
O acordo de concessão é válido por 25 anos. A direcção da empresa belga prometeu que os trabalhos iniciam dentro de duas semanas. A antiga empresa de óleos vegetais EMOLVE, localizada no sul de São Tomé, é um dos alvos do projecto. Os vários hectares de palmeiras que na década de 80 garantiram milhares de toneladas de óleo alimentar, vão ser reabilitados com a introdução de novas plantas.

São as três fases importantes do projecto. A terceira fase que tem a ver com o apoio financeiro as aldeias dos agricultores, refere-se ao envolvimento de pequenos agricultores independentes no projecto.
O ministro da agricultura e desenvolvimento rural Xavier Mendes, detalhou as vantagens do projecto. «Criando cerca de 1000 postos de empregos directos, cerca de 700 em São Tomé e 200 na Região autónoma do Príncipe. Levará a uma melhor habitabilidade construindo habitações para os trabalhadores, levará aumento do parque escolar no mundo rural com a construção de novas salas de aulas no mundo rural, em concertação com o ministério da educação, levará a uma maior cobertura sanitária no mundo rural com a edificação de postos sanitários em concertação com o ministério da saúde», sublinhou o ministro.
Virado para o desenvolvimento integrado, o projecto agro-industrial, vai promover a produção de detergentes e sabão, com base na matéria-prima local. Uma acção com impacto na balança comercial e de pagamentos. «Pois muitos produtos que importamos hoje como óleo refinado, sabão e detergentes deixaremos de importar», acrescentou Xavier Mendes.

A SOCFINCO, garante que o seu investimento é estratégico. O estudo de viabilidade económica foi feito, tomando em consideração o mercado sub-regional e mundial. « Há carência de óleo alimentar em África, que importa óleo de soja dos Estados Unidos e da Europa, ou óleo e oliveira, e do extremo oriente importa-se óleo de palma. Actualmente na Europa o consumo de óleo vegetal é de 50 quilos por pessoa o mesmo nos Estados Unidos. Na África está em 22 quilos. Quer dizer que dentro de 10 ou 20 anos o consumo no planeta terra vai aumentar. Apesar da palmeira de óleo ser de origem africana já se regista uma penúria de óleo na Nigéria, nos Camarões, na Guiné, na Libéria», afirmou o chefe da empresa, para depois reforçar que «vamos fazer algo estratégico. Primeiro abastecer o mercado local».
Com o mercado nacional abastecido, a estratégia será de conquista do mercado internacional, que segundo a SOCFINCO, registará uma acentuada penúria de óleo alimentar nos próximos 10 anos. «A superprodução que se regista actualmente de óleo de palma na Ásia, é escoada para África, mas daqui há 10 anos a produção da Ásia vai ser insuficiente para a sua população. Portanto este projecto se enquadra no desenvolvimento regional, e é uma escolha estratégica para o país, que vai ser auto-suficiente em óleo e também assegurar a exportação para todo o continente», concluiu.
O governo são-tomense considera o projecto agro-industrial, lançado quarta-feira, como uma alavanca para o desenvolvimento económico e social de toda a região sul da ilha de São Tomé e da região autónoma do Príncipe. Duas regiões onde segundo o governo os índices de pobreza são mais preocupantes.
Abel Veiga