Idalécio Soares do Rosário é um cidadão de 53 anos, vive há cerca de três décadas, em Ponta Mina com uma grave lesão numa das pernas, numa situação que, segundo a família, se agravou progressivamente ao longo dos anos e actualmente limita significativamente a sua capacidade de realizar actividades quotidianas e de trabalhar.
O Tela Non tomou o conhecimento do caso, através da Irmã, Camila de Sousa Pires, que descreve uma realidade marcada pela doença prolongada, dificuldades económicas e obstáculos no acesso regular aos cuidados necessários para o tratamento da ferida.
De acordo com Camila de Sousa Pires, os primeiros sinais do problema terão surgido há cerca de 30 anos. Com o passar do tempo, a situação foi-se agravando, com episódios de inflamação e aumento da gravidade da lesão.
“Desde que começou a ter o problema, a perna começou a inflamar-se. Com o passar do tempo, a situação foi piorando e, aos poucos, chegou ao estado em que se encontra atualmente. Foi assim, progressivamente, e até hoje ele continua nesta situação”.
Actualmente, Idalécio Sousa do Rosário necessita de cuidados regulares, nomeadamente da realização de pensos, mas a família afirma que nem sempre consegue assegurar esse acompanhamento.
“Ele tem esta ferida no pé, mas, com o passar do tempo, a situação foi-se agravando, porque ele não tem tido assistência médica. Como podem ver, o pé encontra-se nesta situação”.
A irmã relata que, em algumas ocasiões, procurou assistência numa das unidades sanitárias do distrito de Água Grande, mas encontrou dificuldades para garantir a continuidade do tratamento.
Segundo o seu relato, a disponibilidade de materiais necessários para a realização dos pensos constitui uma das dificuldades enfrentadas.
“É muito difícil. Muitas vezes não conseguimos fazer o tratamento. Eu não sei dizer se é por negligência ou por falta de condições. Isso eu não sei explicar”.


A situação é agravada pelas próprias limitações económicas da família, que diz não dispor de recursos suficientes para assegurar, por meios próprios, todos os cuidados de que o homem necessita.
Camila de Sousa Pires explicou a Tela Non, que tem procurado ajudá-lo dentro das suas possibilidades, sobretudo através da alimentação e de outras necessidades básicas.
“Esse pouco que eu tenho, tenho dado a ele a mão”, relatou.
A família procura, entretanto, evitar que a situação seja encarada apenas como um problema individual. O pedido dirigido às instituições e à sociedade é de apoio para que o homem possa ter acesso ao tratamento de que necessita e melhorar as suas condições de vida.
De acordo com a familiar, as limitações provocadas pela lesão fazem com que Idalécio Sousa do Rosário não tenha condições para trabalhar. As tarefas que consegue realizar são reduzidas e dependem da sua condição física.
“Ele nunca conseguiu trabalhar normalmente devido à deficiência. Ele não consegue fazer praticamente nada. Apenas consegue tomar banho e fazer alguma coisa ligeiramente, dentro das suas possibilidades. Mas trabalhar, não consegue”.
A família assume, por isso, uma parte significativa da responsabilidade pelo seu sustento, apesar das próprias dificuldades económicas.
É neste contexto que a irmã do Idalécio do Rosário manifesta preocupação com a ausência de apoio social que, segundo afirma, o homem recebia anteriormente através do programa destinado às famílias vulneráveis.
Camila de Sousa Pires assegurou a Tela Non que o seu irmão deixou de receber o apoio há cerca de dois ou três anos.
“Pelo menos até agora, não. Quando existia o apoio à família vulnerável, ele estava inscrito e recebia esse apoio. Mas agora não. Dizem que esse apoio foi cortado”.
A afirmação, contudo, deve ser entendida como o relato da família sobre a situação específica do beneficiário e não como indicação de que o Programa Família Vulnerável tenha sido suspenso em todo o país.
Dados oficiais da Direção da Proteção Social, Solidariedade e Família indicam que o programa continuou a funcionar e que, em 2025, abrangia milhares de agregados familiares em São Tomé e Príncipe.
A instituição tem igualmente desenvolvido processos de actualização e recertificação do Cadastro Social Único, mecanismo utilizado para identificar e acompanhar famílias em situação de vulnerabilidade.
Mas contudo, Camila de Sousa Pires, disse que, recentemente, o seu irmão Idalécio do Rosário foi inscrito numa associação de pessoas portadoras de deficiência, numa tentativa de encontrar novas possibilidades de apoio.

O objetivo agora da família, é conseguir assistência para o tratamento da perna, materiais necessários para os pensos, apoio alimentar e outras formas de acompanhamento que possam contribuir para melhorar as condições de vida do homem.
“Só apoiar ele nesse pé. Fazendo o penso, ajudando ele. Alguma coisa que puderem, eu agradeceria imenso”, apelou a irmã do Idalécio do Rosário.
A situação levanta também questões mais amplas sobre o acesso das pessoas em situação de vulnerabilidade aos serviços de saúde e aos mecanismos de protecção social disponíveis no país.
Uma doença prolongada pode não representar apenas um problema clínico. Quando associada à pobreza, à incapacidade de trabalhar e à ausência de uma rede familiar com recursos suficientes, pode transformar-se numa situação de exclusão social.
Por um lado, é necessário avaliar clinicamente a condição do Idalécio Sousa do Rosário, determinar o tratamento adequado e assegurar a continuidade dos cuidados. Por outro, importa avaliar a sua situação socioeconómica e verificar a possibilidade de acesso aos mecanismos públicos de apoio existentes.
Enquanto isso, permanece o pedido de ajuda para um homem que, segundo os seus familiares, convive há décadas com uma doença incapacitante e que actualmente depende do apoio de terceiros para satisfazer necessidades básicas.
O caso merece acompanhamento das autoridades de saúde e de protecção social, não apenas para responder à situação individual deste homem, mas também para verificar se existem outras pessoas em condições semelhantes que enfrentam dificuldades no acesso simultâneo à assistência médica e à protecção social.
Waley Quaresma