Nota Editorial – Crítica não pode – nunca – significar falta de patriotismo!
Num evento público recente, ouvimos membros do Governo acusarem críticos de “não contribuir” ou de “não ter orgulho em ser santomenses”. A nosso ver, essas palavras não honram o espírito democrático.
É preciso recordar: crítica e escrutínio são pilares da democracia, garantidos pela Constituição. O orgulho nacional não se mede pelo alinhamento automático com o Governo — este ou qualquer outro. Mede-se de muitas formas. Uma delas será seguramente: a coragem de defender o país com ideias, com transparência e com responsabilidade.
O debate público deve ser plural e cordial. Discordar não é insultar. Quem critica políticas públicas tem não apenas o direito, mas também o dever de o fazer. É assim que se constrói uma sociedade adulta, onde a cidadania não é passiva, mas ativa e participativa.
Nesta edição trazemos três temas centrais do debate público da última semana:
Marginal: obras suspensas, mas o esclarecimento continua por fazer
As obras do mercado de peixe na marginal, que já vinham envoltas em interrogações, foram esta semana suspensas pelo Instituto Nacional de Estradas (INAE) — que, nesta altura, se apresentou como representante do Estado.
Mais grave ainda: ao que o FVV pôde apurar, até agora, não foi atribuída qualquer licença de construção pelo Instituto Nacional de Obras Públicas e Urbanismo (INOPU) , como confirmou o FVV em consultas realizadas. Ou seja, a obra terá avançado sem o acto administrativo básico que legitima qualquer intervenção urbanística. O paradoxo salta à vista: trata-se da mesma entidade que surge nas televisões a derrubar barracões de cidadãos comuns por falta de licença, mas que aqui parece não ver necessidade de aplicar as mesmas regras ao próprio Estado.
Para adensar o “folclore” de procedimentos, a fiscalização da obra, alegadamente entregue a uma empresa estrangeira, simplesmente não se vê. Profissionais da área consultados pelo FVV confirmam a opacidade. E, como se não bastasse, o único gesto de “transparência” foi a instalação – em plena zona central da marginal, em frente à Praça da Independência -, de um placarzito despropositado, do tamanho de uma caixa de fósforos mas com altura de uma palmeira, que apenas revela o custo da obra. O resto — estudos técnicos, prazos, licenças e impactos — continua trancado a sete chaves. É de espantar o tanto de talento em comunicação. “Só di graça”
No espaço público, as versões dividem-se: há quem veja na obra um investimento para modernizar a marginal e reforçar a atração turística; outros alertam para a ausência de consulta e para a violação dos procedimentos básicos; e, do lado técnico, não faltam dúvidas sobre riscos estruturais e sobre a gestão de fundos públicos.
O FVV decidiu agir. Foi criada uma Comissão Técnica de Cidadania — voluntária, informal, apartidária, técnica e cidadã. O seu objetivo não é embargar ou perturbar a obra, mas produzir um parecer independente para registo público. Esta semana, será novamente solicitado ao Governo o acesso à documentação do projeto. Esperemos não ter de recorrer a nova petição.
Todos os cidadãos com conhecimento técnico são convidados a enviar contributos para flavonvon@gmail.com ou pelo WhatsApp 903 1313. O espaço está aberto à cidadania.
O recado é simples: não somos contra a obra, somos contra a opacidade. A marginal é um espaço estratégico para a cidade e para o turismo; decisões sobre a sua requalificação têm de ser transparentes, fundamentadas e participadas.
Um placar de propaganda não substitui a verdade. E a verdade exige rigor, licença válida, fiscalização independente e informação clara.

TEMA 2| Venda da Cidadania: mais detalhes sobre um escândalo institucional
O que se ficou a saber na última semana mostra que não estamos diante de um simples programa discutível. Estamos perante um escândalo institucional, com todas as marcas de velhos embustes fantasiosos que a memória coletiva do país não esquece.
Soube-se que o contrato foi assinado em maio de 2025, antes de qualquer aprovação em Conselho de Ministros (junho), e só mais tarde veio o decreto-lei (julho). Ou seja: primeiro fechou-se o negócio, só depois trataram-se os formalismos legais. Acresce que o notário do Estado, ao que parece, recusou-se a validar o contrato, tendo sido apressadamente substituído por outro oficial indicado por “alguém” poderoso. E mais: não houve concurso público internacional, como chegou a ser insinuado. Tudo indica que se tratou de adjudicação direta, pura e simples. Cara podre.
Estes factos não são meras irregularidades. São sinais de um processo que nasceu torto, que compromete a credibilidade do Estado e rasga a confiança dos cidadãos.
Perante tamanha gravidade, é impossível silenciar a responsabilidade dos órgãos de soberania: o Presidente da República (já de regresso ao país), a Assembleia Nacional e os Tribunais. Uns pela magistratura da palavra e pelo veto político; outros pelo poder da lei e da fiscalização; todos pela obrigação moral de defender a nação.
No espaço público, a reação do Governo e de alguns comentadores revelou a face mais assimétrica da comunicação. O aparelho oficial ocupa a praça pública com entrevistas e discursos, enquanto vozes críticas são desqualificadas como “não patrióticas” ou “ignorantes”. Até comentadores da atualidade assumem o papel de porta-vozes oficiosos, alinhando automaticamente com a posição do poder. É legítimo ter opinião diferente. Mas é ilegítimo transformar o debate nacional em palco de propaganda. Depois de 12 de julho de 2025, esse jogo não cola mais.
A conta nua e crua
- Cada passaporte é vendido como “doação” de 90 mil USD.
