Na quarta-feira e a dois passos do Eclipse Total do Sol que escureceu parte de Espanha, o país em discórdia jurídica com a pequenez geografia insular do Equador, pessoalmente, suado pelas ondas do calor na sua quinta vaga a escaldar o verão europeu com as milhares de baixas humanas, subi calças à tribuna de um ambiente restrito ao contraditório para dar pincelada na bronca da república.
Que nem a raposa, desviado da ventania escandalosa do trio sexista parlamentar, executivo e judiciário, com um pé atrás e algum receio, lancei ao sorteio democrático algo que sensibiliza os saldos desta “gravana”, óbvio, crente em não animar a banda. Qual o maior político do país?
Sem margens de perspicácia, todos engoliram a isca e como previsto, para valer pujança ao aclamado, serviram-se de gargalhada ruidosa como que a maioria à semelhança de Abnilde Oliveira, sem a exigente literatura política de outros tempos, quisesse ser recordada à imagem arbitrária do galardoado. Não sou de entregar a bandeira. A porca torceu o rabo com a questão atrelada. Quem reconhece uma única faixa de ar fresco à economia das ilhas que sustente o voto fácil?
Engasgaram-se em cadeia, valendo-lhes uma falsa tosse. Com os pés no chão, envaidecidos, e em especial, os da onda azul, no juramento de consciência, desfilaram-se num cortejo infindável de boas intenções e domínio de afinidade internacional do escrutinado. Até Vaticano que o publicitado, muçulmano confesso, esteve com o Papa Francisco para lhe higienizar a alma enodoada de sangue das quatro vítimas do homicídio do Estado, decorrido no dia 25 de Novembro de 2022, surgiu na sustentabilidade do vencedor do espetacular Estado democrático do Direito.
Perdido duas décadas de gestão da política partidária e nacional, a recente oratória cabisbaixa de entrega da faixa ao líder de circunstância e 1º ministro, Américo Ramos, como o fim de um ciclo político, foi imbecilmente aplaudida. O manifesto de habitual hipocrisia, mea-culpa convulsiva, renovação partidária, há muito prometida e até já – «olhos bem famintos, logo-logo, estarei de volta!» – sem felicitar o vencedor presidencial, conduta que sempre praguejou aos adversários nas primeiras horas de segunda-feira, pós eleitoral, serviu de estímulo triunfante aos interlocutores.
Daí que qualquer subterfúgio na política, não raras apreciações, passa apenas de estratégias para vender aos cegos e oportunistas apostados em banalidades que tragam proveitos individuais ou de grupos, a ponto de sensibilizarem, investirem e juntarem a multidão nas trovoadas sazonais para medir a pulsação do afortunado aventureiro junto do eleitorado. Bati mãos nas consciências. As recentes caravanas nas vergonhosas e desprestigiantes badaladas do rebanho de ADI, alguns quadros de competência reconhecida que exercem ou exerceram cargos de relevância máxima do poder parlamentar, executivo e judiciário, colorindo e fazendo festinha suspeita na “bunda” do menino Nito d’Abreu, enquanto “carona” presidencial ganha por Carlos Vila Nova, é sinal evidente de pobreza do espírito banhado na lamacenta zona oportunista do acerto de contas, seriamente, sob a escuridão de suicídio coletivo. Abnilde Oliveira, vale tarde e nunca, após a longa curvatura e cegueira, malabarista e de pretensão duvidosa, pôs os pés na estrada enquanto era tempo.
Como a narrativa intelectual interna e na diáspora reconhecer o maior político do país, num autor que jamais debateu a política económica e social de São Tomé e Príncipe com a elite que elege de inimiga? Foge do centro dos debates nacionais; identifica a dedo os jornalistas para entrevistas; divorcia-se do parlamento, quer nas chefias do poder executivo ou na oposição; abate o contraditório democrático da agenda partidária; esgota a carne e não larga a vaca que não dá leite; dá o dito por não dito e distancia-se física e permanente de alaridos e aflição do povo.
Toda a estratégia desenhada para a preservação da imagem amável, distante de confronto político com as várias frentes democráticas, por bebedeira coletiva, vem produzindo mais uva. Ainda assim, deveras insultuoso, é assistir os são-tomenses de fato, gravata, caneta e microfone a naufragarem na academia do analfabetismo, oferecendo palco à ignorância, submissão e baixeza, apenas para a satisfação do egoísmo privado. O maior político do país, ao certo, não é aquele cidadão que dá de costas à nação, não oferecendo peito à elite para ser avaliado nos debates, cara-a-cara, mesmo na perspetiva das grandes questões e opções do país para o desenvolvimento.
