Turismo

Turismo : A longa viagem em táxi partilhado até Porto Alegre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas subidas não sei quem vai mais devagar, se eu na bicicleta ou a carrinha carregada. A música vai bem alta e muito fanhosa. O meu vizinho do lado tem de ver todas as fotos que eu tiro, e também o que eu escrevo no telemóvel, pois vou tirando notas. Observa tudo atentamente. É muito correto, porém, ao ter o cuidado de não abrir as pernas, como por vezes os homens fazem, e não me tocar. Eu entretanto rasgo um pedaço de papel higiénico (que trago sempre comigo) e tapo o ouvido esquerdo, porque o rádio fanhoso magoa-me os tímpanos. Não faço ideia se o motorista Abílio se apercebeu disso, ou se se cansou ele próprio da música, pois desligou o rádio poucos minutos depois.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E agora tenho vontade de fazer xixi. Eu saí às 5h30 de casa. São 9 e meia. Estou mesmo muito aflita. Onde é que há uma casa de banho? Ou um local deserto?? O taxista parou nas bombas de gasolina de Santana (que eu fotografei na crónica 63) e uma das passageiras do meu táxi foi urinar. Disseram-me para eu ir atrás dela. Eu corri atrás dela. Há casas de banho nestas bombas de gasolina?!
Quais casas de banho. Ela agachou-se a um canto, na rua, entre umas casas, e escondida pela sua própria saia, fez xixi. Mas eu estou de calções!!! Eu tenho de baixar os calções e ficar com o rabo branco ao léu!!
Mas a aflição é tanta, e espera-me uma viagem tão longa, que eu estive-me nas tintas. Escondi-me atrás dum tanque e fiquei mesmo com o rabo branco ao léu. Que alívio, esvaziar a bexiga. Uma menina veio espreitar-me. Ficou a rir-se, a olhar para mim, enquanto eu fazia xixi. Bom, mais vale vale uma menina do que um menino ou um homem. Vesti os calções e voltei a correr para o táxi, atrás da outra passageira.
Isto nunca me tinha acontecido. Nunca eu imaginei sequer que alguma vez iria fazer isto. Xixi em público.

Aqui já estamos na vila Ribeira Afonso. O taxista Abílio parou, e as passageiras de trás foram comprar gasolina, numa garrafa de água. 50 cl, 50 dobras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O rapaz ao meu lado, sentado ao centro, fez uma viagem muito curta. Saiu às 10h40 em Diogo Grande. Foi o motorista Abílio que me informou o nome da povoação. Acho que percebi bem o nome. Bom, nós partimos às 9h, ele ainda fez 1h40. E aqui estamos em Água Azeitona, são 10h45, e vai sair uma das mulheres com as três crianças. E muita carga. Água Azeitona nem aparece nos mapas, tal como Diogo Grande. Temos 54 km até agora. Poucos minutos depois entrou uma nova passageira: uma mulher com um bebé.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E a partir de agora acabou-se a estrada alcatroada. São 10h54.  Aqui é uma enorme plantação de palmeiras. Daqui se faz o óleo de palma e o vinho de palma. Este tipo de palmeiras chama-se dendezeiro ou palmeira-de-óleo-africana (Elaeis guineensis), a qual só se dá bem com chuva e calor. Leio o seguinte no estudo que já citei da engenheira agrónoma santomense Erizalva Costa: “Esta monocultura apesar de desempenhar um papel importante na economia e na alimentação dos são-tomenses é responsável em parte, pela perda da fertilidade dos solos.”¹

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O motorista Abílio a certa altura foi ali pela direita. A roda direita no trilho de terra, a roda esquerda em cima do passeio, ou margem da estrada, ou sei lá o que é isto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A primeira aparição do magnífico Pico Cão Grande. Vejo na Wikipedia: “O Pico Cão Grande é uma elevação de origem vulcânica, localizada no Parque Natural Obô. Eleva-se acima de 300 m de altura em relação ao solo, sendo que o cume está a 663 m acima do nível do mar.”²

Tenho de cá voltar. Todo este caminho voltarei a fazê-lo em breve, com um táxi só para mim, e com a bicicleta comigo. Hoje estou a fazer a primeira prospeção e o objetivo é o ilhéu das Rolas. Já passei por Água Izé e por São João de Angolares e nem tirei fotos, pois o táxi não parou. Cá voltarei de bicicleta para desbravar estas terras com mais detalhe; me aguarrrrdem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu GPS – mais exatamente a aplicação Maps.me – diz-me que estamos agora a chegar a Monte Mário. São 11h12 e fizemos 64 km até agora. Por duas vezes vi vacas. Não consegui fotografá-las, foi muito rápido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Efetivamente estou a gostar muito deste passeio em táxi-partilhado. As outras passageiras no banco de trás riram-se com o meu entusiasmo ao ver o Pico Cão Grande. “Divertem-se com estas coisas” – disse uma delas, para as outras, referindo-se aos turistas. Todas se riram. E eu muito contente a fotografar tudo.

RUTE NORTE –  cidadã portuguesa que já percorreu o mundo em bicicleta, chegou as ilhas do meio do mundo- São Tomé e Príncipe

 

 

 

    2 comentários

2 comentários

  1. Paulino

    2 de Janeiro de 2020 as 14:23

    Minha amiga, fiz esse percurso em Setembro de Jeep com a minha esposa. Estive à conversa com empregadas da fazenda onde se cultiva o dendem. Gente simpátiquíssima que me aparecia do meio do nada e que ficava à conversa ao logo de todo o percurso. Em Porto Alegre aluguei um bote com o guia Joel e passamos a tarde na praia café no Ilhéu das Rolas. Não vejo o tempo passar para voltar a São Tomé. É de facto um paraíso pelas paisagens, pelo clima, mas principalmente pelas gentes de S. Tomé.

  2. carlos costa

    4 de Janeiro de 2020 as 23:30

    Estive em Novembro 7 dias em Príncipe e 7 dias em S. Tomé, 2019,adorei visitei toda a ilha de Príncipe, Bombom Roças Suni, e
    Belmonte, praias, banana, macaco, a cidade, quase vazia, almoçei em restaurantes aconcelhado, pelo guia, noutra ocasião falo S. Tomé

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo