Opinião

Pensando bem… 6

Pensando bem… 6

Memento Mori…AMOR FATI

Por : Joaquim Rafael Branco

 

Afirmei em publicações anteriores a minha determinada intenção de melhorar todos dias, ser uma melhor pessoa cada dia que passa.

A razão desta postura resulta da convicção que é a minha de que neste momento da minha vida o importante é viver plenamente cada dia, o hoje, sem descurar a necessidade de planear o futuro. Mas não damos saltos para aterrar no futuro. Chegamos ao futuro concretizando cada dia os nossos planos de médio ou longo prazo. Preocuparmo-nos com as pequenas coisas, fofoquices, manifestações de ódio de gente frustrada, mesquinhices e outras que não estão sob o nosso controlo, é uma distracção, um desperdício de tempo e energia. Devemos preocupar-nos sim, com aquilo que controlamos, com a nossa vida, com a nossa saúde, com aqueles que amamos, com as contribuições positivas que fazemos à nossa comunidade, com a nossa libertação dos preconceitos, com a busca do conhecimento e do bem comum.

Memento Mori é uma expressão latina que significa “Lembre-se que vai morrer” ou”Lembre-se que é mortal”. Para muitos esta expressão pode constituir uma fixação doentia, um motivo de desânimo, até de depressão. É estranho. É estranho porque desde o nascimento a morte é uma certeza absoluta, irrevogável.

Penso que aocontrário, a certeza da morte devia suscitar em nós duas atitudes:

Uma, de desprendimento, de não nos agarrarmos demasiado às coisas materiais, a títulos, a honrarias, vãs glorias e privilégios. Tudo isso é fugaz, ilusório, efémero. Tudo isso fica quando chegar o nosso dia e, depois, mais tarde ou mais cedo, se tornará pó, como nós.

A outra atitude, devia de ser de agradecimento permanente por cada dia que vivemos, de alegria por desfrutar das coisas belas da vida todos os dias, sobretudo devia servir de motivação, para fazermos mais, fazermos melhor, dar o melhor de nós, deixar a nossa marca em cada dia, em relação a nós e em relação aos nossos próximos. E, sobretudo cultivar valores e princípios que dignificam a nossa condição humana. Isto implica abandonar crenças limitantes, preconceitos, a escravidão da ignorância e caminhar em direcção ao objectivo de sermos pessoas de bem. Numa palavra, mudar e adaptar-nos às novas realidades de um mundo em permanente mudança tentando ser uma pessoa melhor cada dia.

AMOR FATI

Deliberadamente não tenho escrito sobre política. Já o disse e escrevi repetidas vezes.

A minha carreira política chegou ao fim. Não sou candidato a nada, não busco funções ou cargos especiais. Existe vida para além da política. Sou um cidadão que gosta de participar, que não foge a desafios, disponível a colocar o que sei e a minha experiencia ao serviço da nossa comunidade. Gosto muito de trabalhar, estudar, aprender e contribuir. E escrever sobre tudo, incluindo sobre politica quando necessário.

Por isso não pude deixar de constatar que o que tenho escrito incomodou alguns.

Começaram por desejar a minha morte e da minha família numa inventada viagem para me tratar fora do país, no preciso momento que trabalhava 12/14 horas diariamente.

Outros ainda me ordenaram que parasse de escrever!!? Como se tivessem poder para tal. Faz pensar. Porque se tivessem poder, como já tiveram, faziam-me mesmo parar de escrever?

Foi neste contexto que me lembrei de uma frase de Nietzsche “Amor Fati”, que pode significar amor do destino ou aceitação integral da vida e do destino humano mesmo em seus aspectos mais cruéis e dolorosos. É mesmo uma simplificação porque o conceito é mais complexo.

Numa das suas obras, Nietzsche escreve: “ Minha fórmula para a grandeza do Homem é amor fati: não querer nada de outro modo, nem para diante nem para trás, nem em toda a eternidade. Não meramente suportar o necessário e menos dissimula-lo …  mas amá-lo.

Por isso não fico incomodado com o ódio manifestado, as falsas acusações ou os insultos que me são dirigidos quando expresso sentimentos íntimos. Eu escrevo porque penso. Desejo ardentemente que outros escrevam, talvez comecem a pensar, embora creia que o ódio, que cega, os impeça de pensar.