Com os lábios adversários engolidos, pedi mais uma rodada reservada à essência da atualidade. Mas antes. Dividimos pela metade o desvio triangular ao futuro eleitoral. A malta, apesar do parlamento sem pedalada, convergiu nos dois bombeiros do maior partido da oposição que Américo Barros, somente num contexto de ilusionismo ganhador, ter a pretensão de correr atrás de prejuízos para o MLSTP, agendando descartar os “camaradas”. Elegi a prestação de Wando Castro, quem após um abanão, foi o ideal defensor e porta-voz legislativo do povo. Raul Cardoso, suspeito, ainda assim, ofereci a lucidez intelectual, o contraditório democrático e a harmonia das suas intervenções até na clarificação das grandes opções para o país. Valeu a dupla, o arcabouço de vir a presidir o parlamento de elegância que possa permitir alguma luz legislativa ao fundo da treva parlamentar e não, o refúgio às benesses, inutilidades e imunidades. Já Edite Ten Jua, a antiga titular dos Negócios Estrangeiros, no equilíbrio de géneros e seguindo a Lei de Paridade de novembro de 2022 (dores de estômago masculino), configurei na mais valia da disputa do prestigiado cargo parlamentar de segunda figura da Nação.
Por fim, peça por peça, esmagamos o chefe do Estado apanhado na fumaça do partido de Abnilde Oliveira. Mas por que pacto, o engenheiro Carlos Vila Nova, o restaurado vigário de todos os são-tomenses, não estala o vidro? Tingido no lamaçal da onda azul, sem se acomodar na cadeira presidencial, no mínimo, os são-tomenses merecem um gemido da alta magistratura presidencial.
Na separação dos poderes clarificados no Livro Constitucional, o puxão de orelhas ao presidente do parlamento e o pedido de cabeça do ministro deveriam constar na explanação presidencial da passada semana. O mais alto Magistrado viaja atrasado na deriva do «País em Primeiro Lugar».
Apesar de luxuosa, é censurável a invasão da residência da presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Abnilde Oliveira, presidente do Parlamento, Jourceli Tiny dos Ramos, o ministro do Trabalho e Segurança Social e Hamilton Vaz, o advogado do encarcerado Ignácio Purcell Mena, o cidadão chileno no holofote da justiça internacional por um alegado crime fiscal, em Espanha, acima de trezentos milhões de euros, os três protagonistas nacionais, estão conscientes de terem acertado o tiro nas próprias pernas fazendo valer do sexismo.
Todavia, tendo as ilhas sido sorteadas pelo chileno para o refúgio tropical, das suspeitas avulsas, financeiras e políticas afetas ao Partido Nossa Terra, o milionário encheu bolsos à corrupção, através do finca-pé do auto amigo, Abnilde Oliveira. No âmbito da cooperação internacional com a Espanha, o Estado são-tomense deve fazer valer do trunfo humano e financeiro. O valor reclamado deve ser no controlo da lupa, investido em São Tomé e Príncipe. Não havendo extradição com Espanha, cuja pena é superior que a aplicada para o mesmo cumulo criminal, em São Tomé e Príncipe, o alegado infrator deveria ficar assim livre de qualquer acusação por ajudar a visibilidade do turismo das ilhas e os desígnios da UNESCO com a recuperação das históricas infraestruturas das seis antigas roças coloniais, enquanto galardoadas recentes de Patrimónios da Humanidade.
Do jeito, combinando as várias peripécias ao longo da legislatura, os assédios à presidente do Parlamento, Celmira Sacramento, alimentaram chá à cólera do colega do partido e vice-presidente parlamentar. O lance oportuno do vice-parlamentar, na época, devidamente premeditado, apanhou os gritos subversivos de ADI de calças na mão. O representante independente, confiante no golpe, conquistou os deputados da oposição, associando-lhes ao despejo cabisbaixo da presidente. Consagrou-se, em fevereiro passado, ao mais alto posto legislativo. De cultura sexista, “Quem de uso, não descusa!” voltou à carga. Largou o gabinete laboral, valiosamente remunerado pelo suor diário da maioria populacional, vulnerável, e liderou invasão institucional ao ambiente privado da Presidente do Supremo Tribunal da Justiça, a magistrada Eurídice Dias, para mais um assédio e abuso do poder com a cumplicidade parlamentar silenciosa do MLSTP e de BASTA.
Até prova contrária, nenhum figurante masculino, por mais mascarado de ousadia anti-constitucional e deriva democrática, veria o estatuto, a dignidade e a performance pública a serem assaltados e violados pelos adversários ou alguém investido de conveniência individual ou de grupo.
O auditório sexista silenciado por mim, graças à humilde lucidez democrática, vergou-se à carta que eu escondia debaixo da língua para dar o último gole. A Mulher deveria ser avaliada por aquilo que faz. Lamentavelmente, para as más memórias universais, ela continua a ser vista no que é; a mulher.
José Maria Cardoso
15.08.2026