Cultura

Cineasta Jessica Lima é a única representante de STP na 5ª edição do Atelier Mutamba, em Luanda

A cineasta santomense Jéssica Lima foi selecionada para integrar a 5ª edição do Atelier Mutamba – Programa de Residência Artística, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. A edição de 2026 terá lugar em Luanda, Angola, entre 28 de fevereiro e 8 de abril de 2026.

Nesta edição, foram selecionados apenas cinco artistas: três angolanos, um moçambicano e uma artista de São Tomé e Príncipe, posição ocupada por Jéssica, tornando-se assim a única representante santomense nesta edição do programa.

O Ateliê Mutamba é dedicado à investigação, criação e difusão artística contemporânea, com foco no cinema e no audiovisual, promovendo a experimentação interdisciplinar e o diálogo com o contexto urbano e sociocultural da cidade de Luanda. O programa decorre no histórico Hotel Globo, hoje transformado num importante polo cultural da capital angolana.

Com a duração de seis semanas, inclui acompanhamento curatorial, mentoria especializada, apoio à produção de uma obra audiovisual e culmina numa apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos. A edição de 2026 conta com a curadoria de Ery Claver.

Com percurso internacional e atualmente a desenvolver trabalho no espaço lusófono africano, Jéssica tem vindo a dedicar-se ao documentário, explorando narrativas intimistas ligadas à identidade, diáspora e questões sociais contemporâneas. A sua seleção representa um passo significativo no seu percurso artístico e reforça a presença de jovens criadores santomenses em espaços internacionais de formação e criação audiovisual.

Vejo esta residência como uma oportunidade de aprofundar o meu conhecimento, fortalecer conexões e dialogar com outras realidades africanas, num momento em que as narrativas sobre identidade, diáspora e construção coletiva se tornam cada vez mais urgentes, particularmente no contexto são-tomense», afirmou a cineasta.

Jessica Lima considera o cinema e o audiovisual como ferramentas que podem ligar a consciência nacional às raízes do passado, e despertar a sociedade são-tomense para uma reflexão crítica sobre o futuro «que queremos construir enquanto sociedade».

A identidade nacional é o grande valor a ser reabilitado e promovido. «O projeto que pretendo desenvolver durante este programa dialoga com temas como herança cultural, linhagem, e os valores que transmitimos de geração em geração. Interessa-me explorar como essas continuidades e rupturas moldam a nossa identidade coletiva”, frisou a cineasta são-tomense.

A participação nesta edição do Atelier Mutamba contribui para o fortalecimento das pontes culturais entre São Tomé e Príncipe e outros contextos lusófonos, ampliando a visibilidade do talento santomense no panorama artístico africano contemporâneo.

O leitor tem acesso a um dos documentários produzidos pela Cineasta Jessica Lima :

Abel Veiga

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