Análise

1 Milhão de Dólares para uma juventude

No Orçamento de Estado para 2012 está inscrito um milhão de dólares para o empreendedorismo jovem e, recentemente no Parlamento, a discussão foi frenética, com alguns deputados a empurrarem a verba para o Ministério das Finanças e outros para a Secretária de Estado para Juventude e Desporto.

Dos 55 parlamentares ninguém percebeu que nenhuma daquelas instituições tinha sequer uma proposta para um Plano Nacional de Empreendedorismo. Bem, adiante, naquela casa percebe-se tanto ou tão pouco.

Este artigo tem um propósito claro: recentralizar a atenção das pessoas no que realmente vale a pena: há uma juventude que está ansiosa para mostrar trabalho com base no que aprendeu na formação, outra que trabalha digna e arduamente as roças e as cidades, outra ainda que, entre o ir para o exterior e sustentar a família, mira uma oportunidade para mostrar a sua criatividade. Sim, há muitos jovens criativos no País, inclusive lá bem longe, nos “funcá-funcás” das roças. Para toda esta juventude foi aprovada uma proposta de programa de um milhão de dólares destinados ao empreendedorismo.

O Parlamento deveria chamar novamente o Governo, desta vez, para uma sessão séria. Deveria chamar também alguns economistas – e convém que também estes sejam sérios – para explicarem, por exemplo, como é que as micro e pequenas empresas dinamizam a economia e como é que o próprio Estado ganha com a inovação, a criatividade e o espírito empreendedor dos cidadãos. De mais a mais, as pessoas têm o direito de saber como vai funcionar o “famoso programa de 1 milhão de dólares para o empreendedorismo”.

É indiferente que a verba esteja na Juventude ou nas Finanças, desde que haja uma lei que regule o programa e a consequente utilização da verba, que todo o processo seja público e transparente e que o Executivo esteja focado em objectivos e metas. Quantas micro e pequenas empresas o Executivo gostaria de ver criadas? Queremos apostar na criação de serviços com base em novas tecnologias? E nas roças, queremos que os jovens que trabalhem a terra sejam verdadeiros empresários da terra? O Governo já pensou no potencial das mulheres empreendedoras são-tomenses? Disse que precisaríamos de uma sessão parlamentar. Corrijo: precisaríamos de duas: uma para o Governo responder à estas e outras questões e outra para se discutir e aprovar o tal Plano Nacional para o Empreendedorismo Jovem e uma lei sobre as micro, pequenas e médias empresas. Simples, sem necessidade dos peritos do FMI.

Se nos fixarmos no País e nas pessoas, duas palavras saltarão à vista: simplificação e incentivo. O empreendedorismo passa também por aí, pois não vale a pena conceder crédito aos jovens para gastarem, logo à partida, com a burocracia e os impostos. Simplificar significa, por exemplo, instituir um Balcão do Empreendedor no Guiché Único e incentivar pode passar por determinadas isenções fiscais no período do início de vida das empresas. No contrato de fornecimento de luz, a EMAE poderia criar uma tabela de consumo especial para as micro e pequenas empresas e toda a relação entre as instituições administrativas do Estado e os jovens empreendedores se deveria efectuar por canais rápidos e simples.

Como é bom de ver, a lógica do “banho” não interessa, estamos a falar de criar postos de emprego, pequenos mas muitos, aumentar sustentavelmente o poder de compra das pessoas e de libertar o Estado do fardo de ter que ser o pai e a mãe dos indivíduos.

Imaginemos que, no universo da juventude nacional, cada grupo de dez jovens ofereça um novo serviço ou produto. Era bom, não era?

Ludmilo Tiny

Junho de 2012

    14 comentários

14 comentários

  1. STP@

    26 de Junho de 2012 as 10:10

    Caros são-tomenses, penso eu que alguma vez já terão questionados,tal como eu:-Porque que ainda estamos assim,na cauda do mundo e nunca mais de lá saímos? São 37 anos da Independência mas,quase tudo ainda está por fazer e muitas que foram destruidas.
    Mas alguém sabe dizer-me em que País estamos?!!!

    Como se admite num país com tantos recursos minerais,terra fértil,clima tropical,e com uma população calorosa e trabalhadora,com tantos apoios financeiros e técnicos recebidos dos parceiros internacionais, OGN’s etc.
    Assunto:-
    Um paciente dirigiu-se ao hospital central de S.Tomé e príncipe,para fazer uma Radiografia de carácter urgente,alegadamente terão lhe tido que não era possível fazer exames destes, porque o médico técnico em radiologia não se encontrava no País.-Sinceramente se isso for um facto,só pode ser mesmo em S.tomé.

