Opinião

MLSTP: Entre a Memória e o Futuro- Caminhos para Recuperar a Relevância Política em São Tome e Príncipe

Rafael Branco

A desigualdade crescente, a pobreza persistente e a fragmentação social e política formam hoje o triângulo mais perigosos para o futuro dos pais. São Tome e Príncipe vive uma erosão silenciosa da coesão nacional, a par de um desgaste profundo das instituições e do sistema partidário. E, nesse processo, os próprios partidos políticos contribuíram mais para o problema do que para a solução: falta de visão estratégica, clientelismo, divisões internas, ausência de liderança e incapacidade para apresentar propostas transformadoras.

Entre estes partidos, o MLSTP ocupa uma posição paradoxal. Foi a orça que conduziu o país a independência, liderou a abertura democrática, protagonizou reformas sociais importantes e moldou parte significativa da identidade política nacional. Hoje, porém, encontra-se à beira da irrelevância, minado por querelas internas, rupturas geracionais e perda de rumo estratégico. O ADI assumiu o espaço que historicamente pertencera ao MLSTP, não tanto por força própria, mas pela fragilidade acumulada do adversário.

A questão que coloca não é retórica nem nostálgica: O MLSTO ainda tem um papel a desempenhar? A resposta é sim- mas apenas se aceitar a dimensão do desafio e realizar uma transformação profunda, começando por si próprio.

O MLSTP possui elementos únicos que nenhum outro partido tem: história, capital simbólico, enraizamento sociológico, experiencia de governação e legitimidade histórica.

Reconstruir a Unidade do Partido

Nenhum partido sobrevive com divisões internas crónicas. O MLSTP precisa clarificar a sua liderança, reconhecer os erros dos últimos anos e restaurar a autoridade moral da direcção. Sem esta reconciliação interna, qualquer discurso sobre o futuro soa a vazio.

Essa reorganização implica modernizar a estrutura partidária, definir normas de transparência e criar cultura de mérito- algo que falta em todos os partidos do país, mas que o MLSTP, pela sua história, deveria exemplificar. Um partido que pretende governar tem de demonstrar que sabe governar-se.

Da Memória à Visão: construir um novo futuro

A história do MLSTP é um património valioso, mas já não mobiliza as novas gerações. A juventude santomense quer respostas para problemas concretos: emprego, educação de qualidade, justiça funcional, serviços públicos eficientes e um Estado que não esteja permanentemente em crise.

O partido precisa de uma narrativa clara que responda â uma pergunta essencial: Para onde queremos levar STP nos próximos 10, 15 anos?

Sem esta visão, o debate político continuará preso a ciclos de acusações, trocas de cadeiras e promessas vazias.

Uma social-democracia moderna-centrada na equidade, no Estado social eficiente, na economia produtiva e na sustentabilidade- poderia ser o quadro programático ideal para renovar a identidade do MLSTP. Ma isso exige coragem para romper com praticas internas que contradizem esses princípios.

Reconetar com o país real

O MlLSTP foi, durante muito tempo, o partido mais enraizado socialmente.

Hoje esse capital esbateu-se. Recuperá-lo implica regressar ao terreno: ouvir pescadores, agricultores, jovens desempregados, mulheres chefe de família, funcionários públicos desmotivados, comunidades rurais abandonadas e bairros urbanos periféricos sem esperança.

Um partido que não vive dentro da sociedade não pode transformá-la.

Isso significa instalar núcleos activos nos distritos, criar gabinetes móveis de atendimento, participar em projectos comunitários e estabelecer alianças estruturadas com associações, cooperativas e organizações da sociedade civil.

Recuperar credibilidade passa também por um novo estilo de comunicação: simples, transparente, pedagógico. A política santomense tem sido marcada por discursos abstractos: é hora de falar ao país com clareza e propósito.

Propostas que Mobilizam

O MLSTP precisa de apresentar políticas concretas e realistas, capazes de distinguir o partido num sistema político marcado pela repetição de promessas.

