Opinião

Resenha eleitoralista bate o ano no fundo-Opinião

Pinto da Costa, a figura do ano em São Tomé e Príncipe. Enquadraria na temática a debruçar, caso não valessem as vozes da opinião pública – no gozo da liberdade de expressar consagrado no Estado de Direito Democrático – surgir em contrário a escolha partidária dos fazedores da orquestra no nosso país.

O calendário litúrgico que comanda a agenda anual estipula a época carnavalesca quase sempre para o mês de Fevereiro. Em três dias, de domingo à terça-feira, o Trundo sai à rua. Trajados no papel de homem e mulher, os homens em máscaras de rir, aprontam-se em sátiras e críticas sociais. Com a modernidade, um cheirinho a samba, afinal, a tradição já não é o que era.

O toque dado em Outubro passado no debate africano da RDP-África não tardou a ser realidade. Pena! Os projectos de desenvolvimento do país, em dois anos, não passaram de intenção e discurso político.

A bandeira hasteada no mastro da «Estabilidade em S. Tomé e Príncipe», hediondamente, foi despojada da diplomacia. Patrice Trovoada reapareceu apontando dezenas de rajadas de metralhadora a cabeça de Pinto da Costa.

Deram testemunhos ao Presidente da República – com saxofone de Diálogo Nacional – que o presidente de ADI leva orelhas surdas. Elegeu discurso belicista no seu papel de político e comentador.

No último sábado de 2013, a dupla televisiva prometeu ao público interessado em koêsas da terra e do mundo a um «Balanço do ano». Num propósito antevisto de que o fechar do ano – mesmo nas vidas particulares – há páginas que são encerradas para no seu lugar preencher as perspectivas optimistas para um novo livro, o espectáculo rabiscou ao cartaz.

Sem o anúncio prévio o ex-Primeiro Ministro, descuidando-se deste rótulo, derrapou-se a regressar ao dia do anterior combate, compondo-se em vítima de uma agenda fracassada. Não sarou as feridas.

Os dois interlocutores barafustaram-se na autonomeação de cidadão independente e cidadão neutro. Ou seja, quem era quem? Um exercício de reverem-se ao espelho com olhos vedados.

Por vezes, os cálculos conduzem a erros. Trocando de papel perde-se a noção dos meios para atingir ao fim. O ridículo de atrofiar a pequenez das ilhas.

Só assim é entendível que o falante são-tomense, em primeira mão, anuncia a inauguração de uma televisão partidária, alto som, televisão partidária – chumbada pelo moderador do debate africano – venha ser ele o seu mandante e o apresentador em entrevistas semanais ao líder do partido.

Para testemunhar a penitência, o correspondente da RDP-África nas ilhas num fato amarotado de jornalista, tomou de assalto o lugar da oposição parlamentar. As koêsas não vão bem! Um ano. Nem se deu ao serviço de que os jornalistas na linha da frente costumam vender em alta a imagem dos países. Rejeitam aos políticos, as controvérsias. Opinião pública, a vista crítica.

Ajustou as contas raivosas com o actual executivo. Desbravou-se a rotular o ano no papel de advogado da razão perdida com instabilidades evocadas em contramão, violando a promessa introdutória do apresentador de que a prestação seria para “um apanhado dos melhores momentos do ano”.

Esforços desperdiçados sugaram a oportunidade de presentear uma resenha do ano. Uma hora de nada do positivo do país e da África.

Se era para gritar aos diabos, o Sudão do Sul, o mais jovem país do mundo e a República Centro Africana, infelizmente, estão nestes dias voltados aos túmulos dos povos africanos em debandada de balas de irmãos desavindos.

A Primavera Árabe entre o sangue e a incerteza. A violência inter-religiosa na Nigéria.

Nem Mandela para que choraram lágrimas de crocodilo disseram uma só palavra. O espectáculo não era merecedor de abusar do nome da estrela da África e do mundo.

Mais uma vez, Patrice Trovoada não viu, que seja uma obra do afilhado do seu pai, membro fundador de ADI e actual 1º Ministro. Gastou todas as suas munições disparando compulsivamente contra Pinto da Costa.

