Opinião

Covid-19: As principais etapas em São Tomé e Príncipe

O Continente Africano anunciou o seu primeiro caso do novo coronavírus / Covid-19 em 15 de fevereiro de 2020, dois meses após a primeira identificação na China. Desde a sua chegada ao continente, o vírus se espalhou em menos de um mês para mais de 30 países. (Centre D´Études Stratégiques de l´Afrique, 2020).

Entre os países africanos lusófonos, Cabo Verde lidera em número de infecções, com 73 casos e uma morte, de seguida a Guiné-Bissau contabilizando 50, logo depois Moçambique com 41, Angola soma 25 casos confirmados e duas mortes, finalmente São Tomé e Príncipe, 4 casos confirmados (CSSE, 2020).

No nosso entender, podemos dividir o período do novo coronavírus, em São Tomé e Príncipe em duas fases, a saber:

Fase 1. Testagem das amostras pelos laboratórios internacionais com resultados a partir de 26 de Março a 17 de Abril de 2020.

Esta fase inicia-se com os resultados dos três grupos de testes enviados a diferentes países e laboratórios de referência a nível internacional, quer europeu (Portugal), como africanos (Gabão e Guiné Equatorial), todos com resultados já conhecidos, negativos (26 de Março de 2020), 4 positivos e os restantes negativos (6 de Abril de 2020), e 79 negativos e um caso inconclusivo (17 de Abril de 2020).

Recordo que dos PALOP, somos os únicos com esta clivagem e indefinições de testagem da Covid-19. Para o CSSE, São Tomé e Príncipe, tem 4 – casos Confirmados, 0 – Recuperado e 0 – Mortos.

Entretanto, no website do ministério da Saúde “ms.gov.st” Infectado – 0, Inconclusivo – 1, Examinado – 80, Mortos – 0 (23 de Abril de 2020). Tudo isto vem nos alertar para que haja investimento sério na saúde e nas instituições que produzem conhecimento, a Universidade, em particular o Instituto Superior de Ciências da Saúde, e nos laboratórios clínicos.

Perante este panorama, questiona-se: Quais são as causas da disparidade entre os resultados da Covid-19 em São Tomé e Príncipe? Será que os 4 casos positivos foram curados?

Tentando cientificamente encontrar uma resposta à primeira questão acima levantada, elaborei duas (2) hipóteses que julgo poder nos ajudar a encontrar uma possível resposta a nossa preocupação: i. Falta de capacidade de diagnóstico local; e ii. Problema na colheita, conservação e transporte das amostras, tudo isto pode ser uma realidade, mas temos que ter evidências científicas. Tal como defendeu Punch (1998, cyt in Coutinho, 2014, p. 53), “uma hipótese é uma previsão de resposta para o problema da investigação.”

Relativamente à segunda questão podemos encontrar a sua resposta, na seguinte hipótese: i. Usos de chás tradicionais com propriedades anti-sépticas, após o diagnóstico. Falando um pouco desta hipótese, podemos adiantar que durante os últimos três meses tem-se ouvido falar de chá de coentro selvagem «Sêlu Sun Zon Maia», alho, gengibre e limão.

Em suma, porque não realizarmos “Estudo sobre o consumo dos chás anti-sépticos contra a Covid-19 em São Tomé e Príncipe.” Esta investigação permitirá ter um panorama mais realista e completo do que se passa no país, para assim gerir melhor o futuro.
Fase 2. Testagem das amostras em São Tomé e Príncipe, com resultados a partir 21 de Abril.

Este período inicia-se de forma mais triste, e se quisermos muito defeituosamente, numa conferência de imprensa, ou melhor, no boletim clínico diário, onde o Ministro da Saúde, mais uma vez, aparece sozinho anunciando que foi diagnosticado três (3) casos da Covid-19, num estado já avançado, com sintomas e todos internados na “Unidade de Doenças Respiratórias do Hospital Ayres Menezes”.

Penso que o país em geral e, em particular, o Ministério da Saúde está a enfrentar “o maior teste” do século, com a pandemia de Covid-19, por isso precisamos de dar o nosso contributo, porque tudo nos indica que alguma coisa falhou na vigilância activa.

Uma vez que para Freitas, R. e Machado, G. (2020, p. xiii) vigilância activa é monitorização, por período de tempo equivalente ao limite máximo do período de incubação da doença, do aparecimento de sinais ou sintomas sugestivos do seu desenvolvimento, a fim de evitar a sua transmissão.

