Política

Gasolina devolveu vida a cidade de São Tomé mas, os taxistas e motoqueiros exigem a solução governativa

O moto-táxi conquistou o estatuto de principal meio de transporte de pessoas e de mercadorias no país. São cerca de 6 mil homens que se dedicam ao transporte de pessoas e bens. Nos últimos 15 dias não puderam trabalhar por causa da ruptura do stock da gasolina.

As ruas da capital São Tomé e as estradas dos distritos ficaram mais frias, sem a movimentação em alta velocidade dos moto-táxis.

«Vou retomar as minhas actividades a partir de hoje, e com muita dívida atrasada. Tudo por causa do governo. É que entre os motoqueiros fazemos semanalmente o Xiquilá. Nas últimas duas semanas não pude pagar. Significa que tenho 2 mil dobras em dívida», afirmou o motoqueiro João Paulo de Moura.

Na praça de táxis a movimentação começou nas primeiras horas de quinta – feira. Cabral Lima, taxista que liga a cidade capital à Bobô Fôrro, reclamou o facto de 22 de outubro ser o seu dia zero no serviço de táxis.

«Eu tinha 1500 dobras em casa para abastecer o carro. Peguei esse dinheiro e comi, porque não poderia ficar com fome em casa. Ao invés de pôr 15 litros de gasolina no carro, só pus 5 litros, porque tive de comer o dinheiro. Estou a começar do zero», pontuou.

Para os taxistas e motoqueiros a chegada da gasolina não é solução para todos os problemas que o país enfrenta nesta altura. Consideram que há um outro problema a ser resolvido de urgência, para que o país possa funcionar melhor.

«Estamos a resolver um problema agora, mas temos outro problema para resolver daqui para frente que é a formação do governo», declarou o motoqueiro João Paulo de Moura.

Já o taxista Cabral Lima questionou o facto de o país não ter um novo governo em funções, após as eleições legislativas de 27 de setembro.

«As eleições já terminaram, e porquê que não formam o governo? Ouvi no telejornal que deram 30 dias para formar o governo, porquê?  Que conflito existe entre eles, que não podem formar governo para resolver o problema do povo?», interrogou.

O motoqueiro João Paulo de Moura replicou sobre a necessidade de atender as necessidades do povo, nomeadamente o fornecimento atempado dos combustíveis.

«O governo tem uma lição agora, que é estar atento para prevenir a importação dos combustíveis», frisou.

O taxista Cabral preferiu apontar o dedo à classe política dirigente pela situação de rotura dos combustíveis.

«Eles sabiam que o combustível estava a acabar. Com essa história de eleição presidencial e legislativa, eles abandonaram o serviço e foram para o terreno», denunciou o taxista.

Cabral Lima acusou os dirigentes do Estado de terem optado pela caça ao voto ao invés de resolver os problemas do povo.

«Quem é Presidente abandonou o gabinete, quem é ministro já não parou no gabinete porque estão na campanha. Ao invés de se preocuparem com os combustíveis que estavam a acabar, preferiram concentrar-se no serviço de campanha. E quem ficou a perder? o Povo claro», concluiu.

O novo carregamento da gasolina trouxe energia à vida social e económica do país.

Abel Veiga   

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