Opinião

Recandidatura do presidente Carlos Vila Nova perseguida por fantasmas de 25 de Novembro

Assim, o país está bom!

Ainda que nas aventuras intencionadas à comunidade humana, a ausência de um general com determinação, espírito combativo e assertivo nas apostas direcionadas ao bem coletivo, ninguém levanta a mínima objeção que influencia, e de que maneira, os resultados desejados para os projetos políticos, empresariais e, muito mais, militares.

Por esta perspetiva de consciência e pensamento livre, nenhum são-tomense duvida que nesta altura e com o decreto presidencial da última semana – no cumprimento constitucional – que anunciou o próximo escrutínio para a escolha do novo Chefe do Estado são-tomense para a consensual data eleitoral de 19 de julho, diga-se da verdade e a partir dos vários cenários arquitetados e realizados pelo XVIII Governo constitucional; o engenheiro Carlos Vila Nova, estaria a esfregar as mãos de júbilo pela antecipada e retumbante vitória à primeira volta. Pena!

O Comandante Supremo das Forças Armadas, pasmo, temível e hesitante, não esteve à altura das circunstâncias, deduzindo das suas mais recentes auto-críticas, «ao que sabe hoje» dos hediondos acontecimentos de 25 de Novembro de 2022, teria direcionado a energia presidencial pelo lado da verdade criminal e jurídica dos factos, da Democracia constitucional e dos Direitos Humanos. 

Recentemente de olhos e pés pessoais, no país, o ardente tema 25 de Novembro, judicialmente, por cima do barril de pólvoras, esteve na mesa com bons samaritanos, mascarados ou não, mas que deram as garantias suficientes de discussão em democracia. Não esteve isolado. A inevitável troca de ideais, foi alastrada ao país em contra-mão e, obviamente, a identificação de perspetivas para a saída urgente e sempre possível do fundo do túnel. A intenção primordial, foi medir a pulsação naquilo que se passou e os fundamentos das chefias militares são-tomenses, de forma inimaginável, se voluntariaram a sujar as mãos de sangue humano no próprio solo pátrio, de paz e irmandade.

Não ia munido da verdade absoluta, mas sustentado de testemunhos firmados nas várias comunicações contraditórias do então chefe do executivo, (a última; na noite da “inventona”, romanticamente, refugiou-se num bunker de sua residência com a presidente parlamentar e a cúpula do partido), demais vozes autorizadas, militares e civis, e nas documentações oficiais. Apesar de pés seguros e cérebro elucidado, humildemente sustentado nas provas dos factos criminais e judiciais, fui abalroado contra a parede do quartel das Forças Armadas, sem testemunho de furo de balas.

Três anos depois, cai de costas pela categórica narrativa da sangrenta madrugada. «Os quatro assaltantes introduziram-se no quartel militar através da viatura civil que, de rotina e madrugada, alimentava o quartel de pão diário e puseram a disparar, “a torta e direita”, contra os soldados.»

Por mais incrédulo do filme, visivelmente, adulterado da verdade conclusiva da ocorrência macabra pelo apoio internacional da ciência de investigação criminal e forense portuguesa e também pelo oportuno relatório político da CEEAC, aceitando essa hipótese, houve confronto com o mais velho que alimentava o contraditório de gente esclarecida, e não, mas influente na sociedade e de identificação familiar e partidária afeta ao líder de ADI. Como se sentiria com a prisão, tortura de mãos atadas e o bárbaro assassinato, até do sequestrado em casa, se fosse um dos seus filhos, na diáspora e que, anteriormente, tinha antecipado muitas e boas referências? À custa dos mesmos, já visitou Portugal em passeios e vistorias da sua saúde.

O interlocutor, para a estupefação pessoal e boca disponível à entrada das moscas abundantes na capital, não hesitou e como que dispusesse de disco gravado, mas sem rasura, foi perentório: «Ele procurou e encontrou sua morte. Calado, eu iria buscar o cadáver na morgue para enterrar, porque nenhum maluco assalta o quartel militar.»

O Comandante Supremo das Forças Armadas, o presidente Carlos Vila Nova, nutriu e por anos essa mesma ótica de pensamento, já que «os assaltantes não foram buscar rebuçados no quartel». Até então, não reparou o erro à Nação, nem junto aos familiares enlutados, como ainda não se mostrou qualquer amor cristão pela sorte das famílias e dos órfãos abandonados pelo Estado criminoso, exercido pelo totalitarismo do então XVIII Governo constitucional, transferido à cumplicidade do atual executivo de Américo Ramos.

