Opinião

Em São Tomé e Príncipe todo Mundo é Doutor – parte II

No dia 28 de janeiro de 2015, precisamente há três anos, escrevi um artigo de opinião de certa forma incómodo – Em São Tomé e Príncipe todo mundo é Doutor.

Referi e como não deveria deixar de citar a música do cantor são-tomense  Hailton Dias: “Em São Tomé e Príncipe, todo mundo é Doutor…”poderia ser uma expressão musicalizada de reflexão, mas naquela altura já era uma chamada de atenção para tanta ostentação e arrogância de uma classe que pretendia demarcar-se da outra, dos seus concidadãos exigindo dos mesmos essa forma de tratamento.

Estabelecendo alguma conexão pode-se afirmar, que essa tendência  prolifera-se,  tornando-se epidérmica ou viral. Todo mundo é doutor, mas…

No âmbito de vários acordos e protocolos entre Portugal e São Tomé e Príncipe, mas concretamente entre as Autarquias, dezenas de estuantes são-tomenses viajaram para Portugal a fim de estudarem em Agrupamentos Escolares portugueses vocacionados para esse fim e dali fizeram cursos profissionais.

De referir que o ensino técnico é extremamente importante para o desenvolvimento de um país e São Tomé e Príncipe não será a exceção, desde que os cursos técnicos sejam de alta qualidade.

São Tomé e Príncipe, precisa de técnicos, com habilidade, conhecimento e boa formação para o desenvolvimento do país”,

Os cursos técnicos, além das aulas teóricas, o estudante tem meios, como laboratórios e outros . Faz estágio em empresa para que, ao concluir o curso, tenha uma profissão.

Em vários países desenvolvidos, como a Alemanha, a maioria dos estudantes do ensino médio opta pela educação profissional. Com isso, aumentam a competitividade das empresas e geram mais crescimento.

Ao mencionar alguns exemplos do desenvolvimento com base em formação profissional quero aqui referir que São Tomé e Príncipe também deve seguir essa política, esse modelo de formação para responder as necessidades no domínio do emprego. Recorda-se que temos tradição da escola técnico profissional antiga artes e ofícios, de lá saíram muito bons técnicos.

Estes indivíduos sem escrúpulos, aproveitando sei lá o que é, ao regressarem ao país vão dizendo que são licenciados, soube há dias que em Inglaterra há muitos que fazem dois anos de colégios (12,º ano) e regressam a São Tomé e Príncipe como licenciados.

Existem vários casos, que se vêm tornando público, mas ao mesmo tempo as autoridades nacionais vão fazendo “ouvidos do mercador” ou em alguma situação estarão a permitir falsificações académicas.

Neste artigo, já nem irei citar alguns casos, porque a estas velocidades, existem mais os falsos Doutores em São Tomé e Príncipe que os verdadeiros licenciados. Há dias fiquei incrédulo a saber que há individuo que ostenta o título de médico e não é médico. Brech dir-se-à entre outras coisas o seguinte: Quem sabe e nada faz é criminoso.

Um dia desses, Portugal a não reconhecerá os certificados de habilitação emitidas pelas instituições superiores em São Tomé e Príncipe.

E esta ,heim? Esta é a paródia: “Todo mundo é doutor…” e é nacional.

O que fazer perante esta pandemia?

Cabe ao Ministério vocacionado para lidar com os certificados averiguar a sua originalidade, autenticidade e credibilidade. O Conselho Superior de Magistratura deu um passo decisivo quem seguirá o exemplo?

SUGESTÃO – Os recém licenciados que pretendem trabalhar no serviço público  devem depositar uma cópia certificada do diploma, no Ministério de Educação…e caberá este organismo apurar a veracidade dos certificados de habilitação/diploma dos mesmos.

Mas a sensação que se tem é que no fundo deste “cálu tem angú”

Desta forma se faz a costumada justiça!

Machado Marques, advogado.

    13 comentários

13 comentários

  1. FCL

    22 de Janeiro de 2018 as 11:06

    Este artigo deveria ser entregue no ministério da educação e nas instâncias judiciais de STP. Estes falsos doutores são a causa de muitos problemas que temos por cá. Quando lhes é atribuído um cargo que eles sabem de antemão que não têm competência agarram com unhas,dentes, bruxarias e afins e destroem todos aqueles que constituem uma ameaça.
    Só não actua quem tem interesse que as coisas continuem assim..os falsos doutores

  2. Pedro Costa

    22 de Janeiro de 2018 as 11:13

    Nem mais.
    Meu caro, também aqui já fiz comentários a este respeito. Esta é na realmente uma epidemia no país. E porque é que estes casos se proliferam? Porque não temos um estado forte e organizado e estas situações encontram ali um terreno fértil para o efeito.
    O mais revoltante é encontrar pessoas destas e que se colocam em mesmo pé de igualdade com quem passa o tempo a “queimar as pestanas”, seguindo um trajecto estudantil digno deste nome.
    É pena.
    Ai se eu mandasse, este país endireitava ou tentaria fazer por isso. Não sou perfeito, mas tenho a convicção que tentaria peneirar esta sociedade.