Ausente há mais de um ano do país – não cumpriu com a promessa da máquina calculadora no Natal a Gabriel Costa para contabilizar aos gastos das mil e uma viagens de Patrice Trovoada – o ex-PM perdeu por completo a noção de um projecto para São Tomé e Príncipe que abandonou em 2012 deixando o hospital aos enfermos. Pior ao que encontrou em 2010 aquando da sua visita logo a seguir a tomada de posse.

Um desvio na estrada cruz. «Mano, roubaram o nosso sonho?» Confesso. Estaria condenado a perder milhões se alguém me propusesse a acertar num de cinco ou três nomes como autor do texto em referência oferecido pelo Téla Nón aos leitores.

Viciado a ler livros ou rúbricas até ao fim, sem preocupar-me com o seu assinante, fiquei de queixo caído. O primo a quem roubaram o sonho, em palavras de juízo testemunhal deu tudo para uma obra de ficção.

O meu mano no período de transição do nosso sistema constitucional foi mais um jovem quadro que vestiu o fato e o macaco da mudança. Deu corpo e alma a agenda de um partido político. Acreditou que a democracia propalada iria mudar tudo e sobretudo riscar as desigualdades sociais dos quinze anos. Esperança plantada a 20 de Janeiro de 1991. Melhoria de condições de vida do povo. Já lá vão vinte e três anos.

Entre a emoção e a razão, Júlio Neto um auto desertor do reino da maldição… O subsídio aos ministros e pessoas de sua conveniência (novo escândalo) espelha tudo de alta qualidade de vida e regabofes dos que têm um olho na terra dos cegos. Justifica a ganância da praça política pelo poder.

Em Outubro de 2011 este jornal dava corpo a notícia «Governo intenta processo-crime contra o Jornal Kêkua». A sua directora, Dora Salvaterra, ia ser interrogada na instância judicial devido a notícia «Ministros (de Patrice Trovoada) ganham 539 milhões de dobras provenientes de fundos desconhecidos» publicada no seu jornal.

A oposição parlamentar (MLSTP/PSD, PCD e MDFM-PL) não vasculhou aos indícios contra o XIV Governo. Bebiam todos do cristal “deixa o Governo trabalhar”. Ou telhados de vidro!?

Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. Por outra. Ladrão que denuncia ladrão tem atenuantes ou até perdão.

Os pagamentos paralelos nos sucessivos governos especialmente no Gabinete do Ministro da Saúde, parente miserável do povo que assassina diariamente, ao invés de salvar-lhe a vida, por si só e com a baixa do titular, complementam ao que Júlio Neto – mano, minha alta estima! Aquele abraço – com o seu punho no Natal congelado do frio reescreveu: «A política em STP, tal como tem sido apresentada, alimenta a perversa ilusão de que somos todos iguais, temos os mesmos direitos e somos todos livres para determinar o nosso destino

Para separar as águas. Não só de espectáculos a nova tele tem oferecido ao público. Pelo meio e sem contraditório – pode transtornar a agenda – nomes de atribuir respeito têm desfilado com oferta de conhecimentos políticos, culturais, literários e académicos. Menos mal. Para breve, um brinde dos “camaradas” do debate africano.

E o que disse Patrice Trovoada na inauguração de 2014? Da boa vida que deu aos seus jovens ministros propaladores de terem sido os inatingíveis pela maldade do reino? A corrupção. Nada.

Pediu festa grande no dia da sua recepção para agradecer Pinto da Costa no compromisso de eleições em 2014 reafirmado no discurso de Ano Novo do Presidente da República aos são-tomenses e ao mundo. Vai a tempo.

Remeteu o papel de comentador para um olhar na África de riscos sistémicos. No fato de ex-Primeiro Ministro, estendeu mãos aos seus adversários políticos em São Tomé e Príncipe alertando de que não vai regressar para servir ao povo o mesmo prato da fuga. Vai levar um projecto de transparência e estabilidade governativa.

