Cultura

Ponta de véu levantada sobre os versos de “O País de Akendenguê”

Os Anjos Empunharam Cafukas de fogo e cantigas. É o título de um dos poemas da obra literária de São Lima que está a ser apresentada em Portugal. Um poema em memória do jornalista e diplomata que a morte levou, Carlos Teixeira.


Os Anjos Empunharam Cafukas de fogo e cantigas.
Para o Carlos Alberto Teixeira D’Alva
in memoriam

Carlos de Menezes plantou decerto uma palmeira
no peito do poema.
Minha mãe ateia a incrível flor
Lentamente
Como quem perfuma uma oração.
Os lírios narram também esta estranheza
Os olhos de Nette
tão taciturna Lisboa.

A desolação estende ainda uma oferta
de beijo e pobreza

Porém na ilha
Os anjos empunharam cafukas
de fogo e cantigas
e drapejam no morro da infância.

Amigas e amigos, falemos do firmamento
As estrelas no umbral

Esta comprida mesa
abarrotada de klonvesá e de espanto
Perene a taça, o vermelho vinho
de doçura e memória coroado.
Nesta mesa bruxuleiam nossas lendas e enganos
Esta mesa sussurra aguêdês de frio e claridade
Nesta mesa pestaneja a aturdida verdade
A mesa saboreia a nostalgia de uma festa interminável.

Não se despede porém das cantigas esta mesa
Não se despede nunca do seu coração
Este Riboque para sempre vestido de cafukas e assombro.

    24 comentários

24 comentários

  1. Albertino Silva Braganca de Sousa

    4 de Março de 2011 as 20:08

    interessante!

    • Amigo do Teixeira

      8 de Março de 2011 as 23:02

      Lá no mundo da verdade onde ele está, Teixeira deve estar a sorrir. E a cantar uma música de Aider índia.

  2. Buter teatro esquecido

    4 de Março de 2011 as 23:01

    S.Tomé e Príncipe, já tem uma substituta da Alda do Espirito Santo.

    • Fabiano Seitas

      5 de Março de 2011 as 1:23

      Caro Buter,
      Respeito a sua opiniao, mas nao concordo com a mesma. Comparar Sao de Deus Lima, com a imortal Alda do Espirito Santo é uma ofensa e ultraje a historia do país e a memoria colectiva do país.

      Alda e Sao sao de epocas diferentes. Alda é percussora, iniciante “Mae da poesia Santomense“.

      Sao Lima é continuadora. Talvez um dia Sao Lima chegue ao nivel da MAE Alda, mas por enquanto ainda falta muito.

      • Ilha Arquipélago Continente

        6 de Março de 2011 as 11:45

        Alda Espírito Santo continuou Marcelo da Veiga e Francisco José Tenreiro. Também foi uma continuadora.

      • Albertino Silva Braganca de Sousa

        6 de Março de 2011 as 18:28

        é por viver de histórias e regime fechado, e aceitacao cega das coisas, que vvem e pensam muitos como é o teu caso.

        quando Larry Latimer, um negro americano comecou a descobrir a lampada, e a fez durando apenas 15 segundos niniguem falou, mas qdo thomas alva edison veio e avancou o processo, pois consagrou-se-lhe tal feito, entao assim sendo, gostaria de ver-te a abrir a boca e dizer por ai que o Latimer é “o pai da lampada” ; ( se bem que nesse caso em particular, bem deveria se-lo), se o fizeres, queimar-te-ao vivo!

        ahahaahahahahahah.

        foi só um pequeno exemplo a colacao, mas no caso real de stp, a Alda teve o seu mérito, mas nao é insubstituivel. deixa-te de histórias e saudosismo lamurioso.

        A Sao Lima escreve muita bem e tende a superá-la sim, e creio já ter superado.

    • sincereramente

      5 de Março de 2011 as 11:09

      ja mais tera quem subistituira a dona ALDA do ESPIRITO SANTO OK..ELA ERA E E A UNICA…QUE DEUS A TENHA..

      • Ilha Arquipélago Continente

        6 de Março de 2011 as 11:53

        Nenhum criador, nenhum artista substiui outro ou outra. Isso é uma falsa questão. Fernando Pessoa não substituiu nem deixou de substituir Camões. Nada nasce do nada. Se, com a sua obra, o seu testemunho artístico, cada criador contribuir para aumentar o património colectivo, o património do seu povo,da Humanidade, mais não lhe pode ser pedido. O resto são equívocos.

      • Albertino Silva Braganca de Sousa

        6 de Março de 2011 as 18:29

        sinceramente choramingas

        que deus a tenha ou nao, nao é o que se discute. fala-se é de dimensao literária que cada qual atingiu ou tem estado a atingir.

      • VIOGO!

        7 de Março de 2011 as 16:53

        Você um típico santomense. Isso não será obcessão potilica? Como provas que São nunca pode ser como Alda? Nessa matéria não se aplica as paixões pessoais e politicas. Ok!

    • Pedrada no charco

      7 de Março de 2011 as 14:04

      Francamente, não percebo essa obsessiva comparação entre a poetisa Conceição Lima e a poetisa Alda Espírito Santo. Por uma questão de género, talvez? É que, em termos estritamente literários, Conceição Lima dialoga muito é com Francisco José Tenreiro. Leiam os dois com atenção e verão.

  3. Albertino Silva Braganca de Sousa

    5 de Março de 2011 as 9:26

    Eu nem diria substituta, porque embora a mais velha em vida tivesse escrito coisas interessantes, como é o caso do hino nacional, por outro lado, ela tambem plagiava um pouco e á partir de ideias de muitos jovens desconhecidos, pois emergiam algumas das suas obras, de maneira remodelada, com o que extraia do que lhe fora dado a avaliar. sei do que falo e conheco exemplos tácitos disso.