    Mas uma coisa é certa,o pior que s.tomé,só mesmo o hospital central,onde a qualidade para uma intervenção médica é = a 0(Zero).O hospital central está doente no estado de coma.Também não só hospital central como quase todas as instituições .Como é o caso das alfandegas,onde o contentor de ajuda doado pelos emigrantes stp, para o hospital central, teve que ficar retido nos portos por falta de pagamento de um valor incalculável para sua expedição.os emigrantes STP não têm como enviar os seu pertences,devido a elevada taxa praticada naquele sector.

    Solução: Mudança de Leis, atitudes,ideias,pensamentos.,saneamento hospitalar de raiz,demonstrar profissionalismo e bom senso desde P.R até o cargo mais humilde deste País,para o bem estar de todos os são-tomenses.
    Um Bem haja !!

  2. Maykel Viegas

    26 de Junho de 2012 as 10:35

    Caro colega Ludmilo Tiny, gostei do vosso objecto de análise e não há comentários a fazer apenas o complemento. A inovação pode ser apontada como uma das estratégias sustentável para STP atingir os níveis de desenvolvimento dos países mais avançados do Continente Africano. Contudo alguns indicadores como fraca economia do país relativamente à média dos países vizinhos associados à ciência tecnologia e inovação; inexistência de uma despesa em Investigação e Desenvolvimento; inexistência de políticas públicas de apoio a inovação; inexistência de estratégias empresariais. Quando falo de políticas de apoio a inovação refiro a um conjunto de iniciativas públicas orientadas para aumentar o volume e a eficiência das actividades inovadoras. Ora, as empresas encontram-se no centro do processo de inovação pelo que acredito que o efeito final de uma política de inovação deve reflectir nas empresas. O que não se verifica, a não satisfação dos indicadores que acima aludo mostra claramente o peso do atraso estrutural em que o pais esta mergulhado.

  3. Cidadão

    26 de Junho de 2012 as 10:52

    Ó meu amigo, a frase “Um milhão de Dólares para uma Juventude” até parece bonita, mas digo-te já que este montante brevemente será transformado numa “vivenda, um jipe de gama alta, alguns passeios em Lisboa, umas roupinhas para as amante e uns troquinhos para o motorista.

    • Ôssôbô

      26 de Junho de 2012 as 13:46

      Concordo plenamente contigo amigo cidadão!!Porém vamos ver o que vai acontecer tendo em conta que os santolas sempre gostam de lamber as mãos.

    • preta de s.t.p

      27 de Junho de 2012 as 10:34

      não concordo contigo, acho que precisas saber mais da gestão de coisa publica. entretando tens o direito de pensar o que quiseres, mas veja bem, os tempos são outros e a gestão da coisa publica já não se resume a isso….

  4. santola

    26 de Junho de 2012 as 15:19

    Muito bem jovem, força ai.

  5. MAFIKIZOLO

    27 de Junho de 2012 as 11:09

    Esta notícia é boa!

    Eu acho que o montante é muito reduzido, somos muitos sãotomenses com ideias esplêndidas. Se por caso 10 pessoas(acredito que aparecerão muitos mais) tiverem um bom projecto cada um mas cada projecto carece de diferentes valores de crédito, como será feita a alocação das verbas? Será um divisão equitativa para cada jovem empreendedor? Gostava de ver esta verda duplicada ou triplicada. Sei que seria um grande esforço para os cofres do estado mas acredito que a médio e a longo prazo o investimento seria muito lucrativo.

    Gostava também de saber se há aqui alguém que tenha ideia de como se faz a candidatura e quais os trâmites legais para a aquisição, isto é, cadê o regulamento deste programa?

    Peace and love
    MAFIKIZOLO

  6. Nando Vaz (Roça Agostinho Neto)

    27 de Junho de 2012 as 12:36

    Gostei das suas sugestões e ideias.
    No que tange “Balcão do Empreendedor” acho deve ser instituídos em todos os distritos(descentralização. Os impostos e as burocracias, é muito importante salientar aqui o tempo a isenção dos mesmo(6 meses, 1 ano,2 anos,3anos…)

  7. T.Gey

    27 de Junho de 2012 as 19:03

    Caros cibernautas, o facto do Governo já ter estipulado a referida verba para o empreendedorismo jovem só por si já é de louvar,o que falta concretamente é a legislação e eficácia no posterior andamento do mesmo.

    Se houver transparência e um órgão competente para dar continuidade e fazer as devidas fiscalizações estamos no bom caminho.

