Opinião

FLÁ VÓN VÓN : O país em voz alta

FLÁ VÓN VÓN

O país em voz alta
Rubrica semanal de comentário público – aos domingos

O que é o Flá Vón Vón?

Uma crónica de domingo. Um gesto de atenção.
Aqui revemos o que marcou a semana na vida pública são-tomense, com o olhar de quem se recusa a habituar-se à indiferença generalizada.
A política, a justiça, a cidadania — comentadas com seriedade, afeto e um pouco de ironia.
 Porque o país precisa de escuta — mas também de voz.

Edição de 19/05/2025


 1. Marcha contra o abuso sexual – grito ou encenação?

O “grito nacional” revelou-se uma encenação.
Alunos desviados das aulas, levados à praça — sem consulta, sem preparação, sem sociedade civil.
 Um desfile para selfie, não uma ação para mudar.
O Estado confundiu barulho com compromisso.
Estamos com as vítimas — ou com a vergonha que encena mas não transforma?

2. Caso Miques João – Justiça ou desconfiança?

Presunção de inocência e solidariedade com a vítima não se excluem.
Mas o Ministério Público terá cedido à pressão mediática?
Prisão precipitada, contradições no processo… resultado? Desconfiança.
 Quem foi à rua não foi defender abusadores. Foi defender uma justiça que não se deixe usar — nem intimidar.

3. Presidente e o fato de treino

No dia das mortes no quartel, o Presidente veio garantir que não usava fato de treino.
É essa a resposta que esperamos de um Chefe de Estado?
Dois anos depois, sem julgamento, Carlos Vila Nova oferece suspense — não liderança.
 Está na hora de conduzir o processo com verdade e seriedade. Sem rodapés.
 Lê a versão completa para mais detalhes.

4. Celiza de Deus Lima renuncia

Uma das mentes mais brilhantes do Direito nacional abandona o Conselho de Estado — em silêncio.
 Sai por ética ou por esgotamento?
A sua saída é um sinal sobre a fragilidade do próprio Conselho.
Registámos ambiguidade no seu posicionamento público — mas desejamos-lhe tudo de bom.
 Que não saia de cena. O país ainda precisa dela.

5. Subvenção ao transporte marítimo para o Príncipe

Boa notícia? Sim.
Mas chega tarde. E não resolve o problema de fundo.
O Governo central substitui o que a autonomia devia garantir.
 Se a autonomia não serve para garantir o essencial… serve para quê?

6. Portugal quer deportar 18 mil migrantes

Depois de usar corpos para suprir a sua economia, Portugal quer “limpar a casa”.
 18 mil pessoas — úteis ontem, descartáveis hoje.
Não é só injusto. É hipócrita.
E nós, santomenses aqui e lá, vamos ficar calados? Ou vamos fazer-nos ouvir?

7. MLSTP quer rever contratos

Agora o MLSTP quer rever contratos da EMAE e do aeroporto.
Mas quem aprovou, negociou e validou ainda por aí anda.
 Mudaram-se alguns protagonistas — mas o enredo mantém-se.
Se há cláusulas lesivas, que se mostrem.
 E a sindicância internacional prometida?

8. Eleições em Portugal – o fim da velha dança

Notícia de última hora: nas eleições legislativas antecipadas, o Chega igualou o PS em mandatos.
A velha bipolaridade desfez-se.
As pessoas cansaram-se da política de aldrabices, dos protagonistas reciclados e da falta de vergonha.
A democracia portuguesa continua viva — mas gravemente doente.
 Todos os países com “alternância sem mudança” estão na fila.

Crónica de Luíselio S. Pinto
 Publicado aos domingos
 Versão completa: flavonvon.substack.com
 Contacto: flavonvon@gmail.com

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