As datas de 20 de Janeiro, a tempo de oferecer préstimo no Diálogo Nacional e mais para lá, 3 de Março, na vitória das forças de mudança, são hipóteses a não descurar no dia de abrir biôkô ao povo pequeno.

Nenhum são-tomense ajustado ou tentado em tirar proveito das novas tecnologias, tinha noção de visão ou seja olho leve na nova tele. Do independente. Do neutro. Nem ilusões na cadeira de Primeiro-Ministro. Nem na do Presidente da República.

O líder de ADI no seu papel de comentador político e desajustado na propaganda escapatória de ex-Primeiro Ministro, em lamento doutrinal de 2013, elegeu-nos a figura do ano na pessoa de Pinto da Costa.

Todas as antevisões de abrir ao champanhe redundaram de que o espectáculo anda falido de um mapa para redesenhar São Tomé e Príncipe. Um canto de oportunidades e do futuro em alta nos indicadores económicos e sociais.

Os destinos turísticos da CNN deram performance ao diamante em bruto e vestiram de fato e gravata o nome das paradisíacas ilhas do meio do mundo. O culto da alma arquitectada num misto dos cânticos de pássaros perdidos e verduras únicas.

Mais uma ventania a reclamar dos políticos da terra um olhar para lá do umbigo e da mente tacanha.

Bem-haja 2014!

José Maria Cardoso

09.01.2014

    11 comentários

11 comentários

  1. Kanimambo

    14 de Janeiro de 2014 as 12:32

    Brilhante!Gostei

  2. jonas

    14 de Janeiro de 2014 as 13:35

    Jose Maria Cardoso, só pode ser você. pior cego é aquele que nao quer ver.
    Feliz 2014.

  3. Silva de ceita

    14 de Janeiro de 2014 as 14:05

    Meu caro,tinhas que ser mais curto e objectivos na sua explanação,de maneira que pudesse ser lida e compreendida por todos, esta é a minha modesta opinião abraço

  4. zeme Almeida

    14 de Janeiro de 2014 as 14:59

    A melhor figura do ano é porque derrubou o governo ADI e o seu Patrice Trovoada?Talvez seja isto!E fez um governo da sua autoria {hehehe}.Assim vai o nosso STP, nao se esquecam que o homem manda com o tempo e quando o seu reinado acabar o Deus mandará para sempre.Tomem nota disto

  5. zeme Almeida

    14 de Janeiro de 2014 as 15:07

    Enquanto estivermos vivos,quem como nós, com tendencias de sermos melhores que os outros .Só o folego e mais nada.

    • Então?

      14 de Janeiro de 2014 as 20:47

      Diz Patrice isso. Ele que queria ser dono de toda a gente.

  6. Pobre Inteligente diz

    14 de Janeiro de 2014 as 18:56

    Figura da vergonha de S.Tomé e Príncipe

  7. malebobo

    15 de Janeiro de 2014 as 8:34

    fracamente José maria, este Sr. como melhor figura do ano, se não estou enganado, tal vez não foste informado que não houve a melhor do ano no ano passado

  8. tudo o vento levou!...

    15 de Janeiro de 2014 as 14:07

    o nosso stp ja esta salvo…
    a nossa democracia ja esta salva…
    juntou se a fome a vontade de comer
    mlstp ;pcd ;mdfm….
    juntos mataram o sonho
    dos saotomenses…
    o galo velho so quer o puleiro…
    o eixo do mal…
    o rosto da vergonha democratica

  9. Santomense

    16 de Janeiro de 2014 as 10:27

    Quando o José Maria refere a figura do ano, ele, penso que devia estar a referir ao lado negativo da expressão. Por acaso essa figura destacou-se pela negativa! Foi e continua a ser o epicentro da instabilidade que nesses últimos doze meses tomou conta do país! Não é que não tenha existido antes a crónica instabilidade que grassa o nosso país! Mas essa que nos infesta pontualmente há pouco mais de 12 meses tem um autor moral, que é esta figura!

  10. António Menezes

    17 de Janeiro de 2014 as 19:05

    Que vergonha. Esse nosso STP, que vergonha

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