O Primeiro-Ministro Américo Ramos reconheceu esta quarta-feira a existência de fragilidades nas infraestruturas, escassez de equipamentos básicos e sinais de desmotivação acumulados nas Forças Armadas de São Tomé e Príncipe, durante uma visita ao Quartel do Morro, onde afirmou que o Governo está empenhado em mobilizar recursos junto de parceiros internacionais para modernizar as capacidades de defesa e segurança do país.
A visita, realizada a 12 de agosto, visava a linhar as directrizes do poder político com o comando operacional das forças armadas em matéria de segurança e soberania.
Supervisionar o andamento de projectos, o bem-estar dos efectivos e o estado dos diferentes estruturas e serviços das Forças Armadas.

Américo Ramos afirmou que, embora tenha sido a sua primeira visita formal ao Estado-Maior e ao Exército ao fim de 19 meses de governação, essa ausência protocolar não significou falta de atenção às Forças Armadas.
“Quero que saibam que os silêncios de protocolos não significou ausências de reconhecimentos, pelo contrário, as forças armadas de São Tomé e Príncipe, estiveram sempre no centro das preocupações estratégicas do governo”, garantiu Américo Ramos, apontando como prova dessa atenção o relatório de revisão do sector da segurança e defesa, recentemente concluído sob a alçada do seu gabinete e aprovado pelo Conselho de Ministros.
“Mais do que um elemento administrativo, este relatório é o espelho honesto e cru das vossas necessidades. Ele reconhece que todo vós sentem o dia a dia, o estado precário de muito quartéis, e o sentido de desmotivação acumulado por anos, por falta de perspectivas”, realçou o Primeiro-ministro, quando referia que apesar das restrições orçamentais e dos choques financeiros externos, o Governo tem procurado avançar com medidas de valorização dos militares, nomeadamente através das progressões na carreira contribuindo assim para a reposição da justiça interna e da meritocracia dentro da instituição militar.
“Sabemos que a vossa expectactivas são enormes mais garanto-vos que a vossa vontade de vencer obstáculos é ainda maior. Estamos empenhados com a mobilização de recursos junto dos nossos parceiros internacionais para modernizar infraestruturas desde a defesa costeira até a reabilitação das unidades terrestres”, disse, e apontou a preocupação com a capacidade de defesa marítima foi relacionada pelo Primeiro-Ministro com a dimensão da Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, cuja proteção considera parte importante da missão das Forças Armadas.

“O vosso papel é vital num país com a zona económica exclusiva 160 vezes superior a sua área terrestre. Apelo por isso, que continuem a dar o vosso contributo inestimável para um país, melhor. As forças armadas de São Tomé e Príncipe são maiores doadores de sangue da nação, e um apoio em cada catastrofe que nos assola”, disse.
Américo Ramos defendeu, contudo, que a reforma das Forças Armadas não deve ser entendida apenas como uma questão de equipamentos, infraestruturas ou recursos financeiros.
O Primeiro-Ministro afirmou que a missão da instituição vai além da assistência em situações de crise e catástrofe, abrangendo também o cumprimento rigoroso dos deveres assumidos perante a bandeira nacional.
“Cada gesto de disciplina e cada acto de lealdade e postura de isenção são tijolos preciosos na construção da credibilização desta instituição”, sublinhou o Américo Ramos quando dizia que o país precisa confiar plenamente nas suas Forças Armadas e cada um dos militares é o rosto dessa confiança perante o serviço povo.

Américo Ramos reconheceu que o processo de reforma será exigente, mas assegurou aos militares que não estarão sozinhos perante os desafios.
“A caminhada da reforma será exigente, mais quero assegurar-vos que não farão sozinhos, vamos juntos superar os desafios”, declarou Américo Ramos.
Há um mês da realização legislativa, autárquicas e regional, Américo Ramos procura com esta sua deslocação as forças armadas responder de forma célere a eventuais ameaças à ordem pública, instabilidade política ou situações de emergência nacional.
E igualmente, fazer uma avaliação de prontidão operacional ou o acompanhamento de medidas de segurança e de infraestruturas afectas à defesa.
“Vocês como virão, fiz a visita ao estado maior, ao exército, e pelo que vi, apesar dos escassos recursos, a instituição esta organizada e esta a fazer o seu papel de acordo com as suas competências”, finalizou Américo Ramos.
A visita ao Quartel do Morro incluiu a passagem por várias estruturas militares, entre as quais a Banda de Música, casernas, áreas de Polícia Militar e Feminina, Engenharia Militar, Infantaria, Artilharia, Logística e outras unidades de apoio. O programa contemplou ainda visitas à enfermaria, ao campo de futebol, à área de agropecuária, ao refeitório, cozinha e oficina.
A visita do primeiro ministro tinha também como objectivo conhecer, no terreno, diferentes estruturas e áreas de funcionamento das Forças Armadas e receber informações sobre a sua situação operacional e logística.
Waley Quaresma