As prioridades devem ser claras:

          – Reforma profunda da educação, incluindo ensino técnico e formação de professores

          – Modernização da administração pública, com digitalização e concurso transparentes para cargos de chefia

          – Estratégia nacional para a agricultura e pesca, sectores com potencial imediato para reduzir a pobreza;

          – Políticas eficazes de combate a desigualdade e vulnerabilidade social

          – Agenda anticorrupção, apoiada em fiscalização independente e cultura ética

          – Valorização da cultura e dos crioulos nacionais

Um Partido renovado para um país ameaçado

São Tomé e Príncipe enfrenta riscos sérios: desigualdade estrutural, juventude sem oportunidades, serviços públicos degradados, polarização política e perda de confiança nas instituições. Num contexto assim é indispensável que existam partidos robustos, capazes e responsáveis.

O MLSTP, pela sua história e inserção social, ainda pode ser esse partido. Mas só o será se trocar nostalgia por visão, fragmentação por unidade, clientelismo por mérito e retórica de propostas concretas.

A irrelevância não é inevitável.

O futuro porém, depende de decisões difíceis-decisões que se adiadas por mais tempo, transformarão o partido histórico da independência numa nota de rodapé da política nacional.

São Tomé e Príncipe, nosso país, não se pode dar ao luxo de perder mais uma instituição que poderia ser parte da solução.

É tempo de AGIR.

2 Comments

2 Comments

  1. maria

    27 de Novembro de 2025 at 11:23

    Este senhor e camarada é um dos culpados para a situação do partido e consequentemente do país. Alguém que foi o lider de um partido como o MLSTP, e por uma desavença, não deveria formar outro partido,(PEPSI) levando os militantes do MLSTP, ao desnorteamento fazendo-os de pedintes. Portanto, para algumas narrativas é necessário saber como integrá-la, e por mais colocá-las publicamente. Ao invés disso, porque não chama a actual direcção e fale a verdade? Pedindo mesmo a cabeça do seu líder? Em que que isso vai demover a reconciliação propalada? O camarada foi quem protegeu o actual presidente Americo Barros numa das reuniões magnas, movendo e comovendo os presentes pedindo a compaixão da sua meia culpa. Portanto é hora de fazer algo para salvar o MLSTP, e responsabilidade é de grande parte sua. SALVE O PARTIDO!

  2. Safu

    27 de Novembro de 2025 at 12:41

    Territorealidades que todos os cidadãos, a sociedade civil organizada, as instituições deveriam, devem, deverão saber,…

    Um território para ser país precisa de ter ter estas tres realidade presentes, a população, o território(mar, rios, água, fauna, flora, espaço aerodinâmico),…administração, instituições, autoridades,entidades etc

    No caso de São Tomé e Príncipe somos ilhas e ilhéus

    Desvantagens

    Dupla insularidade interna( SãoTomé estar longe do Principe) e externa( São Tomé e Príncipe estar longe dos grandes centros e mercados mundias, centros financeiros, de informação, tecnologicos, etc,…questões ligadas a produção, exportação/importação, custos, acessos, transportes, bens, informação, tecnologias, infraestruturas,etc…isolamento, periferia,…ausência de economia de escala

    Dimensão, território pequeno( apesra do mar e o espaçoaerodinâmico serem parte maior), população reduzida(apesar de jovem, sendo que é uma mais valia), logo mercado exíguo e administração pequena, pouco peso económico e financeiro mundial, questões de ausência de voz e representação nas instituições internacionais

    Conflitos internos, políticos partidarios, sociedade estratificada, fraguementada, aliada a pobreza, fome, miséria,…logo ausência de paz, ausência de estabilidade

    Ausência de estatísticas fiáveis

    Instituições fracas, a começar pela famílias, desestruturacão social, logo com reflexos institucionais

    Economia pouco diversificada, ausência ou sector financeiro nada robusto, quanto a disponibilidade financeira, quanto a captação de poupanças/receitas/ impostos

    Emigração da população em massa, sobretudo jovens

    Falta de infraestruturas, quadros bem formados

    Nenhuma cadeia de informação, órgão de comunicação arcaicos, ausência de maquinarias e tecnologias(quer de comunicação, quer de informação, seu domínio), apesar de cabo de fibra óptica.

    Dependência externa, etc…

    Ausência de planificação

    Assim sendo aspirar a ser, ou serem politicos, quer seja MLSTP, sejam de outros partidos se jamais tiverem ou tivermos em conta estas realidades, que somene dispotas eleitorais é dar tiros nos pés, …a chamada pescadinha de rabo na boca.

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