Opinião

Escaramuça partidária e inquietude presidencial à humilhação portuguesa de Talude

Sincera mente!

Na terra de bebedeira pública e cegueira política, coincidindo com a gravana festiva, a escaramuça partidária, no seio de ADI, no poder, em São Tomé e Príncipe, com as consequências inevitáveis, na turbulência do Estado, jamais deveria ser inserida nos pequenos deslizes de circunstância. Pior!

Quando menos ninguém imaginava na democracia -, fraqueza do poder, reflexo negativo na oposição – sob o efeito da bagunça passional, em plena celebração, meio século, de 12 de Julho, alguns membros da Comissão Política do MLSTP, tarde demais, mexeram bunda jeitosa de sonolência na sombra de Riboque. Contagiados pelo vexame institucional, apesar de teto de vidros de alguns dos ilustres, de imediato, pediram a cabeça da liderança do partido. Natural!

Os rumores, postos a circular, associam a censurável postura do presidente da República, Carlos Vila Nova, no dia 11, contagiante ao 1º Ministro, Américo Ramos, ao facto da presidente parlamentar, na missão oficial à Cabo Verde, na semana anterior, na alta representação do país e povo, na celebração dos 50 anos de soberania das ilhas de “Morabeza”, no passado dia 5 de Julho, ter prestado frete político desonesto, ao presidente do partido, quem no estrangeiro, propositado e abusivo, continua a comandar a agenda política, económica e social do país. Que desonestidade!?

Celmira Sacramento, acompanhada de uma alta delegação dos conselheiros de ADI – Abnilde d’Oliveira, vice-presidente da Assembleia Nacional; Nito de Abreu, vice-líder da bancada parlamentar e Secretário partidário de Água Grande; Paulo Bacuda, presidente da Câmara de Cantagalo e Alexandre Guadalupe, porta-voz do partido – de passagem por Portugal, no eventual destino a Cabo Verde e Moçambique ou outra justificação subsidiada pelo tesouro público, levaram merendas pessoais, beijocas dos simpatizantes, militantes e da cúpula partidária, residentes nas ilhas, ao líder, o foragido deputado, postando o testemunho, isto é, a fotografia da cumplicidade, nas redes sociais, para o mal-estar presidencial.

Só pode ser falsa questão política, alimentada pela desonestidade partidária, desorientação institucional e pelo retrocesso da democracia, no Estado de Direito, já que o encontro, em Portugal, não deveria interferir na agenda do Estado. Mais. Nem tão pouco, disseminar ciúme presidencial e executivo, por parte de Vila Nova e Américo Ramos, na medida em que “cantxim di cama”, ou seja, a obediência da parceira, bastante ovacionada na tradição, há muito que, abastada de patamares de dignificação intelectual e profissional, vem sendo opção feminina, contrariando a antiga imposição masculina.

Pela primeira vez, após as felicitações aquando da eleição, em 2022, ao nobre cargo, confesso palmas públicas à senhora presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento. Em linha com a Conferência de Líderes, testemunhada por Nito Abreu, vice-líder da bancada de ADI, Raul Cardoso, líder da bancada do MLSTP e Beatriz Azevedo, líder da bancada do MCI/PS-PUN, presenciada pela porta-voz governamental, Vera Cravid, a ministra da Justiça, quem comunicou do suicídio político do presidente da República e do 1º Ministro, já com faca e queijo, na mesa, a titular parlamentar, assinou o cancelamento do Ato Solene na Casa da Democracia e jogou certo, a batata quente, ao senhor presidente da República, o engenheiro Carlos Vila Nova.

Afinal! Para que serviu a comissão de Honra da Celebração dos 50 anos? Não antecipou romance com abraços e beijocas, nos festejos de 12 de Julho? Nas reuniões, apenas copiava e colava como exibiu a ideia da diáspora, para que a Chama da Pátria rondasse mundo, de RAP aos distritos?

Neste sábado, uma semana, após o Dia Grande, com a ressaca dos copos quebrados nas celebrações dos 50 anos da Soberania Nacional, pessoalmente, deveria abrir uma nova narrativa com os subsídios institucionais necessários para o progresso da democracia. Mas não!

Portugal vive a maior crise habitacional da sua história e, por arrastão, apanhou a mão-de-obra são-tomense, em fuga do país, a razão ilustrativa para as centenas de famílias trabalhadoras, o espelho de vulnerabilidades sociais, devido o baixo salário em guerra para com os altos preços de arrendamento, construirem tetos precários para esconderem cabeça, no sonho de um amanhã triunfante às crianças, especialmente, na região da Grande Lisboa.