    Creio que a Sao Deus Lima até mesmo supera a senhora Alda.

    • Mina di Célivi

      6 de Março de 2011 as 15:58

      Nestes aspectos, ninguém substitui ninguém…
      cada um trilha(ou) o seu caminho e com mérito próprio ( ou com ajudas de padrinhos!!)…tempos diferentes e oportunidades diferentes…
      Obrigado São, por esta prenda de Páscoa!

      • Ilha Arquipélago Continente

        7 de Março de 2011 as 14:18

        O criador, artista, cujo percurso ou êxito resulta de padrinhos e não de méritos, caiu numa armadilha fútil. Porque em termos artísticos, a máxima instância selectiva chama-se tempo. Por isso, o artista deve manter uma atitude de retraimento e de reserva perante aclamações, mesmo as mais bem intencionadas. O parto do poema exige um círculo de vazio, um círculo de silêncio e de solidão à volta de quem o escreve.

  4. Filipe Samba

    5 de Março de 2011 as 11:56

    Os meus cumprimentos,
    “O País de Akendenguê”
    Do ponto de vista semântica generativa, a palavra Akendengue é da origem (Imbundo, Kimbundo), Akandengue que significa Jovem, Akwandengue= Pessoas de uma Comunidade .
    Por favor, o jornalista poderia ter a subtileza de me aclarar a sua aspiração imaginativa, quanto a palavra em epigrafe .
    Muito obrigado pela sua contribuição no desenvolvimento de obra literaria de São tome e Principe.

    • Ilha Arquipélago Continente

      6 de Março de 2011 as 11:57

      Ir ao google e procurar ‘Pierre Akendengué’.

    • Google Informa

      6 de Março de 2011 as 12:51

      O cantor e músico gabonês, (tb musicólogo, poeta, filósofo e psicólogo) Pierre Akendengue, não cabe estritamente em nenhuma categoria musical existente – razão pela qual, talvez, este talentoso artista nem sempre tenha tido o êxito que merece. Ainda assim, Akendengué imprimiu a sua marca no cenário internacional com ‘Epuguzu’, a definitiva canção africana dos anos 80 e com o lendário ‘Lambarena’, um álbum altamente inovador, no qual, ousadamente, fundiu coros pigmeus com cantatas de J.S. Bach.

      ———

      The Gabonese singer and musician Pierre Akendengué does not fall neatly into any existing musical category – which is perhaps the reason why this talented recording artist has not always enjoyed the success he deserves. Akendengué has, nevertheless, managed to make his mark on the international music scene with “Epuguzu”, the definitive African song of the 80′s, and the legendary “Lambarena”, a highly innovative album on which Akendengué audaciously fused Pygmy chants with Bach’s cantatas

      • Ínsula

        7 de Março de 2011 as 14:45

        Já agora, se puderem, procurem adquirir essa preciosidade, esse disco incrível chamado ‘Lambarena’. Um trabalho que, pura e simplesmente, destruiu a tese de que não existe qualquer correspondência entre a música tradicional africana e a música clássica europeia, nomeadamente os cantos gregorianos.

    • Albertino Silva Braganca de Sousa

      6 de Março de 2011 as 18:31

      bom comentário e obrigaod pela aclaracao feita ao termo, pois já aprendi algo novo.

  5. Constantino Will

    5 de Março de 2011 as 12:34

    Uns dizem que há uma substituta de Alda do Espirito Santo,bem sei que isso são opniões,e temos que as aceitar,eu também as aceito,mas não concordo,por que será que nós não elogiamos o trabalho das pessoas que temos que as comparar com outras,confeço que o poema esta muito bem escrito,mais meus amigos elogiemos o trabalho de quem o tem,nesse caso a São Lima,deixem de fazer comparações.Força ai no seu trabalho,São Lima,escreves bem,não deixes nunca de fazer aquilo que gostas,são elas que nos da vida,a razão,até mesmo o sucesso,um abraço.

  6. Jeka

    6 de Março de 2011 as 11:31

    Estou de acordo com os que dizem, que não devemos comparar coisas incomparáveis. São Deus Lima e Alda do Espírito Santo só têm duas coisas comuns. A terra onde nasceram e o reconhecimento como poetisas. De resto são pessoas diferentes, de épocas diferentes, com sonhos diferentes e emoções diferentes.
    Por outro lado, ninguém tem substituir outrem. É desaconselhavel fazer esse tipo de análise e approach de forma sumária e amadora. Quem quiser comprarar duas poetisas tem de estar tecnicamente preparado para comparar as suas obras, os seus trajetos e tudo o mais. Por isso, não comparem de ânimo leve.
    Jeka.

  7. Trinta Mil Barris

    7 de Março de 2011 as 9:52

    Ninguém é insubstituivel!!!!
    Vamos valorizar o nosso patrimonio literário e artistico.
    “Dá Deus o que é dela e dá César o que é de César”

  8. VIOGO!

    7 de Março de 2011 as 16:44

    Gentes como essas é que são dispensadas pela nossa esclarecida classe politica. Aliás, nas várias instituições do Estado só estão pessoas mais lucidas que São…

  9. filipina escort dubai

    24 de Dezembro de 2012 as 14:23

    Necessidade de manter testando meu blog. Não funciona como eu quero que ela ainda. Obrigado pelo tema. Talvez isto vai ter o meu olhar melhor.

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