- O operador internacional retira entre 15% e 25% (13.500 a 22.500 USD).
- O Estado fica com apenas 67.500 a 76.500 USD por passaporte.
- Em 2.000 manifestações de interesse já anunciadas, isto daria 135 a 150 milhões USD líquidos — antes de subtrair as comissões internas dos operadores e seus coadjuvantes, os “suspeitos do costume”: representantes políticos e acólitos que aceleram o enriquecimento ilícito à escala do descaramento criativo.
Moral da história: o Estado nunca verá os 165 milhões do Orçamento. Verá, quando muito, metade, enquanto o resto engorda operadores e cúmplices. E se algum dia esse dinheiro chegar mesmo aos cofres públicos.
Nem 30 anos de exploração petrolífera, com todas as suas promessas e frustrações, se mostraram tão “rentáveis” como esta ficção de transformar a nacionalidade em mercadoria. Mas quando a conta parece fácil demais, é porque o engodo está no prato.
Se este programa tivesse tamanho sucesso, até as palaiês deixariam de vender peixe no mercado. Comprariam impressoras para imprimir e vender passaportes nas gamelas.
Este editorial é um apelo insistente
TEMA 2| Venda da Cidadania: mais detalhes sobre um escândalo institucional
Tati
19 de Agosto de 2025 at 21:12
Pinta cabra 1 vs pinta cabra 2… quando convém, estão chateados uns contra os outros. Para nomear adjuntos dos pintacabras, para cago mais importante da justiça, não ha oposição. Para libertar Dr Miques João, não há pintacabras 1 e pintacabras 2. Povo biliwe. São tds pintacabras. A unica esperança é o mlstp. Embora aguns tb São amigos do pintacabras. Agora ficamos confuso.
Marta
20 de Agosto de 2025 at 9:23
Ainda haja quem cai nesses truques dos pintacabras 1 contra pintacabras 2…. São tds pintacabras. Então porquê que não libertam Dr Miques? Então porquê que não cancelaram o negócios com tesla? Então porquê que são sempre nomeados amigos do pintacabras? Então porquê que demitem e perseguem juizes e magistrados do MP k nao são da ala do pintacabras? Tantos porquês? Espero bem que o mlstp acorde para vida. O pais esta sem esperança. Pintacabras dos raios.
Liusélio Pinto Junior
20 de Agosto de 2025 at 16:32
Liusélio Pinto não tem visões políticas nem planos concretos para soluções. Não compreende o que diz ou escreve. Tudo o que tem de fazer é ser mais sucinto, direto e curto nas suas narrativas ao apresentar as suas ideias. Talvez, para ser mais eficaz, deva falar especificamente sobre o tema da sua especialidade, experiência profissional ou algo que tenha estudado na universidade. Elogio os seus esforços e envolvimento nos discursos públicos. No entanto, o seu contributo não parece sincero ou eficaz. Respeito a sua coragem, estilo e disponibilidade para participar. Não leve as minhas palavras a peito, não tenho nada contra si, apoio a sua iniciativa. Sejamos realistas e digamos as coisas como elas são, sem rodeios. Vá direto ao assunto.
O que quero dizer com ir direto ao assunto? Por exemplo, quando debater os problemas de São Tomé e Príncipe, escolha uma ou duas questões para argumentar.
Questão 1:
a) declare ou identifique sucintamente qual é o problema.
b) apresente a(s) sua(s) solução(ões) proposta(s).
Os argumentos lógicos são uma parte fundamental da comunicação persuasiva. Simplificando, um argumento lógico consiste numa afirmação, premissa ou ideia principal, foco central da sua tese ou afirmações, argumentos de apoio com exemplos, provas, ideias e uma conclusão.
Uma frase argumentativa básica visa persuadir o público a adotar uma posição específica sobre um tema. Isto geralmente envolve:
1. Afirmação: A afirmação central que se pretende provar.
2. Razão: A explicação lógica que sustenta a sua afirmação.
3. Evidência: Os dados, factos, exemplos ou opiniões de especialistas utilizados para fundamentar a sua justificação.
Exemplo:
São Tomé e Príncipe é um país muito corrupto (afirmação) porque o governo central não fornece balanços e recibos contabilísticos de como gere a ajuda externa e os fundos públicos (razão pu motivo) e o governo não está empenhado em melhorar a vida da população. Milhões e milhões de euros e milhões e milhões de dólares americanos são enviados para São Tomé e nem o Tribunal de Contas nem os deputados à Assembleia da República têm provas como todo este dinheiro tem desaparecido dos cofres do Estado. No entanto, algumas figuras influentes em São Tomé e Príncipe compram propriedades no estrangeiro e abrem negócios em países estrangeiros sem provas de onde veio este investimento de capital (evidência). Como não há responsabilização, nenhum político ou chefe de governo vai para a prisão e os tribunais não trabalham para implementar a justiça, a corrupção continuará a persistir em São Tomé e Príncipe (conclusão).
Solução: Precisamos de começar a punir os indivíduos corruptos.
Utilize este modelo para argumentar sobre outros temas e assuntos diversos. A alegação não tem de ser sobre corrupção. Poderá ser, por exemplo, como industrializar São Tomé e Príncipe, venda de cidadania, financiamento para desenvolver um porto de águas profundas, escândalo institucional, ideias para transformar produtos ou como criar emprego para os jovens na indústria do turismo, etc.
Que tu sejas livre para expressar as tuas opiniões. Tens o direito à liberdade de expressão garantido pela Constituição de São Tomé e Príncipe. Não se sinta oprimido ou tímido.
Honestidade de expressão.
Boa sorte. Continue a tua viagem e não desista.