Não é nenhum conto de fadas que um quarto chega a render ao senhorio, a módica sorte de 1000€00 (mil euros), no mínimo, com a cobrança até 250€00, por cada cama de solteiro, sobreposta em beliches, num pequeno retângulo, em que a privacidade, há muito, perdeu orgulho e dignidade. Contas feitas, um apartamento de três quartos, é garantia de fortuna, na região lisboeta, valor que, há década, não ultrapassava dos quinhentos euros de aluguer para uma família, a dobrar o salário mínimo.

Enquanto isso, como que de Portugal para São Tomé e Príncipe, já não chegam as boas notícias, no mais recente, elas, e em catadupa, narravam vexame e preocupações relacionadas com a recente emigração juvenil que se tinha exposta, através de comportamentos insultuosos e de convivência de nada abonatória, nos meios sociais lisboetas, optando por Galinheiras, o símbolo da sua presença.

De ventos maus, nada de bom a esperar, daí que fez ricochete e com a proveniência eventual de Cascais, a zona luxuosa, ainda na Grande Lisboa, a inquietante fotografia partidária que apavorou os cabelos brancos do presidente da República, Sua Excelência, Carlos Vila Nova. O vendaval, inesperado, foi tão forte, a ponto de baixar cara dos são-tomenses, no preciso momento festivo, vésperas de 12 de Julho, obrigados a busca de esconderijo para o imprevisível suicídio coletivo.

Estava agendada para aquela Sessão de Honra, no dia 11 de Julho, a solene homenagem ao 1º Presidente Constituinte, o engenheiro Nuno Daniel Xavier Dias, morto tragicamente, num acidente de aviação, em Portugal, o que consubstancia a indelicadeza presidencial, no crime contra os princípios que jurou na tomada de posse e passível de pena que deveria, não somente envergonhar os são-tomenses, mas penalizar a intenção de recandidatura.

Miúdo, de calção e “soca”, ou seja, sandália de napa e pneu, portador das lágrimas da vila, pela primeira vez, entrei no sagrado salão presidencial, para venerar a jovem figura, beijar os olhos do caixão e despedir do filho da terra, o que ajudou, cedo, a edificar o trajeto pessoal, a rebeldia e a visão humanista na consciencialização da vida democrática.

O mal-estar institucional aos estrangeiros, de gala, convidados à histórica celebração dos 50 anos da Nação, meio século de sucessos e retrocessos, para a memória coletiva, agravou com o “compromi(s)o” no cartaz de honra, do palco da Praça da Independência, nas pedras, nos blocos e nas madeiras de emergência, substituindo jarros de flores, no tapete vermelho, para a dança de cara bruxada de um sábado histórico, tudo armas, de nada, comprometedoras e ameaçadoras à vida humana, mas sim, um luxo do desnorte dos poderes apostados na competição da baixeza do Estado.

Em paralelo e contra-mão aos assuntos que deveriam ser do Estado, na reação aos jornalistas que questionaram da solidariedade presidencial, dois dias contados da festa nacional e, após ao relento populacional, do dia 14 de julho, em Loures, de mais de uma centena de famílias são-tomenses, (trabalhadores, jovens, mulheres, crianças, idosos e doentes de junta médica), o presidente da República, para a tristeza, ignorou estar por dentro – vai inteirar-se – das chamas de Talude.

Há um ano, quase, que a sociedade civil portuguesa, ativa e de batalha, em batalha, contra a Câmara socialista de Loures, até intercetou no Tribunal administrativo de Lisboa, uma ação judicial, que conseguiu em tempo, a primeira medida cautelar que havia suspendido as demolições. Chêi! Não!

Urge um colégio de formação política, ética e moral e, óbvio, com uma cadeira virada ao humanismo com que, na base dos conhecimentos de elevação e habilitação social de boas práticas, a serem adquiridas, creio, para o progresso da Democracia, surja a necessária iluminação das mentes que congreguem os espíritos, no futuro próximo, de renascer São Tomé e Príncipe.

Como é possível, perante as chocantes imagens de humilhação portuguesa com a demolição de 64 tetos precários às famílias vulneráveis, são-tomenses, a rondar mundo, pelos vários canais de comunicação social e com a rapidez da disseminação da revolução digital, assistir comícios nas redes sociais e animados pelos filhos da terra, a rebentar champanhe com vivas e cantigas pela desgraçada sorte dos seus conterrâneos, do bairro de Talude?