  3. Rapariga da Macumba

    22 de Janeiro de 2018 as 13:16

    Eu votei para a pessoa errada,um filhinho de papai e ainda por cima é um grande ditador
    Amigo pessoal de Paul Kagame, cointadinha de mim nunca sai do pais. Pai dele já foi presidente da república o meu é um simples motoqueiro. Estou disposta a tudo mas não é exagero. O que é que euposso fazer para este homem “Fazer Sair”, dr Leopoldo fala só porque eu preciso saber.
    Vou ter que fazer Milongoê, Milongoê, senão vou ficar bwé doida, bwé doida
    Já não sei o que fazer para lhe fazer entender, que agora vivemos em democracia, que São Tomé não e Gabão e muito menos Ruanda.Ele é protegido por tropas ruandesas e eu sou do povo pequeno,minha única opção é fazer uma Macumba.
    Vou ter que fazer Milongoê,Milongoê, senão vou ficar bwé doida, bwé doida
    Iném ké muê, bi fada mu,Kuá kum pô fé pam non kolê kugabonês séni tela nom

    Adaptação da musica dos Rapazes do Milongo,

  4. Eloisa Cabinda

    23 de Janeiro de 2018 as 5:20

    Seriamente esta coisa de “todo mundo é doutor” é um vírus que se enraizou na sociedade são-tomense, e, de que maneira, que entendo, ser de consequências futuras muito grave ao nível internacional para nós (são-tomenses). As pessoas escondem-se por detrás de diplomas – que muitas vezes são falsificados – para usufruirem de cargos para qual não são competentes, ou ainda para impingir aos outros certos comportamentos ou atitudes indevidos. Esta “febre de doutor” está martirizando a nossa sociedade, isto é uma grande pena!

    Analisando a nossa sociedade, vi que temos mais diplomados do que formados, se S.Tomé e Príncipe tivesse pessoas formadas equivalente aos diplomas apresentados, acredito que muitas coisas seriam diferentes e melhor, no entanto, porque “todo mundo é doutor”, muito embora sem formação, todos querem ser chefes, ministros, deputados, directores, etc…, trabalhos de mãos limpas, tornando-se assim, um ciclo vicioso em que todos mandam e ninguém faz nada! Todos trabalham fazendo de conta, trabalham para cumprir o horário e ganhar dinheiro, no fim se fiscalizarmos o trabalho efectuado, veremos que nada foi feito, e, se foi, certamente mal feito….

    Enfim…. Se tiver que falar da minha indignação à nossa sociedade neste e outros aspectos, não há espaço para tal, porque são muitas coisas a dizer…. A onda da corrupção, ganância e arrogância é tão elevada em STP que fere a alma de quem quer de facto trabalhar e contribuir para um STP melhor.

    É muita pena, porque os que de facto são licenciados, na maioria das vezes ficam penalizados!

  5. dr. Joaquim

    23 de Janeiro de 2018 as 8:42

    Eu penso que já é hora para o ministério da educação em São Tomé e Príncipe fazer uma revisão total dos diplomas dos nossos especialistas e dar uma resposta a situação porque há também pessoas que tem diplomas falsos ou não o tem em geral e na realidade todo mundo diz que é Dr.. mas nem sabe o que é isso e o deve fazer para receber este cognome.

  6. abel grande profissional

    23 de Janeiro de 2018 as 18:23

    Alguém sabe ou tem alguma notícia de Abel Veiga?
    Está em LIBERDADE?
    Se assim for é muito bom.
    Porque não tem havido notícias vomi o Tela Non já mos habituou e não seguimos nem TVS nem Radio Nacional!

  7. lima

    24 de Janeiro de 2018 as 14:52

    Caro Dr. Machado Marques,

    Gostei de ler o que escreveu e espero que tal como referiu, as autoridades santomenes tenham em linha de conta os seus apelos.

    Tenho uma questão quanto ao exercício de atividade de advogacia em STP que gostava que me respondesse:

    Importa-se de me dizer o que é necessário para exercer advogacia em S. Tomé e Príncipe?
    Como devo proceder, quais são os requisitos para me inscrever, quanto tempo demora o estágio, quais os custos associados, quanto tempo demora o estágio e quando é que posso me inscrever?

    Obrigado

  8. João Gomes

    24 de Janeiro de 2018 as 16:47

    ..como assim, caro Machado Marques! Só nos faltava essa!!!
    Um abraço de CV.