    E não nos esqueçamos que já temos o Tribunal de Contas… Creio que não estão ali para passear e fazer de conta que trabalham…

  8. Filipe Samba

    28 de Junho de 2012 as 11:38

    Inserção de mulheres e jovens no turismo em África em discussão na Nigéria

    Os obstáculos que travam a autonomização e igualdade da mulher e dos jovens no sector do turismo no continente africano estão a ser analisados, desde segunda-feira, em Cross River, Estado de Calabar, na Nigéria, com a realização da 53ª reunião da Comissão da Organização Mundial do Turismo para África.
    Aberto pelo Ministro do Turismo, Cultura e Orientação Nacional, Edem Duke, em representação do presidente da República Federal da Nigéria, Goodluck Jonathan, os participantes começaram a debater temas sobre o reforço da capacidade, desenvolvimento comunitário, espírito empreendedor e tomada de responsabilidade
    por parte dos actores.
    Os participantes distribuídos em painéis, abordam o tema: “ Turismo responsável, oportunidade para as mulheres e os jovens”. Dos vários painéis em abordagem destaca-se as abordagens sobre a “Capacidade e desenvolvimento comunitário”.
    Os responsáveis dos sectores públicos e privados estão a partilhar as suas visões e experiências sobre as oportunidades de liderança fornecidas pelo turismo em África, particularmente para as mulheres, bem como as formas de enfrentar os desafios existentes.

    O evento, em que participam grande parte dos países do continente, encerrou hoje ( quinta-feira), com a eleição do representante de África no Conselho Executivo da Organização Mundial do Turismo para período 2012-2015.

    A reunião da Comissão da OMT para África (OMT/ CAF) é um evento que junta anualmente diferentes actores do sector público e privado do ramo do Turismo.

  9. jilberto

    28 de Junho de 2012 as 16:45

    Quando falamos em empreender temos que ter em conta diferentes aspectos
    1º o enpreendedorismo não é apenas´para filhos de ministro ou seja ricos
    2º não abarca aqueles que ja tem e só querem fazer um plano de negocio perfeito com auxilio de pai ou mãe que ja esta no governo e assim por as mão no dinheiro

  10. VOZ DO POVO

    29 de Junho de 2012 as 10:26

    Muito boa reflexão meu caro jovem em S.T.P
    existe muitos jovem com espirito de empreedorismo mas o nosso governo não lhes dão oportunidade, o nosso governo pensa que nos vivemos muna Casta em que as pessoa não tinha oportunidade de subir de nivel de vida. Esses 1 Milhão de Dólares para o empreendorismo jovem que estão a discutir se vai para Ministerio das Finanças ou para Secretária de Estado para Juventude e Desporto. Não importa a onde o dinheiro caia o que importa é que caia no sector aonde tenha proposta para o empreendoriamo jovem é isso que importa, existe jovem o interior do pais que nessecita de um emporão do estado para seguir com seu projecto jovem que terminarm formação proficional que nessecita por em pratica o que aprendeu é isso que o nosso governo os deputados da Assemblea da Republica tem que precupar com ele não é a onde o dinheiro vai para, é muito simple o dinheiro tem que ir aonde tem propostas para o empreendorismo.

  11. Zé Maria

    30 de Junho de 2012 as 15:27

    Parece haver aqui muita gente a falar de empreendorismo sem saber que é que está a falar. Um empreendedor é a pessoa que vê uma oportunidade de negócio e, de maneira rentável, a explora. Tanto quanto eu estou a ver há pessoas a discutir os cuidados médicos, outras a falar da capacitação feminina, e há ainda pessoas a dizer que este dinheiro serve para formação… Está-vos a faltar os pontos chave para programas de credito a empreendorismo: RENTABILIDADE e SUPERVISÃO!
    Não sei se se lembram, mas ainda há poucos anos o PNUD levou a cabo um projecto de credito em que distribuiram 2.000.000 DE DOLARES… e tiveram um imcumprimento de mais de 80% nos “empréstimos” que lançaram.
    Os empréstimos lançados foram dados com critérios dúbios e não havia nenhuma espécie de programa de monitorização para acompanhar os creditos. O que é que aconteceu? Os “empreendedores” meteram o dinheiro ao bolso…
    Portanto um programa com o dobro da envergadura deste, acabou por não ter impacto duradouro nenhum. Os Santomenses não precisam só de um empurrão, precisam de:
    nº1 – ser sérios – daí a necessidade de um programa de selecção eficaz.
    nº2 – de um programa que lhes exija resultados financeiros – para garantir que se esforçam no início que é a fase crítica de qualquer projecto.
    nº3 – Monitorização – para acompanhar o credito lançado e para haver pessoas com a competencia necessária a guiar os cursos de acção dos empreendrdores nas fases críticas.
    Sem estas três coisas, bem podem estar a pôr esperança no pacote de 1.000.000 de USD para credito a empreendedores, que garanto-vos que, mais uma vez, não vai funcionar!

  12. HELDER SANTOS LIMA

    16 de Julho de 2012 as 11:34

    antes de mais nada , muito obrigado pelo luta incensante que tens travado na melhoria da vida dos santomenses.

    realmente esta velha forma de pensar deste policos e triste e pobre, se estabeleceram um plano de 1 milhao de dolares para o desenvolvimento da sociedades juvenil, porque que nao se cria um plano credivel para o crial mais emprego, investimentos do exterior abrir a mentos da sociedade ,para desenvolver e criar pequena , media e grande que possar produzir produtos locais e assim discentralizar e deminuir a borocracia de importacao e do comercio nacional ,

    thanks very much

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