Cultura

Atelier M, uma escola para as artes em São Tomé

O conceituado artista plástico Kwame de Sousa criou uma escola informal de artes que é o único programa de educação artística no país.

 Kwame de Sousa fez parte da sua formação em Lisboa no Ar.Co – Centro de arte e comunicação visual e o modelo inspirou-o a criar o Atelier M. O desejo inicial foi o de criar um centro de referência como contributo para o desenvolvimento das artes.

O artista idealizou o projeto, construiu de raíz o edifício para a escola e arquitetou a componente de formação, tudo com os seus próprios recursos. “Construí este projeto com a venda dos meus trabalhos. A ideia surgiu-me quando ainda estava a viver e a trabalhar em Amesterdão, onde ficava a galeria que me representava na altura. Muitos amigos compraram os meus trabalhos para que eu tivesse mais dinheiro para fazer as obras e dar início ao projeto” refere Kwame de Sousa.

“Há um programa a cumprir”

Os alunos que concorrem ao Atelier M devem ter o 9.º ano completo e continuar os seus estudos no ensino secundário. A formação artística do Atelier é de três anos, na área da pintura, escultura e desenho, (e atualmente há um aluno a seguir a área da fotografia) sendo o último ano destinado à preparação do projeto final individual de cada aluno.

Apesar de ser um projeto piloto e estar ainda numa fase inicial, o artista são-tomense exige dedicação e trabalho por parte dos alunos. “Não se trata de uma ocupação de tempos livres, há um programa a cumprir, com aulas teóricas de inglês, português e história de arte, por exemplo, além das aulas práticas. As turmas são constituídas por nove alunos por ano, separados em dois grupos nas aulas práticas. Não podemos ter mais que nove alunos porque estes cursos são muito caros. O Atelier fornece tudo, os alunos não pagam rigorosamente nada.”

Além da formação, o Atelier M recebe artistas dos EUA, Holanda, Cabo Verde e Portugal para residências artísticas em São Tomé e que apoiam a formação dos alunos, permitindo o contacto com novas realidades e expressões artísticas. “Construí ao lado do ateliê, uma zona de residências para os professores que vêm de fora. São artistas que conheço e com os quais tenho relações. Acham interessante o projeto e aceitam colaborar.”

Fonte : Fundação Calouste Gulbenkian 

    2 comentários

2 comentários

  1. Púmbu

    22 de Janeiro de 2021 as 20:05

    Viva.
    E simplesmente VIVA!

  2. Alain

    25 de Janeiro de 2021 as 16:06

    Parabéns Kwame. Espero que vais conseguir todo o apoio de que precisas para manter este maravilhoso projeto. Muitos jovens artistas (e não só) precisam de treino (para ganhar qualidade) e de desenvolvimento profissional (para entender melhor os mercados por ali fora). Viver em São-Tomé e trabalhar como artista ao nível internacional é absolutamente válido.

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