Desde a instalação da II República em 1991 que São Tomé e Príncipe não consegue sozinho suportar os custos da democracia.
Alguns parceiros bilaterais africanos, e principalmente o governo do Japão foram sempre os financiadores da realização na prática da democracia no país. Assim aconteceu nas eleições presidenciais de 2021 e nas legislativas e locais de 2022.
A realização das eleições presidenciais de 19 de julho de 2026 foi suportada na plenitude com fundos concedidos pelo governo do Japão, em mais de 2 milhões de euros.

No entanto, no último fim de semana a Comissão Eleitoral Nacional reuniu-se com os partidos políticos que concorrem às eleições legislativas, regional e autárquicas de 27 de setembro próximo. O Presidente da CEN avisou que não há dinheiro para a realização das eleições.
«Contrariamente ao que os partidos políticos pensavam que já havia condições financeiras e logísticas para as eleições… dissemos que não, que para as eleições legislativas, autárquicas e regional, ainda não existem recursos para garantir a realização dessas eleições», afirmou Jeudiger Nascimento.
Sem fundos para novas eleições, e com dívidas acumuladas ainda por pagar das eleições presidenciais de 19 de julho.
«O apoio que nós tivemos do Japão foi apenas para as eleições presidenciais, e mesmo para essas eleições presidenciais ainda faltam recursos para fecharmos o pagamento de algumas dívidas, nomeadamente com os membros da comissão eleitoral, com a renda das sedes eleitorais, e com algumas viaturas», explicou o Presidente da Comissão Eleitoral Nacional.
Para as eleições de 27 de setembroJeudiger Nascimento reforçou que «em termos financeiros temos zero dobras para as eleições legislativas, autárquicas e regional».

Os custos da democracia são insuportáveis para o Estado são-tomense. São necessários cerca de mais 2 milhões de euros para a realização das eleições legislativas, regional e autárquicas. Numa altura em que a CEN está entulhada de dívidas resultantes das eleições presidenciais de julho último.
«Para as eleições legislativas a impressão das candidaturas implica a compra de tinteiros, …mas nós já estamos com dívidas com os fornecedores, e então como é que vamos continuar a aumentar as dívidas», desabafou o Presidente da Comissão Eleitoral Nacional.
Segundo a Comissão Eleitoral Nacional, cabe ao governo decidir sobre a alocação da verba necessária para pagar as dívidas das eleições presidenciais e garantir a realização das eleições para os poderes legislativo e autárquico.
Abel Veiga