Autor: Zhu Jingtian
Apresentadora, CGTN Francês
Em Qufu, berço do confucionismo, abriu-se o 11o Fórum de Nishan sobre as civilizações mundiais. Em um mundo marcado por conflitos e desconfiança, o pensamento confuciano inspira uma nova forma de diálogo.
O pesquisador argentino Eduardo Daniel Oviedo, professor da Universidade Nacional de Rosário e pesquisador principal do CONICET, vê no confucionismo uma resposta pertinente aos desafios contemporâneos. Segundo ele, num contexto internacional dominado pelo ressurgimento do protecionismo econômico, os estudiosos confucianos trazem uma nova resposta. Do ponto de vista político, diz ele, todos os países continuam buscando seus próprios interesses. No entanto, do ponto de vista confuciano, a busca dos interesses é diferente: visa o “princípio moral” mais que o “lucro”, o que dá origem à concepção da justiça e do lucro. Esta concepção não existe no estrangeiro, porque os outros países procuram o lucro e não a justiça.

O confucionismo oferece soluções para os desafios globais, especialmente porque não se opõe às civilizações ocidentais. Pelo contrário, existem valores compartilhados que permitem uma ressonância.

É o que lembrou Gao Jinping, diretora do Instituto Internacional da Cultura Chinesa na Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim. Para ela, algumas das ideias pedagógicas de Confúcio, como “educação para todos” e “um ensino adaptado a cada aluno”, ressoam particularmente no contexto atual do desenvolvimento educacional mundial, especialmente nos países do Sul. Ela também enfatiza que os princípios éticos confucionistas continuam essenciais para a construção de um mundo harmonioso.

Além dos desafios globais, o pensamento confuciano também é uma ponte para uma melhor compreensão entre as civilizações.
É o que ilustrou a professora Bai Zhimin, da Universidade de La Rochelle, baseando-se numa experiência pedagógica concreta. Ao projetar um filme sino-francês intitulado «L’Amphitrite» para seus alunos, ela observou um efeito imediato: os estudantes franceses começaram a se interessar mais por sua própria história, assim como os estudantes chineses desenvolveram um interesse renovado pela dinastia Qing. Segundo ela, isso serve como um trampolim para uma compreensão mais profunda, incluindo o pensamento confuciano. É neste movimento de aproximação progressiva, diz ela, que pode nascer um verdadeiro interesse intelectual por sistemas de pensamento diferentes.

Em Nishan, as civilizações não se confrontam: dialogam. E a sabedoria de Confúcio, com mais de dois mil anos, continua iluminando os caminhos do mundo contemporâneo.
Fonte : CGTN