FLÁ VÓN VÓN
O país em voz alta
Rubrica semanal de comentário público – aos domingos
O que é o Flá Vón Vón ?
Uma crônica de domingo. Um gesto de atenção.
Aqui revelamos o que marcou uma semana na vida pública-tomense, com o olhar de quem se recusa a habituar-se à indiferença generalizada.
A política, a justiça, a cidadania — comentadas com seriedade, afeto e um pouco de ironia.Porque o país precisa de escuta — mas também de voz.
Edição de 25/05/2025
Jubilação de Silva Cravid – fim de ciclo com peso simbólico
Silva Cravid deixou a presidência do Supremo Tribunal de Justiça por jubilação voluntária. Um gesto que deve ser reconhecido, mas que também convida à análise crítica do seu percurso. Para muitos, Cravid simbolizou tanta estabilidade como a opacidade que marcou anos de desconfiança na Justiça.
Agora, a escolha do novo presidente pode ser mais do que substituições: pode ser o início de um novo tempo. Que se abra espaço à competência, à integridade e à coragem de romper com modelos falhados. A justiça não se reforma por simpatia — reforma-se por exigência.
Suspensão de Genivaldo Nascimento – e silêncio institucional
O jornalista Genivaldo Nascimento foi suspenso das suas funções na TVS por ter participado, como cidadão, numa manifestação. A suspensão levanta questões constitucionais e éticas: pode-se penalizar alguém por exercer um direito fundamental fora do horário laboral?
O mais grave, porém, é o silêncio do Ministro da Comunicação Social. Um caso desta natureza comunicado esclarecimento imediato e firmeza institucional — não omissão.
Deputados ajustam estatutos – e desapertam o cinto só para si
A Assembleia Nacional aprovou a quinta alteração dos seus estatutos, garantindo mais benefícios aos seus membros: autorizados de impostos na importação de viaturas, passaportes vitais para familiares e outros privilégios.
Tudo isso num país em crise econômica e com serviços públicos em colapso. O Parlamento, que devia exigir contas ao Executivo, parece agora mais interessado em copiar os seus vícios. A política como autoproteção continua.
Sala para escuta de vítimas – importante, mas ainda insuficiente
Foi inaugurada uma sala de audição para vítimas de violência sexual. É um passo — importante e simbólico. Mas não pode ser tudo.
Sem uma resposta estruturada, com educação preventiva, protocolos funcionais, redes comunitárias e justiça célere, continuaremos a fingir que nos importamos — quando, na verdade, evitamos ir ao fundo da questão.
Fórum sobre biodiversidade – e a realidade a arder
Não pude estar presente no Fórum sobre Biodiversidade — não sabia, simplesmente. Em plena era digital, continuamos a viver sob uma lógica primitiva de comunicação institucional, onde só participa quem está “dentro do circuito”.
Mas o problema é maior. As colinas de Monte Café estão a ficar carecas. Os rios estão secos. O país que se orgulha do rótulo de “biosfera” está, na prática, a destruir-se. precisamos de políticas reais — não apenas painéis de conferência.
Família em debate – e as expostas com coragem
Assisti a uma mesa redonda sobre a família na Igreja da Trindade. Ouvimos mães e pais falarem com verdade: sobre abandono, emigração juvenil, triangulações afetivas, violência doméstica.
As perguntas que surgiram foram desconcertantes: “Ter duas mulheres significa ter duas famílias?” — e ninguém soube responder. O que ficou claro é que as feridas da família santomense estão abertas. E o Estado parece ausente da urgência de como tratar.
Procultura – quando portas se fecham e as perguntas ficam sem resposta
Fui co-beneficiário do Procultura como produtor do documentário Vozes d’Obô . Mas também fui autor de uma crítica pública ao programa, levantando dúvidas sobre os critérios, a transparência e os resultados. Nunca recebi resposta. Nem formal, nem informal.
Mais recentemente, soube do encerramento da fase atual do programa — e, ao tentar participar, fui dissuadido: era à porta fechada. Fica a sensação de que os recursos circulam, mas o debate não. E que o Procultura sirva mais para cumprir os relatórios do que para servir aos criadores locais.
Pós-nota – Dia de África
Ontem, 25 de Maio, assinalou-se mais um Dia de África .
Dados simbólicos, tantas vezes celebrados com discursos… e esquecidos nas decisões.
Este continente, que tem sido fonte, fardo, promessa e cicatriza, continua a ser — acima de tudo — o espaço onde se joga o nosso futuro comum .África não precisa apenas de homenagens — precisa de respeito, justiça histórica, liberdade real e uma nova geração de líderes e cidadãos que recusam a miséria como destino.
São Tomé e Príncipe faz parte dessa história — e dessa esperança.
Que o Dia de África nos regista que a dignidade não é um prémio: é um ponto de partida .
Leia a versão completa aqui:
https://flavonvon.substack.com/p/fla-von-von-o-pais-em-voz-alta-aa6
Versão completa: prefere o formato PDF? Sabre Faça-nos.
Fim da Edição
Esta edição do Flá Vón Vón fecha com um apelo simples:
não deixemos os temas da semana se perderem sem ruído.
Se o país está distraído, a cidadania tem de estar atenta.Voltaremos na próxima semana.
Aos domingos. Com atenção.
Apoio ao público:
Se forem divulgados eventos culturais, sessões públicas, programas úteis, fóruns de cidadania ou qualquer iniciativa que mereça destaque — partilha connosco . Estamos a preparar uma nova rubrica chamada “Agenda Cultural e Útil do FVV” e queremos que ela seja feita com a ajuda da comunidade.Crónica de Luísélio S. PintoContato: flavonvon@gmail.com
Mensageiro: Flá Vón Vón – O país em voz alta
https://flavonvon.substack.com
FLÁ VÓN VÓN
O que é o Flá Vón Vón ?
Porque o país precisa de escuta — mas também de voz.
Edição de 25/05/2025
Sala para escuta de vítimas – importante, mas ainda insuficiente
Pós-nota – Dia de África
Leia a versão completa aqui:
Fim da Edição
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