Opinião

Presidenciais 2026: A Competência Também se Vota

No próximo dia 19 de julho, o povo santomense será chamado às urnas para eleger o próximo Presidente da República. Mais do que um ato eleitoral, este será um momento decisivo para refletirmos sobre o país que temos e, sobretudo, sobre o país que queremos construir.

O voto é um direito. Mas é, acima de tudo, um dever de consciência. Cada eleitor deve exercer esse direito com sentido de responsabilidade, colocando o interesse nacional acima de qualquer simpatia pessoal, partidária ou circunstancial.

O estado em que São Tomé e Príncipe se encontra não é obra do acaso. É o resultado de sucessivos erros acumulados ao longo de décadas. Nem todos terão resultado de corrupção, má-fé ou interesses ilegítimos. Muitos nasceram de pequenas concessões feitas à margem da lei, justificadas pela intenção de resolver um problema imediato ou de beneficiar alguém. Contudo, aquilo que parecia um simples favor acabou, muitas vezes, por fragilizar as instituições e comprometer o interesse coletivo.

É precisamente por isso que as decisões que afetam o país não podem depender exclusivamente da vontade de uma única pessoa. Quanto maior for a responsabilidade, maior deve ser a exigência de fundamentação técnica, de consulta e de ponderação.

Nas empresas, nos organismos da Administração Pública e nos órgãos colegiais de soberania, as decisões estratégicas devem resultar da participação dos responsáveis competentes e da análise rigorosa dos seus impactos.

Nos cargos uninominais, essa exigência torna-se ainda maior. Quem ocupa funções de elevada responsabilidade deve ouvir os seus assessores, recorrer ao conhecimento técnico disponível e, sempre que necessário, solicitar pareceres independentes. É para isso que existem equipas técnicas e é para isso que o Estado investe recursos públicos.

Nenhuma sociedade progride quando desvaloriza a competência. Sem mérito, sem preparação e sem conhecimento técnico, continuaremos a repetir os mesmos erros e a adiar o desenvolvimento que todos desejamos.

No nosso quotidiano, ninguém entrega a construção da sua casa a quem nunca foi pedreiro. Ninguém confia a reparação do seu automóvel a quem desconhece mecânica. Escolhemos sempre os profissionais que demonstraram competência, experiência e capacidade.

Porque haveríamos de agir de forma diferente quando está em causa a escolha do mais alto magistrado da República?

O Presidente da República exerce uma magistratura de enorme responsabilidade. As suas decisões influenciam a estabilidade política, a credibilidade das instituições e a confiança dos cidadãos. Por isso, quem assume esse cargo deve possuir independência, equilíbrio, competência, sentido de Estado e discernimento para escolher colaboradores igualmente competentes.

Depois de eleito, o Presidente deixa de representar interesses partidários. Passa a representar toda a Nação. O seu compromisso é com a Constituição, com o povo santomense e com o interesse superior da República.

A nossa experiência democrática oferece ensinamentos que não devemos ignorar. Sempre que os eleitores depositaram a sua confiança em agendas que não correspondiam verdadeiramente às dos candidatos, o resultado foi a rutura institucional. Mais cedo ou mais tarde, os Presidentes compreenderam que o mandato recebido não lhes permitia servir outros interesses que não fossem os do Estado.

A História existe para ser aprendida, não para ser repetida.

Chegou o momento de fazermos diferente.

São Tomé e Príncipe deve escolher os seus melhores filhos para as mais elevadas responsabilidades públicas. A competência, a integridade, a experiência e o sentido de missão devem prevalecer sobre a filiação partidária, as conveniências do momento ou os interesses particulares. Um país que escolhe os melhores reforça as suas instituições e aumenta as suas possibilidades de desenvolvimento.

No dia 19 de julho, cada voto será muito mais do que uma escolha entre candidatos. Será uma decisão sobre o tipo de liderança que queremos para o nosso país e sobre o futuro que desejamos deixar às próximas gerações.

Que cada santomense vote com consciência, responsabilidade e esperança.

Porque o futuro de São Tomé e Príncipe começa na decisão de cada eleitor.

Que São Tomé e Santo António continuem a proteger e a inspirar a nossa Nação.

“Nas urnas, cada voto vale um momento. As suas consequências podem durar uma geração.”

Jorge Torres

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