  9. Carlos

    24 de Janeiro de 2018 as 20:22

    Boa tarde, Congratulo-me com a forma como abordou essa temática. Gostaria que se pronunciasse sobre um outro assunto que de certa forma tem correspondência com o que diz nessa matéria. Refiro-me ao concurso ilegal que está a decorrer nos serviços judiciais – tribunais. A forma como o concurso foi desenvolvido e os candidatos foram selecionados, viola todos os princípios, nomeadamente o princípio da legalidade de forma, no que respeita aos concursos públicos. Esse concurso devia ser anulado – contém vários vícios. À título de exemplo e só para mencionar uma situação, não basta afixar um edital nas instalações dos tribunais, tendo em conta o distanciamento existente aos cidadãos na diáspora, que se viram por exemplo privados do conhecimento do concurso. Esse concurso não foi devidamente publicitado – numa altura em que tudo está disponível na internet, ficar-se pelo jornal oficial (espero que essa informação esteja no diário da república de STP) mostra-se insuficiente, a menos que tenha sido intenção dos seus responsáveis, comunicar só com os amigos. Assim, quem não tiver acesso a informação privilegiada, está fora – não podendo por isso participar nos assuntos importantes da nação. Os candidatos foram escolhidos de acordo com critérios pouco claros – peço-lhe que investigue por favor esse assunto.

  10. lima

    25 de Janeiro de 2018 as 10:27

    Bom dia,
    Congratulo-me com a forma como abordou essa temática. A ser assim como se lê, quer nas suas palavras quer nas dos comentadores que aqui deixaram a sua opinião, é pena.
    Gostaria que se pronunciasse sobre outro assunto que, de certa forma tem correspondência ou correlação com o que acaba de escrever. Sei que o Sr. Dr. também é contra esse estado de coisas e já tem alguma experiência de injustiça em matéria de concursos públicos.
    Refiro-me ao concurso para magistratura judicial que está neste momento a decorrer no sistema judicial de STP. A forma como o concurso está a ser encaminhado, pode violar diversos princípios, nomeadamente, o de legalidade – de forma.
    Segundo as regras vigentes, os concursos devem ser publicitados através de mecanismos próprios que possibilitem o real conhecimento dos cidadãos da sua existência, não bastando para tal, afixar um edital nas instalações dos tribunais.
    Atendendo que existem cidadãos Santomenses na diáspora, pergunto se não deveria haver maior publicitação do concurso em causa? Imagino que o concurso tenha sido publicitado nos jornais oficiais na república e que conste também, do diário da república – embora não consiga encontrar essa informação na internet.
    Será que os cidadãos tiveram conhecimento desse concurso, ou algumas pessoas ficaram privadas dessa informação? Espero que não tenha sido uma daquelas situações em que só os amigos tiveram acesso à informação.
    Espero que todos aqueles que estivessem em condições de concorrer, tenham tido a oportunidade de participar nos assuntos importantes da nação – como será por exemplo quem está distante e faz os seus estudos fora do país por impossibilidade de o fazer “dentro de portas”.

    Cumprimentos,

  11. lima

    25 de Janeiro de 2018 as 10:56

    Bom dia,

    Congratulo-me com a forma como abordou essa temática. A ser assim como se lê, quer nas suas palavras quer nas dos comentadores que aqui deixaram a sua opinião, é pena.
    Gostaria que se pronunciasse sobre outro assunto que, de certa forma tem correspondência ou correlação com o que acaba de escrever. Sei que o Sr. Dr. também é contra esse estado de coisas e já tem alguma experiência de injustiça em matéria de concursos públicos.
    Refiro-me ao concurso para magistratura judicial que está neste momento a decorrer no sistema judicial de STP. A forma como o concurso está a ser encaminhado, pode violar diversos princípios, nomeadamente, o de legalidade – de forma.
    Segundo as regras vigentes, os concursos devem ser publicitados através de mecanismos próprios que possibilitem o real conhecimento dos cidadãos da sua existência, não bastando para tal, afixar um edital nas instalações dos tribunais.
    Atendendo que existem cidadãos Santomenses na diáspora, pergunto se não deveria haver maior publicitação do concurso em causa? Imagino que o concurso tenha sido publicitado nos jornais oficiais na república e que conste também, do diário da república – embora não consiga encontrar essa informação na internet.
    Será que os cidadãos tiveram conhecimento desse concurso, ou algumas pessoas ficaram privadas dessa informação? Espero que não tenha sido uma daquelas situações em que só os amigos tiveram acesso à informação.
    Espero que todos aqueles que estivessem em condições de concorrer, tenham tido a oportunidade de participar nos assuntos importantes da nação – como será por exemplo quem está distante e faz os seus estudos fora do país por impossibilidade de o fazer “dentro de portas”.

    Cumprimentos,

  12. Carlos manuel

    25 de Janeiro de 2018 as 13:06

    Olha, por falar em todo mundo e doutor, noticia de ultima hora diz que os doutores do ministerio da saude, medicos e enfermeiros em particular vao paralizar todo o trabalho. Vao entrar em greve.
    Tambem ha informacoes que jornalistas da radio e da tvs vao tambem entrar em greve.

  13. Dely Amorim

    26 de Janeiro de 2018 as 10:57

    Excelente artigo, por acaso conheço muitos em São Tomé que não terminaram o ensino universitário e regressaram para São Tomé e são Drs..

    Em England o governo criou o novo sistema que é possível tirar uma licenciatura em 2 anos, a verdade é que a maioria dos licenciados aqui em England não conseguem o trabalho devido a falta de experiência e conhecimento zero..

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