Enquanto isso, e sem cruzar os braços, a associação Vida Justa, tentava a todo custo, até nos tribunais, através de nova providência cautelar, conseguida, dignificar aquelas vidas humanas, tocadas pela exclusão social e violação dos Direitos Humanos, pela negação do direito à habitação.

Não só! A atitude do autarca socialista de Loures, Ricardo Leão, vindo tarde explicar, sem explicar, o desproporcional apoio social, em período eleitoral de fazer frente ao sucesso da propaganda da direita radical, contra os estrangeiros, angariando alguns votos, no próximo dia 12 de outubro, chocalhou as hostes do seu partido com os dirigentes, manifestando indignação ao condenável tratamento ao ser humano e numa circunstância que Portugal, não oferece alternativas habitacionais de arrendamento a custo controlável.

Mais! Isaltino Morais, o presidente da Câmara de Oeiras, também na Grande Lisboa, apesar da nova e estreante alteração da lei do governo do seu partido coligado, PSD/PP, -, ainda acredita-se no puxão de orelhas do presidente Marcelo com a não promulgação da absurda lei – à cegueira do Chega, contra os estrangeiros, a explorada mão-de-obra para o sustento da economia portuguesa, contrariou o desumanismo do colega de Loures. Afirmou que, há mais de vinte anos que na sua jurisdição, não se constrói barracas e o município tem estado atento na resolução das vulnerabilidades sociais com as várias construções de residências de renda baixa.

Não há dois, sem três. O presidente de todos os são-tomenses -, vai regressar do estrangeiro, onde ontem, fez o fiasco testemunho de passagem da CPLP que São Tomé e Príncipe presidia, há dois anos, a Guiné-Bissau – , desde o inaugural decreto presidencial, em janeiro, com que prometeu arrumar casa ao horizonte, tornou viajante, sem complexo, na representação do Estado, a ponto de, na contagem final do mandato, acertar uma ou outra agenda internacional. Pena!

Nenhuma palavra à ingrata sorte dos eleitores, reunindo, ao menos, com a comissão representativa na busca de alternativas de dignificação humana junto das autoridades portuguesas ou até de parceiros internacionais.

Algo é consensual. Vila Nova, tem a consciência de que foi tarde demais, ao Vaticano, já que o anterior 1º ministro, líder de ADI e muçulmano confesso, após o banho de sangue de 25 Novembro de 2022, no quartel militar, de joelhos ao Papa Francisco, correu a exibir ao mundo o diploma cristão como que garantias suficientes das mãos do chefe do XVIII Governo, antes estivessem manchadas de sangue de quatro homens presos, torturados e assassinados pelas chefias militares, para justificar a pressa.   

Neste vendaval, por mais idas dominicais à casa de Deus, consumadas e publicitadas na recente visita ao Vaticano, confessando os seus pecados, à Sua santidade, o Papa Leão XIV, tristemente, o cristão Carlos Vila Nova, carrega na maldosa consciência, não somente, o choro das famílias e dos familiares dos assassinados.

Jamais conseguirá deixar de escutar os gritos sufocantes de quatro almas, cujos corpos, um a um, foram assassinados pelas chefias militares, arroladas pelo Ministério Público, perante o silêncio cúmplice do Comandante Supremo das Forças Armadas e o mais alto magistrado da Nação que, leviano e medonho, no dia 12 de Julho, renovou o seu aval ao falso Tribunal Militar de juízes analfabetos, de limpar cara aos políticos com as mãos manchadas de sangue do Massacre do Morro.

Para remate. Noutros tempos e nas comunidades vizinhas, nos momentos de desgraça, lágrimas, desconforto e desespero, como os que entraram pelos nossos écrans, no dia 14 de julho, de humilhação à comunidade são-tomense, em Portugal, com o forte aparato policial, as embaixadas culturais, em concreto, as musicais de renome internacional, anunciavam festivais e recolhas de ajudas com todos os fundos direcionados, a dar as mãos aos seus conterrâneos. Rapaz, não fala isso!

Uma mão de solidariedade pessoal aos são-tomenses de Talude, apanhados pelo abandono e sujeitos à humilhação portuguesa, num momento, em que as notícias da Nova Quinta de Mocho, a Urbanização de Terraços da Ponte, em Loures, o maior bairro social e habitacional dos são-tomenses, em Portugal, anunciam o despejo de centenas de famílias de origem africana.

Renascer São Tomé e Príncipe!

José Maria Cardoso

19.07.2025

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