22 de abril assinala o Dia da Cidade de São Tomé. Passados 491 anos sobre a sua elevação à categoria de cidade, a capital de São Tomé e Príncipe enfrenta hoje enormes desafios.
“Um dos principais é a mobilidade, marcada pela intensa pressão do tráfego. A cidade enfrenta igualmente problemas recorrentes de cheias, agravados pelas fortes chuvadas e pelo aumento da precipitação, que expõem a fragilidade da drenagem das águas pluviais”, apontou o arquiteto Eudes Aguiar.

São Tomé já foi reconhecida como uma das cidades mais belas da costa ocidental africana; contudo, atualmente, muitos cidadãos encaram a capital com desilusão perante a sua realidade.
“Isso já não é uma cidade. Transformámos São Tomé num palco de quiosques e contentores. Não temos infraestrutura recreativa. Deveríamos ter até uma piscina, como houve em tempos; o nosso estádio de futebol está em degradação, o único cinema, outro símbolo da cidade também se encontra degradado, e o mercado municipal, outrora espelho da capital, foi encerrado. Perdemos a nossa cidade”, desabafou Nelson Carvalho, diretor de Descentralização.
“Deparamo-nos diariamente com a questão do lixo, que me entristece enquanto jovem”, lamentou Carla Patrícia Neto.

A solução para os problemas da cidade de São Tomé já foi delineada; o que permanece em falta é a sua efetiva implementação.
“A nossa cidade dispõe de um plano de ordenamento urbanístico, concebido há já algum tempo. O que importa agora é implementá-lo e mobilizar possíveis financiadores. Isto é essencial”, sublinhou Maximino Carlos, jornalista.
No Dia da Cidade, feriado no distrito que acolhe a capital do país, a ONG Daki promoveu o primeiro fórum subordinado ao tema “Pensar a Cidade de São Tomé”.
“É antiga, mas falta-lhe amor, carinho; falta repensar a saúde geral da nossa cidade”, defendeu Jasy Ramos, presidente da ONG.
São Tomé foi elevada à categoria de cidade em 1535, por carta régia de D. João III, rei de Portugal.
José Bouças