Opinião

A liderança que São Tomé e Príncipe precisa

Por : Rafael Branco

Vivemos um momento decisivo da nossa história nacional. Um tempo marcado por uma estrutura económica e social que muda muito lentamente, que gera desigualdades persistentes, por pobreza que teima em aprisionar famílias, por fragmentação social que fragiliza a nossa convivência, por divisões sem qualquer justificação para além de interesses pessoais, e por uma dependência externa que limita a nossa capacidade de sonhar com um futuro verdadeiramente nosso.

Mas, apesar dessas dificuldades, há uma verdade que temos de ter presente: São Tomé e Príncipe pode superar os seus maiores desafios quando tiver uma liderança capaz de unir, inspirar e transformar.

Hoje, mais do que nunca, precisamos de um novo tipo de liderança.
Não apenas de líderes solitários, todo-poderosos, auto-suficientes e arrogantes mas de um modelo de liderança que coloque o país acima de qualquer interesse partidário, que sirva o povo e não os grupos, que construa futuro e não apenas governe o presente e inconfessáveis interesses obscuros.

1. Uma liderança com visão estratégica

O nosso país não pode continuar preso a ciclos curtos de governação e mudanças sem rumo. Precisamos de uma liderança com visão de longo prazo, capaz de olhar para os próximos 10 -20 e dizer:
“Este é o caminho que queremos seguir, estas são as prioridades nacionais, este é o futuro que construiremos juntos.”

Educações de qualidade, valorização da cultura, economia azul, agricultura moderna, turismo sustentável, energias renováveis — estes não podem ser apenas slogans. Têm de ser compromissos nacionais baseados em programas ambiciosos mas sustentáveis.

2. Uma liderança ética, que dê o exemplo

Num país onde muitos desconfiam do Estado e onde a percepção de injustiça é forte, a primeira política pública deve ser o exemplo.

Liderar é:

  • Combater o clientelismo começando pelos próprios partidos;
  • Respeitar escrupulosamente as instituições;
  • Impor tolerância zero à corrupção;
  • Servir com transparência e dignidade.
  • Atrair investimento privado e apoiar os empresários nacionais

Porque nenhuma reforma sobrevive sem credibilidade moral e ética

3. Uma liderança inclusiva, que escuta e integra

São Tomé e Príncipe é um país pequeno, mas diverso.
Há diferenças entre gerações, entre comunidades, entre modos de vida. Há uma juventude que quer oportunidades, agricultores que pedem condições, pescadores que necessitam de apoios reais, mulheres que reivindicam espaço e voz.

A liderança de que precisamos é inclusiva. É aquela que escuta antes de decidir, que integra especialistas, que chama talentos independentemente da cor partidária, que governa para todos e não para alguns.

Uma liderança que sabe que ouvir não é sinal de fraqueza — é inteligência política.

4. Uma liderança soberana, capaz de negociar com o mundo

Somos um país vulnerável e dependente da ajuda externa, mas isso não significa que não tenhamos voz ou rumo.

Precisamos de uma liderança capaz de:

  • Negociar com parceiros internacionais defendendo as prioridades nacionais,
  • Diversificar alianças,
  • Usar a cooperação para criar desenvolvimento e não dependência,
  • Garantir responsabilidade, eficiência e transparência no uso dos recursos públicos.

Um país pequeno não é necessariamente fraco. Precisa ser estrategicamente inteligente.

5. Uma liderança pragmática, que entrega resultados

Num tempo de frustrações e promessas incumpridas, São Tomé e Príncipe precisa de uma liderança que fale verdade ao povo.

Uma liderança que explique limites, que governe com metas, que presta contas, que implementa reformas na educação, na saúde, na justiça e na administração pública.

Uma liderança que combate a pobreza com políticas reais, não com promessas eleitorais e assistências que debilitam, incapacitam e desresponsabilizam o cidadão.

Porque o populismo alimenta ilusões, mas não constrói nações.

6. Uma liderança que constrói unidade nacional

O nosso grande desafio não é apenas económico.
É moral, social e político.

É a falta de confiança entre o cidadão e o Estado, entre partidos que se combatem mais do que dialogam, entre comunidades que às vezes parecem afastar-se umas das outras.

Por isso, precisamos de uma liderança que diga claramente:
“O país não é de um partido — é de todos nós.”

São Tomé e Príncipe está num cruzamento.

Podemos continuar a repetir os erros do passado ou podemos escolher um caminho novo — feito de coragem, de integridade e de ambição nacional.

A liderança de que precisamos não é a liderança que divide, é uma liderança empenhada na resolução de conflitos e não na criação dos mesmos, que eleva todos através da conciliação e do respeito pelos direitos de cada um.


Não é a que governa por ciclos curtos, mas a que pensa a longo prazo.
Não é a que procura vantagens pessoais, mas a que serve a República.
Não é a que teme o futuro, mas a que o constrói.

Uma liderança que cria pontes, que promove diálogo, que fortalece símbolos e narrativas que nos unem, que reconstrói a ideia de uma nação comum.

Este é o apelo deste tempo:

Unir para transformar.

 Reformar para desenvolver.

Liderar para servir.

São Tomé e Príncipe merece mais, pode mais e será mais — se tivermos a liderança certa, com coragem, visão e compromisso.

A liderança que precisamos deve saber partilhar o poder para partilhar responsabilidades; deve promover a confiança entre aqueles que ocupam posições de autoridade, do nível central ao local; deve ser exigente em relação as competências daqueles a quem confia tarefas; deve evitar o surgimento de centros de poder sem controlo e sem regras, deve ser tolerante, paciente mas também intransigente com quem não cumpre. Precisamos de uma equipa coesa, que partilhe princípios e valores fundamentais apesar das naturais diferenças entre pessoas que são diferentes. Precisamos de uma liderança que pensa em conjunto e age em conjunto numa divisão de responsabilidades baseada na solidariedade institucional. Sempre para o bem do país e do povo.