Vou continuar a escrever e pensar, porque como diz o autor citado acima numa outra obra, “Negar os negadores é uma formar de afirmar. Por isso a luta também faz parte deste amor, não se pode apenas entender que existem paradoxos e contradições, é necessário amá-los. Não o antagonismo brutal, mas o jogo. Devemos amar a luta, a revolta, a insubmissão”.

Conheço e assumo os meus males, limitações e fragilidades. São parte do meu programa de mudança permanente. Eu quero ser melhor amanhã do que sou hoje. Diria, é parte do meu destino. Amor fati. Mas eu conheço-me razoavelmente bem. Por isso nego a versão dos negadores que querem negar partes de mim apesar de a conhecerem ou de a desconhecerem total ou parcialmente.

Por isso, rejeito a narrativa construída insidiosamente para fazer crer que a minha vida se resume aos momentos distintos, em que exerci cargos governamentais no país. Esquecem-se deliberadamente de 13 anos de trabalho fora de São Tomé e Príncipe, nos Estados Unidos e em Lisboa, donde saí, não por vontade própria, mas a pedido das mais altas autoridades do país. Esquecem-se que cada vez que deixei funções governamentais não abandonei o país, mas aqui fiquei exercendo funções técnicas ou trabalhando por conta própria.

Talvez não saibam que por duas vezes abandonei os cargos para ir estudar porque sentia que tinha chegado aos meus limites. Não sabem como o exercício do poder é violento, destruidor, sufocante e solitário no sentido profundo do termo, num país onde a ausência de regras torna o subjectivismo uma constante, o voluntarismo uma necessidade quase permanente, e a impunidade um problema crónico. Num país de recursos mínimos, como o nossos,  ser ministro das Finanças, num contexto como fui chamado a exercer foi violento, dilacerante e solitário.

Desiludi colegas e chefes, decisões de vida e morte foram tomadas, quando, por exemplo, a simples autorização de uma junta de saúde para o exterior tinha de ser tomada na ausência de recursos e de critérios objectivos e transparentes. Quem, por exemplo, devia ter prioridade quando as verbas para juntas de saúde para o exterior estavam esgotadas? A mesma falta de recursos e critérios subjectivos criaram o incidente, após o primeiro de dois golpes de Estado em que fui vítima que levou ao meu sequestro por um militar que me apontou uma arma à cabeça durante 4 horas. Esta experiência curta de Ministro das Finanças levou-me a abandonar um cargo pela 2ª vez e partir para uma formação que mudou totalmente a minha perspectiva sobre políticas públicas e sobre liderança. Coisas más podem dar lugar a coisas boas! É o destino? Temos de aceitar o que nos acontece e lutar para mudá-lo. Amor Fati.

A narrativa que fazem da minha vida ignora factos que me enchem de orgulho. Estudar foi sempre uma obsessão. Não só estudar, mas estar sempre entre os melhores.

O meu foco sempre esteve na saída da minha condição de pobreza e o estudo e trabalho duro permitiram-me, antes do país se tornar independente, constituir uma família, ter uma vida digna e comprar uma residência no Bairro da Caixa. Alguns outros da minha geração também o conseguiram, outros não. Porquê?

Estive sempre presente e activo nas grandes lutas do nosso país: pela independência, pela abertura democrática, contra tentações totalitárias. Sempre de peito aberto e coração cheio de esperança.

Coisas mal feitas, erros certamente existiram. Só não erra quem não faz. Corrupção? Apenas acusações de adversários do meu próprio partido insatisfeitos ou com agendas particulares. Nunca houve uma queixa que fosse apresentada aos Tribunais. Na lista das minhas despesas, os gastos com formação estão em segundo lugar, foi o estudo que me tirou da pobreza, foi o estudo que sempre me abriu novos horizontes e me permitiu adaptar às novas exigências do mundo.

Esta é a narrativa que me interessa. Ela foi construída por mim. Por isso quero que saibam. Vou continuar por aqui. A trabalhar para contribuir sempre que as circunstâncias o permitam. Não preciso de títulos, cargos ou distinções. Servir apenas. Da melhor maneira que puder. Vou continuar a escrever e a aprender. Todos os dias, para ser amanhã melhor pessoa que sou hoje. Nem que seja um pouquinho cada dia. Aceito o que acontece, mas isso não exclui a minha responsabilidade de continuar seguindo em frente. Aceitar que algo aconteceu não me transforma em vítima do destino.

