Sociedade

Idosos santomenses: vidas esquecidas, apoios insuficientes

Os desafios da terceira idade em São Tomé e Príncipe são vastos e exigem respostas urgentes. A adoção de políticas públicas voltadas para a proteção dos idosos impõe-se como uma necessidade inadiável. No arquipélago, milhares de pessoas com mais de 65 anos vivem mergulhadas na extrema pobreza, muitas delas relegadas ao abandono.

Manuel Sacramento, de 79 anos, pai de quatro filhos, viu-se há dois anos, por vicissitudes da vida, acolhido no Lar Simoa Godinho, na cidade de São Tomé.

“Quando o pai é pobre não tem ninguém, quando é rico fica tudo bem, mas eu conforto”, lamentou.

Tal como Manuel, muitos outros idosos encontram neste espaço, gerido pela Santa Casa da Misericórdia e apoiado pela cooperação portuguesa, pelo Governo santomense e por pessoas de boa vontade, um refúgio em regime de internato. “Temos capacidade para 91 e estamos a 94 e não podemos ir mais do que isso”, disse Elsa Viana, diretora do lar.

Grande parte dos residentes chega em situação de abandono, frequentemente marcada por maus-tratos.

“Idosos que são apelidados de feiticeiros nas suas comunidades e, a partir desse momento, são rejeitados; muitos até chegam a ser eliminados”, sublinhou.

As estatísticas revelam que em São Tomé e Príncipe vivem cerca de nove mil pessoas com mais de 65 anos, grande parte em condições de extrema pobreza.

“Temos da segurança social contributiva por volta de seis mil pensionistas e, na segurança social não contributiva — ou proteção social de cidadania — neste momento apoiamos três mil e quarenta e cinco idosos”, explicou Núria de Ceita, diretora de Proteção Social, Solidariedade e Família.

Os que integram a proteção social não contributiva recebem do Estado um apoio quase simbólico: cerca de 19,5 euros a cada três meses.

“Estamos a falar de 480 dobras trimestrais, o que dá cerca de 160 dobras por mês”, acrescentou Núria Ceita.

Os desafios da terceira idade são imensos e a urgência de políticas públicas direcionadas à proteção dos idosos impõe-se como uma necessidade inadiável para o país.

José Bouças

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