Opinião

O sector agro pecuário e algumas preocupações antigas  

Neste sector tem havido muitos sucessos nos diferentes domínios, o que é relevante. Entretanto, é preciso conhecer-se os resultados numericamente. Tem sido difícil obter dados sobre a diversidade da produção nacional. Esta situação, que ainda se verifica recentemente, tem dificultado a realização de trabalhos relacionados com o meio rural.

Isto constitui uma grande fragilidade de São Tomé e Príncipe. Consequentemente é um entrave ao crescimento.

Informações estatísticas (devidamente registadas e analisadas) são importantes, aliás, são parâmetros indispensáveis para as acções rumo ao cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Esses conhecimentos sobre a produção dão sinais sobre o nível de segurança alimentar, a evolução do mundo rural e do estado de desenvolvimento do país.

É de salientar, que tem havido vários programas para apoiar actividades nesse sentido. Entretanto, ainda é difícil quantificar e conhecer oportunamente o total da produção agropecuária nacional. Há que aproveitar os projectos em curso e apropriarem-se, pois são boas oportunidades para impulsionar o sector. E também, é importante que as equipas de trabalho funcionem.

Essa ausência, de anotação de notícias estatísticas, (que eram e são pontualmente ultrapassadas com a recolha de informações no terreno) suscitou sempre reflexões e propostas ao longo de décadas, em diálogos, relatórios e também como se ilustra na opinião publicada no dia 26 de Janeiro de 2008, no Jornal Correio da Semana, a seguir reeditada. Cópia desse artigo foi entregue, em 2019 à Direcção do Ministério da Agricultura, Pesca e do Desenvolvimento Rural. E igualmente, a alguns Técnicos desse Ministério. Possivelmente essa actuação foi um estímulo, entre outros, claro, para a definição de algumas das actividades que começaram a ser realizadas no segundo semestre de 2020.

Esta reedição do artigo de opinião, além de ser uma informação para todos sobre algumas das preocupações e dos esforços dos anos anteriores, é um incentivo para ajudar à concretizar os trabalhos com metodologias participativas e que perdurem, com as devidas atualizações periódicas. Portanto, que se crie um sistema de registo. 

««« Quanto produzimos? Como estão as estatísticas nacionais? (26 de Janeiro de 2008)

A existência de dados estatísticos (correctamente utlizados) principalmente os referentes à agro-pecuária entre outros e o fluxo dos diferentes produtos, também contribuem para a redução da pobreza.

Portanto, a sua recolha e de outras informações gerais sobre a produção são indispensáveis para conhecer-se o nível da pobreza. E igualmente, definir-se metas e estratégias para o seu combate, ou seja, para o desenvolvimento.

Por que não aproveitar as boas condições naturais de São Tomé e Príncipe e para além de relançar a produção (que felicitamos vivamente), concretizar outras actividades primordiais necessárias para melhorar as condições de vida da população. Acções essas, como a recolha de dados, a consolidação e a análise da produção nacional e de outros parâmetros essenciais para o seguimento da evolução das situações de precariedade.

Essas informações, certamente, ajudarão a traçar orientações oportunas para melhorar o curso das produções e todo o sistema. Isso será consequentemente, um passo importante para o desenvolvimento sustentável do País. Existem alguns dados disponíveis, é verdade. Mas quanto é que o país produz, em que zonas e quanto é possível produzir? Quanto e o que precisamos, para melhorar o sistema de produção e contribuir para a segurança alimentar? Que informações temos sobre as estatísticas preliminares referentes às questões ambientais, que podem ser colhidas no local de produção que ajudam imenso os produtores?

A falta desses dados referentes ao sector produtivo não revela a situação real do país.

Através de uma visão transversal de estratégias nacionais e de documentos orientadores existentes, verifica-se que uma das recomendações que constam nos referidos documentos é a necessidade da existência de dados estatísticos do país actuais e fiáveis.

Para que haja informações, bases seguras para conhecer-se melhor o sector produtivo, traçar directrizes e definir estratégias de desenvolvimento a diversos níveis e mesmo, para relançar e acompanhar a produção nacional nos diferentes sectores, é imprescindível que se saiba o nível actual dessa produção, bem como a sua flutuação.

A definição de indicadores para o devido seguimento das actividades em curso, bem como das previstas, no contexto das acções da aplicação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza, rumo ao desenvolvimento sustentável também é imprescindível.

É difícil definir metas, perspectivas futuras, em relação ao sector alimentar e não só, prevenir contra as mudanças climáticas e outros factores relacionados com o desenvolvimento, sem saber o que, quanto e em que condições se produz, bem como outros dados fundamentais que normalmente devem ser incluídos nos programas de trabalhos e nos documentos estratégicos.

Como é possível fazer-se um balanço das produções, prosseguir contactos com os parceiros nacionais e internacionais de desenvolvimento nos diferentes domínios, se as referências essenciais não estiverem actualizadas e disponíveis?

A parceria e a coordenação com o Instituto Nacional de Estatística devem ser aspectos a ter em conta, para que os dados finais sejam os mais próximos da realidade.

Aliás, a orientação desse Instituto deve ser fundamental, principalmente para que a recolha, o registo e a análise sejam correctos. Por outro lado, a formação contínua deve estar sempre presente. A colaboração no terreno com todos os produtores e os diferentes intervenientes é obrigatória para que os resultados esperados sejam atingidos. Deve haver uma boa interação. Para tal, há que aplicar medidas previamente definidas para o efeito, com métodos apropriados e participativos. Os aspectos transversais para o acompanhamento, não devem ser esquecidos, de maneira que quem produz e quem directa ou indirectamente faça parte do sector se sinta participante e beneficiário dessa actividade.

Os produtores sabem a quantidade que produzem, naturalmente. Eles são heróis, pois, por vezes com vias de acesso difíceis ou mesmo inexistentes abastecem os mercados.

Mas a Entidade Nacional, o Sector Nacional Responsável sabe, conhece o total da produção do País em relação aos diferentes produtos?

Há que aproveitar as acções em curso, as previstas e as possíveis fontes de colaboração internas e externas e em paralelo introduzir nas actividades a recolha de informações. E, consequentemente realizá-la. Vale sempre a pena! Assim, será mais um contributo para que o Sector Produtivo e as Estatísticas nacionais estejam mais completos. Quem sabe, poderá também servir para uma possível actualização, aplicação e o seguimento real da Redução da Pobreza. E ser verdadeiramente uma das muitas alavancas necessárias para o desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe.»» Janeiro de 2008»»

Que os Esforços continuem.

Graça Viegas, Engenheira Agrónoma, São Tomé.

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