Opinião

45 anos e agora? Definir prioridades, precisa-se

Esta é a nossaúltima reflexão da série “45 anos e agora?” que nos propusemos apresentar aos são-tomenses.

Dos “n” problemas e demandas que STP tem vindo a confrontar nos últimos 45 anos, do nosso ponto de vista, o que mais trava o país tem sido a falta de capacidade dos nossos governantes definirem a prioridade e a capacidade de implementá-la. Certa vez, numa sessão parlamentar um primeiro-ministro disse “num país como STP, onde a pobreza é extrema, tudo é prioridade”. O que aquele governante não sabia, é que “quanto mais pobre fores, mais você precisarádefinir prioridades”.

Vários autores de livros de liderança e administração são unânimes em afirmarem que se você e sua empresa quiserematingir sucesso, deve definir prioridades e isto aplica inclusive aos países, não importando o seu nível de desenvolvimento. Não é em vão, que se tem Programa de Governo, Grandes Opções do Plano, Plano de Desenvolvimento, etc., etc. Tudo isso visando definir prioridades, mas sabemos que não basta definir prioridades, é preciso termos a coragem de executá-la.

Acontece que infelizmente, para a nossa tristeza, os governantes são-tomenses não têm sido capazes de definir prioridades e pior, não têm sido capazes de materializar aquilo que dizem priorizar. Deste modo, acabam por implementar coisas que não encontram programadas nem planificadas nos documentos referidos acima. Reconhecemos que as prioridades variam com o tempo e circunstância, pelo que a sua implementação depende e muito de quem lidera.

Os governantes precisam deixar claro para a população, onde estamos e aonde pretendemos chegar dentro de 5, 10, 15 ou 20 anos, ou seja, precisam definir as prioridades. O país, a população, o povo, o “zé-povinho”, o “povo pequeno” precisa saber para onde os governantes vão nos levar. Não precisamos ouvir eternas “ladainhas”, nem eternas acusações que fez ou que deixou de ser feito. Passaram 45 anos, importa agora definir as prioridades, importa materializá-las.

Aprendemos na universidade que para a elaboração de um trabalho científico, o pesquisador deve elaborar no mínimo três objetivos gerais e para cada um objetivo geral, deve elaborar três objetivos específicos. Outrossim, entendemos que para STP precisamos definir apenas três prioridades principais e para cada uma das três prioridades principais, precisamos definir três prioridades específicas.

Para nós, as prioridades principais para STP devem ser: 1. Educação, 2. Pesca e 3. Turismo. Destas três prioridades principais, na educação (prioridade 1) deve-se traçar três prioridades específicas a saber: 1. construir escolas, 2. Formar e capacitar os professores e 3. Massificar e qualificar o ensino. Na prioridade principal 2. Pesca, as três prioridades específicas seriam: 1. Melhorar os tipos de embarcações usadas na captura de pescado, 2. Industrializar o sector de pesca, 3. Definirépocas e áreas para pesca de determinados peixes.A prioridade 3. Turismo, teriam como prioridades específicas: 1. saúde, 2. Água e energia e 3.agricultura.

Porquê educação como prioridade principal. Porque não se constrói um país sem investir na educação. Cerca de 70% da população de STP é jovem e nos próximos 30 anos o país continuará sendo um país jovem. Daí que, uma aposta séria deverá ser dada a infra-estruturação do sector educativo, construindo escolas e salas de aulas, em todas as localidades, massificando o acesso ao ensino-aprendizagem, ao ensino profissional, ao ensino liceal e as universidades. Para realização desse desiderato, o país poderá contar com apoio das empresas petrolíferas no âmbito da sua responsabilidade social.

Não basta construir escolas e salas de aulas, é preciso formar e capacitar os professores a todos os níveis, sobretudo nas áreas que permitem galvanizar o sector económico, diminuindo a dependência externa e criando as bases para que o país seja transformado no centro de prestação de serviço na região do Golfo da Guiné.

A terceira prioridade específica da educação (massificar e qualificar o ensino) resulta da conjugação das duas primeiras. Pois, quando construirmos escolas por todo o país, formamos e capacitamos os professores, um ensino de qualidade estará ao alcance de todos os cidadãos.

Referimos no artigo anterior e importa frisar novamente, que STP possui um território marítimo 160 vezes superior ao território terrestre, pelo que entendemos que temos de olhar para o mar como fonte de novas oportunidades e reconhecer a importância do mar para crescimento da economia e fazer prosperar o país, aproveitando assim o privilégio da sua localização.Precisamos dar uma atenção particular ao sector de pesca, adquirindo embarcações de qualidade (navios pesqueiros) – deixando de abater árvores para o efeito – , industrializar o sector pesqueiro e identificar épocas e locais para pesca.