Neste momento, uma das muitas colaborações é encontrar respostas para diversas questões que são levantadas: O que devemos fazer, uma vez que temos três doentes internados com covid-19? Qual a situação actual e evolução epidemiológica da infecção? Esta última questão requer um estudo meticuloso da equipa epidemiológica conjuntamente com alguns académicos santomenses.

No que se refere à primeira questão, a sua resposta passaria pelas seguintes acções: i. Realizar testes rápidos para 1% da população, cerca 2100 testes; ii. Solicitar apoio de países amigos envio de especialistas em saúde pública (virologia, infecciologia, epidemiologia, etc.); e iii. Aquisição de um laboratório móvel com capacidade de realizar testes da Covid-19 em todo território nacional. Simultaneamente as anteriores acções, o Ministério deverá explicar o que é fase de Mitigação.

Segundo Freitas, G. e Machado, R. (2020), nesta fase as cadeias de transmissão da Covid-19 já se encontram estabelecidas no país, tratando-se de uma situação de epidemia/pandemia activa. Neste contexto, as medidas de contenção da doença são insuficientes e a resposta é focada na mitigação dos efeitos da Covid-19 e na diminuição da sua propagação, de forma minimizar a morbilidade e mortalidade e/ou até o surgimento de uma vacina ou novo tratamento eficaz.

Isto significa que doravante temos todos de usar máscaras, porque já existe a contaminação local. O nosso inimigo é invisível, se quiser, a melhor forma de prevenir a Covid-19, é imaginarmos que todos temos o novo coronavírus, sendo obrigatório o uso de máscaras e lavagem sempre das mãos com água e sabão, mantermos a distância de 1 a 2 metros e evitar locais com muita gente.

Em suma, o melhor é mantermo-nos confinados em casa e seguir todas as recomendações do Ministério da Saúde, face à Covid-19, não se esqueçam de visitar “ms.gov.st”.

São Tomé, 23 de Abril de 2020.

Prof. Doutor: Flávio Andrade

    11 comentários

11 comentários

  1. SANTOMÉ CU PLIXIMPE

    24 de Abril de 2020 as 7:14

    NADA DE NOVIDADES:::::::::::::::::

  2. POVOS DAS ILHAS

    24 de Abril de 2020 as 10:32

    Dr. Flávio Trindade, tem toda razão naquilo que diz.
    Os nossos Governantes, Senhores Primeiro Ministro e Ministro da Saúde, essencialmente, andaram a alimentar esperança aos Santomenses de que o VIRUS não iria chegar ao País, quando contrariamente a isso, devíamos olhar para as experiências dos outros países, organizarmo-nos a espera do VIRUS.
    Hoje os Santomenses na sua grande maioria não acredita da existência da doença no País por causa das incertezas que foram ouvindo por parte dos Governantes.
    Perdemos controlo total e deve-se dizer mesmo assim.
    Senhor Ministro da Saúde além de induzir o Primeiro Ministro ao erro, quando antes de se conhecer os resultados dos testes, mandou retirar os cidadãos de quarentena, enchendo o peito, dizendo que estão todos negativos, depois volta a dizer que existem 4 casos, depois volta a dizer que dos 80 só 1 foi inconclusivo e finalmente vem dizer que ” Não temos receio de dizer que existem 3 casos confirmados” meus Senhores num país sério, quem acredita nos governantes desse tipo.
    As pessoas mais esclarecidas sabem bem se isto tivesse acontecido em Portugal, aonde é que o Ministro da Saúde estaria.
    O VIRUS passou-nos a frente quando devia ser contrário.

    • Zagaia

      24 de Abril de 2020 as 14:25

      Povos das ilhas, covid 19,já está hâ muito tempo instalado em STP, só é triste é que as nossas autoridades governativas não façam nada e técnicos de saúde, não sejam ouvidos. Enfim, incompetência em cima de incompetência. Um bem haja á todos.