Eu tenho uma profunda e fundamentada esperança. Esperança não é esperar. Esperança é um acto político, social, cultural e comunitário. Paulo Freire fala de esperançar, um verbo activo que exige acção solidaria, comunitária, um compromisso com outro que, ao meu ver, se transforma em amor, porque amar verdadeiramente é cuidar. Cuidar do outro, cuidar de si, cuidar de todos.

Que o novo ano nos traga a liderança que o País precisa são os meus votos.

8 Comments

8 Comments

  1. Carlos alamo

    8 de Janeiro de 2026 at 0:09

    Um corrupto contumaz, que teve inúmeras chances de fazer alguma coisa e não fez absolutamente nada a nao ser nepotismo escancarado e desio de fundo vem agora atirar areia aos olhos dos incautos. Vá pastar , pois acho que a maioria te conhece bem, os será que acham que esquecemos da maracutaia da enco ou do dinheiro desviado , como o da angola?
    Va dar banho ao cão 🐕. Ladlon ué lisu.

  2. GANDU@STP

    8 de Janeiro de 2026 at 8:53

    Bom dia STP

    Façamos a esses individuos, o mesmo que fizeram pelo Povo quando estiveram no Poder!!!

    Simplemente nada!!! Deixemos que, aos poucos, se entreguem ao esquecimento. E QUE COM O TEMPO, NADA MAIS SEJAM DO QUE UM MAU EXEMPLO.

  3. Genito

    8 de Janeiro de 2026 at 9:10

    Caro Rafael,

    Li com atenção o teu artigo publicado no Telanon e reconheço nele uma construção teórica consistente e bem estruturada. No entanto, parece-me que essa teorização opera num plano excessivamente abstrato e acaba por ignorar dimensões centrais da realidade santomense.
    Senti falta de uma aproximação mais empática à vivência concreta da população, bem como de uma consideração mais profunda do sentimento de pertença, da fragmentação social e das dificuldades reais de formação intelectual no país. Ao privilegiar o modelo teórico, o texto acaba por afastar-se da experiência vivida e das contradições do quotidiano.
    Além disso, considero que a herança de um sistema educativo massificado, mas pouco consistente ao longo das últimas décadas, produziu um contexto em que a chamada “intelectualidade” é, muitas vezes, frágil, pouco articulada e distante da própria realidade social que pretende interpretar. Ignorar esse dado histórico e social fragiliza a análise.
    O meu ponto não é negar o valor da teoria, mas sublinhar que, sem uma escuta mais atenta da realidade humana, cultural e social de São Tomé e Príncipe, qualquer reflexão corre o risco de se tornar formalmente correta, porém substantivamente incompleta.

    Abraco

  4. Genito

    8 de Janeiro de 2026 at 9:31

    Em linguagem telegráfica, resumo os males de que enfermamos e que nos mpedem de sair da armadilha:

    Teorização abstrata, desligada da realidade vivida santomense
    Ausência de empatia social e cultural
    Fraco sentimento de pertença e unicidade nacional
    Desagregação e fragmentação social persistentes
    Intelectualidade frágil, hermética e autorreferencial
    Produção intelectual pouco esclarecedora e pouco comunicável
    Ambições discursivas desproporcionais à capacidade analítica
    Cultura pública marcada por inércia cívica e intriga
    Sistema educativo massificado, mas estruturalmente deficitário (últimos 50 anos)
    Alfabetização insuficiente e formação básica precária
    Promoção social de pseudo-intelectualidade e falso pensamento crítico
    Discurso mal articulado e pensamento desestruturado
    Distanciamento da realidade social concreta
    Centralidade excessiva do entretenimento, do escândalo e da superficialidade
    Fragilização do tecido cultural e regressão do debate público
    Caminhamos coletivamente para a primitividade.

  5. Antonio Jose Cunha Matos

    8 de Janeiro de 2026 at 10:01

    Oh Rafael por favor vai-te lixar pá. Vai cantar na outra freguesia porque aqui já não tens ouvintes. Come teu dinheiro sossegado que conseguiste através das habilidades duvidosas (Adelino Isidro explicou muito bem isso) e não procura mais chatice para tua vida. Vai tratar de ti e da tua família.

  6. Santo

    8 de Janeiro de 2026 at 10:01

    Gostei do texto, é bonito, mas quem interiorize é homem. Ele é que faz política e administra regimes de governação.
    O homem, esse ser que fazemos parte,é complicado, soberbo,é tudo…

  7. Madiba

    8 de Janeiro de 2026 at 10:27

    Sr. Rafael, onde tinha a cabeça quando era primeiro-ministro deste país?

  8. Eugenio Silvio Lopes Pereira

    8 de Janeiro de 2026 at 22:03

    É doloroso assistir à exposição de quem escreve ao vil insulto, ainda que eventualmente justificado por erro de governação ou por qualquer outra prática de maior indignidade. Mais intolerável se torna quando essas críticas vêm de perfis dissimulados. É feio bater e esconder a mão.
    Não seremos uma nação enquanto não deixarmos de escrever panfletos, ainda que estes sejam dirigidos, merecidamente, a panfletários ou feitos por panfletários. Crítica, sim, de cara aberta, com civilidade e sem recurso a insultos ou insinuações por detrás de uma máscara.
    Não estamos numa encenação do “tiloli”. Os problemas da nação são muito mais importantes do que isso. Nem tudo é combate político; não queimemos escritos ou livros apenas porque não gostamos do autor.
    Crítica, sim, com elegância.
    A nação ganhará.

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