Desporto

AGATE: O salto de São Tomé que deu ouro a Portugal

Nasceu no bairro de Fruta – Fruta nos arredores da cidade de São Tomé. Cresceu a comer a fruta pão, banana, safú, etc e sem esquecer da jaca. Frutos naturais que dão energia a identidade são-tomense.

Segundo Albertino Sousa, pai da campeã do mundo de salto em comprimento, Agate, nascida no ano 2000, era uma menina humilde dedicada aos estudos e ao treino.

«O talento começa a revelar-se na escola onde ela se inseriu num grupo de treino no estádio 12 de julho. Sempre que vinha da escola ia treinar sempre que tivesse um momento livre treinava», afirmou o pai.

O treinador do centro de treino no estádio 12 de julho percebeu que a Agate era um diamante que apenas precisava ser polido para brilhar na pista de atletismo.

«Teve apoio de um treinador nacional que a impulsionava. Teve sucessos a nível escolar, também ganhou uma medalha em Cabo Verde e noutras competições a nível do continente africano», confirmou Albertino Sousa.

FOTO : Albertino Sousa

O Comité Olímpico de São Tomé e Príncipe em parceria com o governo apostou no talento nacional. Depois dos jogos africanos de Marrocos no ano 2019, Agate Sousa foi contemplada com uma bolsa de estudos no centro de estágio de alto rendimento em Portugal.

«Em Portugal ela teve um bom treinador que se chama Mário Aníbal, e esteve sempre em sintonia comigo, e a aconselhou a nacionalizar-se como portuguesa. Ela ficou indecisa e eu a aconselhei a fazê-lo», confessou o pai.

A nacionalidade portuguesa terá sido atribuída no ano 2023. Um processo, segundo Albertino Sousa, emocionalmente difícil.

«Nesse processo devo confessar que houve algumas lágrimas do lado dela, porque não queria assim levianamente abandonar o país, ou seja, a nacionalidade são-tomense. Ela dizia que não se revia como portuguesa…dizia o que iriam pensar de mim? Mas eu a aconselhei a nacionalizar-se como portuguesa», revelou o pai.

A menina que preferia desabafar mais com o pai aceitou o conselho de Albertino Sousa.

«Eu fiz-lhe perceber que devido às circunstâncias nacionais e internacionais, era necessário que ela inclinasse para aquilo que lhe desse mais pujança, e mais felicidade», frisou.

O salto pujante da atleta aconteceu no campeonato do mundo. Mais de 6 metros, que deram ouro e pódio a Portugal. «Foi um salto que abalou os alicerces emocionais da família, e também de Portugal, que foi o berço desta vitória», pontuou Albertino Sousa.

Não foi um salto de paraquedas. Agate Sousa saltou com os pés bem assentes na terra. Foi assim desde criança.

«Eu fazia desporto aqui à frente deles, fiz várias armações para desporto aqui no quintal. Eles cresceram a ver isto, a minha forma de estar na vida e a ligação com o desporto», declarou o pai indicando para o jornalista os equipamentos de treino instalados no quintal.

Albertino Sousa recordou do baloiço onde a menina Agate muitas vezes brincava.

Alex Sousa, irmão mais novo da campeã do mundo, também reside em Portugal. Veio visitar o pai e garantiu que toda a família gosta do desporto.

«Penso que veio do pai, porque ele sempre nos incentivou a praticar o desporto. O pai praticava aqui algumas actividades físicas, e foi o que nos motivou a gostar do desporto», concluiu.

A mãe de Agate Sousa é são-tomense, filha do falecido ex-Presidente da República Evaristo Carvalho.

Abel Veiga

3 Comments

3 Comments

  1. Acorda

    26 de Março de 2026 at 0:01

    Quando jamais criamos condições para que os nossos jovens que já têm talento, pela dificuldades que têm, que vivem, pela força interior de amar o país, que necessitam de somente uma oportunidade, formação, capacitação, condições e meios para elevarem a bandeira nacional,…

    Temos(África no geral) emitido para outros países sobretudo do Ocidente, o caso de Naide Gomes, agora Agate Sousa e muitos talentos, para aqueles que um dia nos conolizaram, que uma grande parte da sua sociedade e cidadãos desprezam a nossa cor de pele,…tal qual o que acontece com imigração dos nossos jovens, quadros nacionais, tal qual a matéria prima pela falta de transformação,… até quando?

    Será que um dia nós voltam a colonizar?

    Quando é que despertaremos para está realidade?
    Quando acordares deste sono?

    Pois que jamais pode ser só somente questão de recurso, mas sim de organização, rigor, trabalho/trabalhar, justiça, transparência, segurança, proteção, sustentabilidade

    Ama a tua terra, as tuas gentes, o teu território, o teu país

  2. AA

    26 de Março de 2026 at 11:18

    Tiveram 50 anos para fazer obra por conta própria e olhem os resultados…

  3. Parabéns

    26 de Março de 2026 at 16:09

    Ela é neta do ex-Presidente da República Evaristo Carvalho. Dizer que não teve nenhum privilégio, não acredito.

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