Com os morteiros silenciados, mas carregados de culpa no cartório contra o anterior chefe do executivo e o seu elenco que perante a Nação sobressaltada, mas deprimida; banalizaram os quatro mortos; ignoraram o luto e as lágrimas familiares; marcharam sobre a oposição parlamentar e graduaram as chefias militares implicadas nos assassinatos, e de decreto instrutório, criminalizadas pela justiça, o Comandante Supremo das Forças Armadas, esteve ausente, sereno, surdo e de olhos fechados aos atentados contra a Humanidade e os Direitos Humanos.

Como justifica e bem a gíria, o presidente Vila Nova, a beber do próprio veneno, ainda está amarrado aos cães do partido que lhe protegem e prestam assessoria, dia e noite. Nada é obra do acaso. A estreia teve palco desprestigiante aquando da vitória eleitoral. A ausência de tato político para o mais notável cargo de um país e impulsionado pela pesado fardo de acerto de contas com o passado, o presidente de todos os são-tomenses, declinou-se da nobre missão. Preferiu o voluntarismo, apenas e somente, dos quadros de ADI, independentemente de competência técnica e administrativa, apesar de críticas, desde a primeira hora, à maldita opção partidária. O sucesso não alinha em campo algum, num pé em falso, nem pelo ajuste de contas.

Ainda assim, aquando do decreto presidencial de 6 de janeiro, há um ano, que demitiu o XVIII Governo e libertou os são-tomenses de morte lenta por asfixia política, terror e censura desenfreada, até na casa parlamentar, o presidente da República, por gratidão pública, teve a moeda de troca. O país, a oposição e os políticos do novo poder executivo reconciliaram-se, convergindo na expetativa de que a data ficaria para a história, como o nascimento da IIIª República. Engano coletivo. A oportunidade não passou de céu nublado e soprado pelas nuvens da trovoada. 

O julgamento imparcial da criminosa chacina humana encabeçada pelas chefias militares identificadas, intencionalmente, manobrado pelo atual executivo, vai atrasadíssimo, mas é notório o engajamento do Comandante Supremo das Forças Armadas, com ajuste e ruídos, em despir-se da nódoa no fato presidencial. Mas, o urgente indulto presidencial ao prisioneiro Lucas, o único sobrevivente civil, vitimado pela barbaridade militar e a sua evacuação ao estrangeiro para exames e tratamento médico, associados à dignificação dos quatro mortos e indemnização dos familiares das vítimas, sem margens de erros para a intenção de votos, impulsionarão o balão de oxigénio à consciência livre de que o cidadão Carlos Vila Nova, ainda é crente e praticante dos valores da salvaguarda da vida humana e dos Direitos Humanos.

Daí, apesar do Tribunal Constitucional, desde a imposição executiva – alheia à Constituição da República – dos conselheiros com a estrita missão político-partidária e fora de utilidade pública, recentemente, ter inflamado o caos e desperdiçado bala contra a cabeça do Chefe do Estado; as portas do palácio presidencial abertas às figuras de pensamento crítico e da sociedade civil, na diáspora, e não só, é um passo de tranquilidade e lucidez ao futuro. A simpatia ilustrativa de aceitação gradual, pacífica e moderada ao contraditório democrático, vai muito além. O estímulo assertivo e no atual cenário – sem adversário a altura – oxigena ao candidato Carlos Vila Nova, a encorajar-se, acelerar e rodear de uma equipa comprometedora e ganhadora à sua reeleição ao mais alto cargo da Nação, São Tomé e Príncipe, óbvio, através do escrutínio livre, justo e transparente.   

Pela crença religiosa, não obstante o país de condução executiva e jurídica, em contra-mão e cumplicidade silenciosa da oposição parlamentar, a família de férias, correu a alimentar as saudades dos entes queridos. O jovem sacerdote Rui Águas, o pastor da Santa homilia; na belíssima manhã, antes anunciada pela quinta-feira do interior, através de pássaros e sol nascente de várias cores exibidas lá ao fundo, no mar da capital, como que confiando distintivo espiritual ao santo-pecador, abençoou três aniversariantes presentes e doou aos católicos o mais perfeito nutriente religioso.

O decreto ecuménico partilhado pela prestigiada batina e voz católica, originária dos Angolares, a região mais empobrecida do país, oportuno e sem receio, foi apoderado na hora para autografar o livro Ellyzé – Autópsia da Alma, dado de presente à Sagrada Casa que em contextos distintos, numa das páginas, descreve à memória coletiva, os nomes, um por um, dos sacerdotes que entre os anos sessenta e finais do século passado, pregaram o cristianismo na Santíssima Igreja da Trindade.

«Ninguém ama Deus e odeia ao seu irmão!»

José Maria Cardoso

31.01.2026

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