Opinião

O mundo de caos e o renascimento da “lei da selva” americana!

Por: Bacar Camará, Jornalista& Docente

– O mundo acordou este sábado com os ecos de mais uma agressão dos Estados Unidos América. À margem da Carta das Nações Unidas, os Estados Unidos executaram um ataque militar contra a soberania da Venezuela, e prenderam o Presidente Nicolas Maduro.

Esta, trata-se da habitual doutrina perversa de Washington que atua sempre e apenas por interesses obscuros, e recursos estratégicos, como petróleo.

Desde o primeiro momento desta operação criminosa, as forças norte-americanas ceifaram vidas inocentes, chamando-as de “traficantes”. Não se nega o flagelo do narcotráfico na Venezuela, um problema complexo e multifacetado.

No entanto, nada justifica que um país se assuma como justiceiro e executor, violando todas as normas de convivência internacional. Passados 80 anos da criação da ONU, um espaço concebido precisamente para banir a lei do mais forte, assistimos hoje uma falência total desta organização devido obsessão económica americana.

A soberania agora, ou seja, neste mundo contemporâneo é um conceito relativo. Relativo, sim, porque, a hora da força fala mais alto, e os argumentos recrutados por Washington são tão falsos quanto cínicos. O alvo não é o narcotráfico, é o petróleo. É a mesma narrativa aplicada no Iraque, na Líbia, na Síria: fabrica-se um pretexto, desmorona-se um líder, invade-se um território e saqueiam-se suas riquezas.

O ataque a Caracas é um roubo à luz do dia, disfarçado de operação de luta contra tráfico de droga. Este episódio deve servir de alerta para o mundo, que ainda respira a civilização. O que testemunhamos é o prelúdio de um caos aprofundado, onde a ordem é a do mais forte. É a consolidação da lei da selva.

A captura e o sequestro do Presidente Nicolás Maduro, por mais que sua presidência seja marcada por controvérsias e desafios democráticos sérios, são um ato de terrorismo de força dos Estados Unidos da América. É que, não se resolve o diferendo interno de uma nação com a intervenção militar estrangeira. Esta solução fabricada em Washington é um golpe contra a autodeterminação dos povos e um precedente nefasto, isto é, depois da Nigéria recentemente.

Ora, as acusações de narcotráfico, nunca devidamente provadas por Trump perante instâncias internacionais imparciais, visa apenas asfixiar a Venezuela e apoderar-se de seus hidrocarbonetos.

Outrossim, as justificativas norte-americanas não passam, portanto, de farsa. Elas violam gravemente o Direito Internacional e o princípio sagrado da soberania. Este ato comprova uma triste realidade que o mundo vive hoje.

Afinal, há poucas nações verdadeiramente soberanas no mundo, a maioria foi reduzida à condição de vassalos e de espectadores.

A imposição americana não começa este Sábado, ela emergiu há muito tempo. Pois, a força de operações especiais utilizada esta madrugada, nasceu em 1977, e tem um percurso sangrento que fala por si: Panamá, Iraque, Somália, Síria… uma lista interminável de soberanias violadas. O nome dos países muda, o pretexto adapta-se, mas o objetivo permanece: dominar, controlar, pilhar.

O que aconteceu este sábado em Caracas não é um incidente isolado. É a confirmação de que o ocidente, em particular, os Estados Unidos da América sentindo-se enfraquecidos economicamente abraça abertamente a selvajaria.

Acho que, o mundo civilizado deve reagir, caso contrário, o ataque militar na Venezuela marca o início do caos geral, onde cada um será, por fim, apoderado do mais forte.

A “Lei da Selva” será global, e seu arquiteto tem nome, Estados Unidos da América.

Eis a lista dos países, onde os Estados Unidos da América aplicaram a Lei da Selva, ou seja, intervenção militar unilateral, sem aval da ONU.

Japão 6 e 9 de agosto de 1945

Correia: 1950 – 1953 (Guerra da Coreia)

Guatemala: 1954, 1960, 1967 – 1969

Indonésia: 1958

Cuba: 1959, 1961

Congo: 1964

Laos: 1964-1973

Cambodja: 1969-1970

Granada: 1983

Líbano: 1983-1984 (ataque a alvo na Líbano e na Síria)

Líbia: 1983,1984,2011,2015

El Salvador: 1980

Nicarágua: 1980

Irão: 1987-2025

Panamá: 1989

Iraque: 1991(Guerra de golfe), 1991-2003 (invasão Americana e Britânica), 2003-2015

Kuwait: 1991

Somália: 1992-2007-2008-2011

Bósnia: 1994-1995

Sudão: 1998

Afeganistão: 1998-2001-2015

Jugoslávia: 1999

Iémen: 2002-2009-2011-2025-2025

Paquistão: 2007-2015

Síria: 2014-2015

Estes anos, 2025 e 2026, a Venezuela e Nigéria acabam por integrar a lista dos países cujas soberanias foram amordaçadas pela intervenção militar selvagem americana.

3 Comments

3 Comments

  1. António Nilson

    5 de Janeiro de 2026 at 0:10

    A lei selvagem não é só de um lado.