  3. Vanglega

    24 de Abril de 2020 as 11:01

    Kkkkkkkkkkk, doctor da nossa praca

  4. Universidade de Coimbra

    24 de Abril de 2020 as 13:34

    Reflexão muito vaga vindo de alguém que se escuda no título “Prof. Doutor” . Embora possa compreender que o momento excepcional em que hoje vivemos, quer ao nível nacional, quer ao nível global, retira-nos temporariamente a clareza e a lucidez auto-reflexiva. Não podemos escrever sobre tudo nem pensar sobre tudo, caso contrário, corremos o risco de sermos vítimas da nossa vaidade. Não podemos ter pressa em mostrar que não somos auto-reflexivos.

  5. Yatha Lima

    24 de Abril de 2020 as 13:52

    Excelente esclarecimentos e posicionamentos,Dr. Flávio.
    Ainda penso que os 4 primeiros casos positivos pelo laboratório do Gabão, realmente o são. Um laboratório de referência não liberaria resultados positivos sem as devidas repetições para confirmação dos mesmos. Ainda mais se tratando de uma questão de pandemia e sendo uma informação importante não só para STP, mas para a OMS e para o mundo.
    Uma vez infectado o paciente terá anticorpos pelo resto da vida. Não se sabe que tipo de análise (pelo menos eu não sei) foi realizada em Guiné Equatorial, pesquisou-se anticorpos? Ou só antígenos? Foi por PCR? IgG/IGM ?

    Importante agora cumprirmos as normas estabelecidas, cada um fazer a sua parte, pensando no bem de todos.
    Percebo que muitos ainda ignoram a seriedade da coisa. Sempre que saio na rua de máscaras, um ou outro faz chacota comigo:”ke kwá, tá com medo de que?”, “chê, qualé bobó de máscara, pá?”

    • Como será

      25 de Abril de 2020 as 17:31

      Infelizmente o nosso povo é mesmo ignorante; um povo sem nocao da coisa seria; a base tudo isto é o nivel alta taxa de analfabetismo que temos no pais, nos temos uma populacao jovem e cerca de 96% da populacao é analfabeta. Isto é outra situacao que se deve combater no pais.

  6. Prof. Doutor Convetavirus

    24 de Abril de 2020 as 16:59

    Realmente, este senhor de primeiro nome Prof e último nome Andrade não sabe escrever para um comum dos mortais. Um ser humano com alguma noção do mundo real tem que escrever para despertar o interesse de toda gente .Isto de “Segundo Freitas, G. e Machado, R. (2020….blablabla” queremos la saber. Isto é só para encher chouriço e impressionar quem nunca esteve na escola. Isto deveria ser um artigo de opinião não um artigo cientifico e com o agravante de não acrescentar nada que já não sabemos, servindo apenas para mostrar que o sr existe e mudou de nome para Prof.

    • Como será

      25 de Abril de 2020 as 17:50

      Bem verdade; stome esta viver uma situacao muito grave; o pais esta mergulhado na contaminacao comunitaria; e neste momento senhor dr professor traz proposta que ajuda o GOVERNO, e nao explanacao sobre sobre o Covid 19, o governo ja criou ai uma barafunda com os tais resultados,que so Deus; e cada vez se enrola ainda mais. A esta altura o senhor ministro da saude ja deveria saber que estamos perante uma infecca comunitaria, situacao que muitos paises lutam para que isto nao vem acontecer, e na realidade acredito que o governo tonha o tempo suficiente para criar um laboratorio de referenca para realizacao dos testes; evitaria esta situacao que ouve transportar testes para outros paises, so para fazer lembrar que stome é unico pais dos PALOP que realiza seus teste internamente; eu sou de opiniao que o ministerio da saude sem demora deveria ja começar com testagem a população. Bem haja.

  7. sem assunto

    24 de Abril de 2020 as 19:51

    Isto esta mal, se um individuo que diz ser Doutor tem estas lacunas, escreve mas não conquista o leitor, e por cima é pouco convicente no que escreve, não sei o que seria, da escrita, de um suposto leigo em letras.
    Professor Flávio Andrade, este é o seu segundo artigo que não nos diz nada, pra quando uma materia decente e digna deste titulo, veja lá que o senhor da aulas na Universidade e os seus alunos ao lerem isto, caira por terra toda a sua “posse” de academico, e quiça colocara em causa a credibilidade dos seus colegas professores.

  8. Hector Costa

    25 de Abril de 2020 as 19:57

    Muito Bem! Uma reflexão sócio-pandémica muito interessante. Pois, levante hipótese teórica para a nossa reflexão colectiva.

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