Em São Tomé e Príncipe, muitas crianças com necessidades educativas especiais continuam sem estar devidamente sinalizadas.
“A família não quer declarar que tem uma pessoa com deficiência em casa e muitas vezes estas crianças acabam por ficar fechadas”, explicou Ana Maria Costa, diretora do Gabinete do Ensino Especial.
Os dados disponíveis apontam para mais de duzentas crianças que permanecem sem acesso ao ensino especial.
“Muitas vezes, perante a existência de uma criança com deficiência, as famílias acabam por considerar que a prioridade deve ser dada aos outros irmãos. Pensam que não vale a pena investir naquela criança, por acreditarem que não terá futuro”, acrescentou a responsável.
Para responder aos desafios da plena integração e inclusão, foi elaborada, com o apoio do Instituto Politécnico de Bragança, uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento da Educação Especial.
“O projeto terá uma grande dimensão de formação de técnicos, com vista à criação de equipas especializadas para o trabalho na área da educação inclusiva. Vamos também investir na produção de comunicação dirigida à comunidade e à sociedade, para chamar a atenção para este desígnio nacional. Haverá igualmente investimento em apetrechamento técnico e tecnológico das instituições, nomeadamente jardins de infância e escolas, para que as equipas multidisciplinares possam trabalhar com ferramentas adequadas”, destacou Carlos Teixeira, diretor de Educação do Instituto Politécnico de Bragança.
A concretização desta estratégia exige o envolvimento das famílias, das escolas e das instituições, para que a educação especial se torne uma realidade efetiva no país. “Quando as pessoas começarem a perceber que a educação especial é uma área que requer envolvimento transversal, o processo será muito mais fácil”, sublinhou Ana Maria Costa.
O projeto conta com financiamento do Banco Mundial.
José Bouças