    Os países africanos, em particular, são altamente vulneráveis. Basta observar o que a Rússia, a China e outros grupos de interesse estão a fazer em África, através da extração, exploração e pilhagem dos recursos naturais. Entretanto, a grande maioria da população africana continua a viver em pobreza extrema, enquanto uma classe política dirigente e uma elite privilegiada abusam do poder e demonstram pouca preocupação com os idosos e as crianças.

    Sempre defendi a autodeterminação de África, a liberdade económica e a prosperidade, bem como a capacidade de defender a integridade territorial.

    No entanto, alguns antigos colegas de escola, familiares, amigos e até adversários ridicularizaram me, insultaram me e rejeitaram completamente as minhas ideias.

    Todos têm direito às suas opiniões e eu respeito diferentes pontos de vista, mas isso não significa que concorde com tudo.

    A situação entre os Estados Unidos e a Venezuela é complexa e envolve questões geopolíticas profundas. Não vou escrever um texto longo nesta plataforma, mas é um tema que pode ser debatido pessoalmente ou noutras circunstâncias.

    As Nações Unidas são fracas. O sistema de veto do Conselho de Segurança das Nações Unidas é falho. A Rússia invadiu ilegalmente a Ucrânia, destruiu infraestruturas e causou a morte de civis inocentes. A Ucrânia já teve um arsenal nuclear.

    Os países militarmente poderosos tendem a responder apenas ao dinheiro, ao poder e às armas nucleares, algo que África atualmente não possui.

    Onde estão então a China e a Rússia quando se trata de ajudar África a defender se?

    Infelizmente, a corrupção continua a afetar o continente, com fundos públicos destinados a apoiar a população a serem roubados e transferidos para o Ocidente.

    A questão que permanece é se África foi abandonada ou se está a falhar consigo própria devido a uma liderança fraca e más escolhas.

    Sejam inteligentes e atentos. A Rússia afirmou que iria ajudar África a construir armas nucleares. Onde estão essas armas?

    A França poderia ajudar África a desenvolver energia nuclear para tirar as populações da escuridão e garantir eletricidade nas casas. Onde está esse apoio? Além disso, já existem novas tecnologias capazes de desenvolver capacidade nuclear com riscos mínimos e com reciclagem de resíduos.

    Sem poder militar significativo, não é possível defender eficazmente um país, nem proteger a própria família ou a população em geral.

    O Presidente Donald Trump é um bom presidente para o seu país e para o seu povo. Ele ama a sua terra e o seu povo.

  2. Chama-se “Doutrina Monroe”

    5 de Janeiro de 2026 at 0:26

    Lê este texto, traduzido do inglês para português a partir da Wikipédia:

    A Doutrina Monroe foi proclamada pelo presidente dos Estados Unidos James Monroe (1817–1825) na sua mensagem ao Congresso de 2 de dezembro de 1823, resumida na expressão “América para os americanos”, defendendo três princípios fundamentais: a não criação de novas colónias europeias no continente americano, a não intervenção europeia nos assuntos internos dos países americanos e a não intervenção dos Estados Unidos em conflitos entre potências europeias e as suas colónias. Inspirada no isolacionismo de George Washington e nas ideias de Thomas Jefferson, a doutrina refletia o receio de que as potências europeias saídas do Congresso de Viena (1814–1815), organizadas em torno da Santa Aliança, tentassem restaurar o colonialismo nas Américas após as Guerras Napoleónicas, apesar de os EUA serem então uma potência ainda fraca militarmente. Embora tenha funcionado como um aviso à Santa Aliança e ao Império Britânico, o seu impacto imediato dependeu sobretudo do apoio naval britânico, permitindo aos Estados Unidos expandirem-se para oeste com base no Destino Manifesto.

    Na América Latina, a reação foi maioritariamente favorável, embora cautelosa: líderes como Simón Bolívar reconheceram o valor simbólico da doutrina, mas sabiam que a sua eficácia real dependia da Grã-Bretanha, razão pela qual Bolívar defendeu uma cooperação pan-americana. A partir do final do século XIX, os Estados Unidos reinterpretaram a Doutrina Monroe de forma imperialista, reforçando a sua influência política, económica e militar no Caribe através de intervenções armadas, da “diplomacia do dólar”, da aquisição de territórios como Porto Rico e as Ilhas Virgens, e do estabelecimento de situações próximas de protetorados, como em Cuba e no Panamá, consolidando uma política expansionista na região.

  3. Bacar Camará Júnior

    5 de Janeiro de 2026 at 7:54

    É uma piada.

    O mundo se transformou em um playground de piadas e comédias. “Militares golpistas da Guiné-Bissau condenaram o ataque dos Estados-Unidos da América contra
    República da Venezuela.”

    Golpistas? Credo! Só com Cristo.

    Isso faz as pessoas rirem. Essas pessoas não são sérias.

    A população africana precisa de acordar, derrotar e remover ditadores estúpidos, incompetentes e corruptos: presidentes, vice-presidentes, primeiro-ministros, funcionários do governo que lideram mal as nações africanas retirá-los do poder. Fora!

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