Amor fati é isso mesmo. Entender que as coisas boas e ruins acontecem e manter uma atitude serena enquanto caminhamos entre espinhos e flores. Eu sou um romântico. Prefiro flores mas, aprendi no caminho da vida que a rosa mais bonita tem espinhos.

    12 comentários

12 comentários

  1. Convetavirus

    17 de Junho de 2020 as 18:41

    O senhor já tem idade e deveria, também ter a maturidade suficiente para não andar a se preocupar com “disse cu disse”, a não ser que tenha o rabo preso. Tenha cometido algum pecado e agora está com receio de ser apanhado. Sinceramente, não estou a ver o motivo de estar a agora a fazer estes escritos todos……

    • Inconformado

      18 de Junho de 2020 as 21:14

      Todos têm o direito de defender a sua honra.

  2. Buzio

    17 de Junho de 2020 as 18:42

    E já agora o que é Operi Morri?

    • Como será

      25 de Junho de 2020 as 21:28

      Se o sr pensando diz que um vamos morrer, ok tudo bem ” é biblico de pó viras e de pó voltarás” entao porquê desviarem as verbas do pais para o vosso interesse pessoal, mergulharam o pais numa situacao de extrema pobreza inrequecem cada vez mais, quando morrer tudo ficara. Seria ideal o sr pensando bem pedir so desculpa a este POVO, a paz que procuras teras se for humilde, deixar de rodeios monte de bla.bla.

  3. sem assunto

    17 de Junho de 2020 as 18:55

    Essá sunguê.
    Não busca cargos e nem quer destaque quem esta até pescoço mergulhado no afap, quem faz parte de comissão de gestão dos 12 milhões, entre outros corresdores que são sabemos e que ainda poderão vir.
    Palavras ao vento, Rafael Branco, é isto que andas por aqui a fazer, poesias declamadas para o surdo.
    Amor Fati, Memento Mori entre outras bagatelas, pra quando uma expressão em Lingala pu Suaíli ?
    Exibindo sapiciência alheia, olhe para a tua ascentralidade, Maat, Isis, Iris Osiris, Exu, Orixas, embriaga te da mitologia e principio de saber negro, emancipa te da escravidão mental!

  4. Dádiva

    17 de Junho de 2020 as 22:33

    Credo…….Sempre a pensar bem?, de novo? que teimosia. Não tenho nenhuma vontade em ler certos absurdos.

  5. kundublabu

    17 de Junho de 2020 as 22:52

    Insistente pateta alegre.

  6. sem assunto

    18 de Junho de 2020 as 6:44

    Lingala ou Suaíli, pretendia escrever.

  7. Vanplega

    18 de Junho de 2020 as 10:46

    Pagas tua culpa sozinho. Depois de velho e que procuras ser uma pessoa melhor!

    Tem ca uma lata. Talvez a conciencia ti morde, mais homem, o que ti impede de pedir perdao a esse povo.

    O Rafael, bem da agua, agua leva.

    Chega e diz, Povo de Sao Tome e Principe, eu Rafael B, peco perdao, por vos ter roubado

    E pronto, esta feito, depois disse, vou repor o que roubei

  8. Macalacata

    18 de Junho de 2020 as 13:41

    Oh….. Vai è dar banho a ovelha.
    Ès um sanguesuga que roubou o paìs perdeu lugar dentro da tua elite de corupçao MLSTP depois fundaste um partido que foi um fracasso.
    Com isto ficaste fustrado e arumado no escritor de meia tijela.
    Vai è para o inferno. Rafael Branco è sinonimo de comida azedado.
    Fui

  9. Fuba cu bixo

    18 de Junho de 2020 as 15:45

    O bom disto tudo é que como o senhor escreveu “quando se morre não se leva nada quem não lhe conhece é que lhe compra senhor corrupto açambarcador de coisa pública.
    Agora com o seu partido e sua elite no poder o senhor mas o camarada Posser da Costa faz parte de uma comissão de fachada que evaporou 12 milhões em um mês.

  10. Ôssobô

    23 de Junho de 2020 as 12:30

    Agora é tempo de se retratar, dando possibilidades aos jovens de se poderem singrar. O país agradece todos os vossos esforços e perdoa as vossas imensas falhas, traições e incompetências.

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