Opinião

“A CPLP continua a trilhar o difícil caminho da afirmação e do reconhecimento pelos cidadãos dos países membros”

No dia 17 de Julho de 1996, inaugurou-se uma nova era nas relações entre países outrora colonizados e a sua potência colonizadora, com a fundação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Aquando da sua criação, as nações-membro transbordavam um sentimento de esperança, pois, a CPLP era um projeto que visava promover o fortalecimento da democracia e advogar mais e melhor cooperação entre os Estados-Membros. Este sonho ambicionava chegar aos mais variados setores de ação dos Governos, promovendo mais e melhor qualidade de vida para os seus cidadãos e, sobretudo, mais liberdade.

Porém, volvidos quase 17 anos após a sua criação, a CPLP continua a trilhar o difícil caminho da afirmação e do reconhecimento pelos cidadãos dos países membros, bem como a pertinência da urgência da existência da Organização.

Reconheço que existe uma grande falta de recursos na Organização e que isso, por si só, põe em causa a vitalidade do projecto da CPLP. Reconheço ainda que esta falta de recursos se reflete no alcance das ações levadas a cabo pela CPLP e que limita de sobremaneira a sua potencial área de influência.

Embora exista uma notória falta de recursos na CPLP, defendo que muito mais se poderia fazer, hoje. Acredito que é chegada a hora da sociedade civil, especialmente os jovens da CPLP serem chamados a contribuir com as suas ideias e propostas sobre a forma como a Organização deverá evoluir e agir de forma a atingir os objetivos que inspiraram a sua fundação.

É papel do Fórum de Juventude da CPLP (FJ-CPLP), enquanto plataforma representativa dos jovens da CPLP, defender uma política de juventude mais concertada e mais inclusiva no espaço da CPLP. Acredito que o melhor caminho a seguir pelo Fórum deve passar pela defesa intransigente da correta implementação do “Plano Estratégico da Juventude da CPLP – Juventude da CPLP: 2015 e além”. Plano este que visa enquadrar a juventude nas diferentes áreas de trabalho da organização.

A meu ver, os jovens deveriam advogar uma acção política integrada e concertada com vista à de promoção do emprego jovem,  nos Estados membros, uma vez que o desemprego juvenil é endémico em quase todos os países. Por outro lado defendo  a Implementação de uma política de livre circulação de quadros dentro da CPLP. Estou em crer que esta medida será significativa no desenvolvimento de uma politica de mobilidade e terá resultados altamente satisfatórios no desenvolvimento de todos os países

No plano económico, a integração da CPLP no centro económico mundial deverá ser alicerçada por uma nova visão sobre a capacidade que temos se funcionarmos em conjunto. Nesse sentido, acredito que é chegada a hora de se debater dentro do espaço da CPLP a necessidade da criação de uma zona de comércio livre entre os Estados membros, a semelhança com o que existe na união Europeia, o Mercosul, a CEDEAO, a SADC ou a ASEAN.

Outro dos aspectos relevantes no desenvolvimento dos países é a área da saúde. Neste sentido, a fruição do  direito à saúde é no meu entender fulcral no nosso desenvolvimento. Neste sentido, é imperioso que a cooperação no domínio da saúde seja de facto uma prioridade e que a luta contra o SIDA , a saúde sexual e reprodutiva e o alcance dos objectivos de desenvolvimento do milénio continuem na agenda da CPLP e, que mais organizações juvenis sejam envolvidas.

Outro dos domínios que considero estratégicos prende-se com a  promoção da cooperação no domínio da formação avançada. Considero esta área  outra bandeira que deve ser erguida pelos jovens, . Acredito que  a formação qualificada assume uma importância acrescida quando pensamos na competitividade em que as economias dos países membro estão sujeitas num mundo globalizado.

O binómio formação/ciência assume centralidade estratégica no desenvolvimento consolidado dos diferentes países. Não só quando abordamos de um ponto de vista epistemológico a construção da ciência, que genericamente assume os paradigmas da parte norte do mundo, mas também pelo seu caracter fundamental na integração dos países no sistema mundo e na economia do conhecimento. Passar da periferia para o centro é fundamental numa nova abordagem alter-globalizadora que acrescente a contribuição do sul do mundo na construção do progressos científico. Para o efeito, o desenvolvimento de um programa de mobilidade estudantil e cientifica pode constituir um valor acrescentado neste processo.

Para concluir, as organizações não-governamentais de juventude são fundamentais para o fortalecimento e implementação de políticas ativas de juventude, por isso, acredito que o FJ-CPLP deva advogar junto dos Estados Membro da CPLP um maior apoio a estas organizações. É fundamental que o paradigma da construção das políticas de juventude seja nos jovens e não para os jovens. Só assim se conseguirá mobilizar o potencial humano que os jovens têm para um verdadeiro progresso da comunidade.

PARABÉNS CPLP

Negesse Pina

    2 comentários

2 comentários

  1. caue a pague saginon

    19 de Julho de 2013 as 13:21

    Que tem CPLP este texto e a foto em cima a ver com tudo?

  2. Fabio Soares

    19 de Julho de 2013 as 20:39

    Também não entendi a relação da imagem com o texto.

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