Por fim, a terceira prioridade principal é o turismo. O COVID-19 veio provar a todos nós que não se pode falar de turismo sem uma aposta na saúde. Se pretendemos transformar STP num centro de prestação de serviço na região do Golfo da Guiné, se quisermos atingir a marca de pelo menos 100 mil turistas anuais antes de 2030, teremos que necessariamente investir no sector da saúde de modo a poder transmitir a confiança aos turistas que desejam passar férias no nosso país.

Não se pode falar em turismo, sem o fornecimento de água e energia de qualidade. A má qualidade de energia e a falta de água nas torneiras, encarece demasiadamente a diária nos hotéis e instâncias turísticas, sem referir que complica a vida de todos os que cá vivem. Assim sendo, a segunda prioridade específica desta prioridade principal passa pela produção de energia de qualidade e fornecimento de água a todo o país.

Consideramos a agricultura comouma prioridade específica na aposta que se deve fazer no turismo. É preciso que os que escolhem visitar STP consumam os produtos locais. Para que isso possa acontecer, estamos obrigados a aumentar a produção local, ela tem que ser diferenciada (orgânica) de modo que, os que cá venham, possa vir também pela nossa alimentação.

Acreditamos que se o Estado são-tomense implementar estas três prioridades principais (1. educação, 2. pesca e 3. turismo), bem como as três prioridades específicas de cada uma das três principais, em menos de dez anos, STP não será mais o mesmo.

Não podemos nos esquecer, que qualquer uma destas prioridades tem uma ligação intrínseca com outra. Por exemplo, quando investirmos na educação, estaríamos criando as condições para qualificação do pessoal da saúde, do sector turístico, da agricultura, etc., etc. Ao investirmos no turismo, sobretudo melhorando o fornecimento de água e energia, não estaríamos apenas criando condições para os hotéis e instâncias turísticas mas para toda a população. Ao investirmos nas pescas, não apenas as comunidades piscatórias sairiam a ganhar, mas todo o país. Essas prioridades traduziriam um efeito dominó em todo a economia.

Salustino David S. Andrade, Ph.D. em Ciência Jurídica e em Direito

Consultor Jurídico e Professor Universitário

    8 comentários

8 comentários

  1. Seabra

    22 de Julho de 2020 as 0:38

    Em 45 anos , STP /MLSTP formou muitos quadros em todo o país, que deviam ter tomado a FRENTE para dirigir o país na boa vía do progresso. O relevo para o bom desenvolvimento do país, era suposta pelos jovens da JOTA MLSTP, que finalmente se tornaram os piores INIMIGOS de STP, os TRAIÇOEIROS da República, aqueles pilantras, safados de oportunistas, calculistas, interesseiros cujos os mais PERIGOSOS foram o Gabriel Arcanjo Ferreira da Costa e o Afonso da Graça Varela…e uns tantos outros.
    Mas estes dois individuos, juntaram -se com o destruidor , a rancorosa família TROVOADA para DEITAR com o MLSTP no chão.
    A responsabilidade do não PROGRESSO do país , deve-se sobretudo à geração da PÓS independência (à partir de 50 anos para cima ). A geração da luta clandestina fez a sua parte, o resto cabia aos mais jovens formados (bolseiros do Estado )e o povo de tomarem o relevo, porque os outros iam envelhicendo. Devia ser assim…responsável da situação de STP são todos os sãotomenses (os que votam e os que governam ).

  2. ARLINDO GOMES

    22 de Julho de 2020 as 7:47

    Reflexão meritória de congratulação.
    NA minha humilde opinião,
    PENSO QUE FALTOU NA SUA PRIORIDADE, DEFESA E SEGURANÇA E JUSTIÇA.

  3. Victorino Andre

    22 de Julho de 2020 as 10:10

    Boa visão é tudo certo
    Com este projecto sao tome ira a a frente
    Podes apresentar a tua candidatura pra proximo governo

  4. Como será

    22 de Julho de 2020 as 17:35

    Certissimo mano, como disseste nao basta so traçar prioridades sem a sua implementação, planos mais planos sempre a ser esquecido no papel, a fila nao anda.Gostei deste artigo. O governo deveria analisar estas idéias do cidadão , acho que ajudaria muito no plano direcionado dos projectos para desenvolvimento de stome.

  5. Xavier

    22 de Julho de 2020 as 20:28

    Esquece uma grande prioridade, decerto a primeira, a essência de todas: a SAÚDE!

    • Pascoal Carvalho

      22 de Julho de 2020 as 23:01

      concordo cntg.

  6. Pascoal Carvalho

    22 de Julho de 2020 as 23:06

    é de todo uma reflexão merecedora de rasgados elogios, dada a atractividade e o esclarecimento.
    subscrevendo a sua explanação, daria prioridade 1 a SAÚDE 2 a EDUCAÇÃO 3 a SOCIEDADE, seguindo esta ordem.

  7. Pemadosa

    23 de Julho de 2020 as 7:44

    Este artigo superou os dois anteriores. Parabéns. Continue escrevendo.São Tomé Príncipe agradece pela reflexão.

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