidade e bom resultado dos trabalhos, sendo o Parlamento um Orgão legislativo por excelência; Terceiro – o nível de conhecimento e experiência em matéria de gestão regional e autárquica do Presidente de Governo Regional e Presidentes das Câmaras Distritais, sobretudo o da Capital do Pais, deve ser tido em conta.
Prometo nos próximos artigos antes das eleições esmiuçar mais esses pontos.
São Tomé, 30 de agosto de 2026
Fernando Simão
