Economia

Golfo da Guiné – Maersk exige intervenção militar para combater a pirataria marítima

O Golfo da Guiné, já se transformou no epicentro da pirataria marítima mundial. O número de ataques contra embarcações comerciais aumenta todos os anos, no Golfo da Guiné.

São Tomé e Príncipe que se localiza no coração do Golfo da Guiné, registou no dia 13 de Novembro do ano 2020, um ataque de pirataria marítima na sua zona económica exclusiva. O navio mercante “Zhen Hua 7” de bandeira chinesa, que circulava 80 milhas ao largo de São Tomé, foi o alvo do ataque pirata, que provocou o rapto de 14 dos 27 tripulantes do navio.

As acções crescentes de pirataria marítima no Golfo da Guiné, ameaçam a circulação de navios na região.

Maersk,  a maior companhia marítima do mundo, já manifestou preocupação com a situação no Golfo da Guiné. A gigante mundial de transportes marítimos, exigiu uma resposta militar forte e coordenada «face ao aumento dos ataques de pirataria, pilhagens, saques e pedidos de resgates em toda costa da África ocidental».

Segundo o relatório do Bureau Marítimo Internacional as situações de raptos de tripulantes aumentaram 40% nas águas do Golfo da Guiné, durante o primeiro mês do ano 2020. De Janeiro à Setembro de 2020 foram registados 132 ataques contra embarcações contra 119 incidentes ocorridos no mesmo período do ano 2019.

O Bureau Marítimo Internacional, garante que o Golfo da Guiné, representa 95% dos sequestros marítimos a nível mundial.

«É inaceitável nos dias de hoje, que os marinheiros não possam realizar o seu trabalho que consiste em garantir o aprovisionamento vital para esta região, sem se preocupar com o risco de pirataria », afirmou Aslak Ross, responsável de normas marítimas da empresa Maersk, com base em Copenhaga.

O responsável da empresa dinamarquesa, acrescentou que «o risco já atingiu um nível tal, que uma força militar eficaz deve ser enviada para o golfo da Guiné», frisou.

O golfo da Guiné é uma extensa região marítima que se estende por 5700 quilómetros, do Senegal até Angola.

Segundo dados do Bureau Marítimo Internacional, mais de 20 mil navios circulam anualmente no Golfo da Guiné.

Região marítima considera como um corredor estratégico para as exportações de petróleo bruto e para a importação de combustível refinado e outras mercadorias.
Instituições de segurança marítima internacional, indicam que nos últimos anos os piratas actuam cada vez mais afastados do continente, ou seja, no alto mar e com uso de armas sofisticadas.

A empresa Dryad Global, ligada a segurança marítima e sediada em Londres, considera que a nova forma de actuação dos piratas, só poderá ser contida com a intervenção de uma coligação de forças navais internacionais.

A maioria dos armadores internacionais, defende uma intervenção internacional igual a que foi lançada no corno de África, ao largo da Somália. Região que foi epicentro mundial de pirataria marítima entre os anos 2001 e 2012.

A intervenção naval internacional, garantida pela União Europeia e a Organização do Tratado Atlântico Norte(OTAN), assim como o envolvimento da marinha dos Estados Unidos de América, permitiu garantir segurança aos navios na travessia do canal de Suez.

Resultado da intervenção naval internacional, é que desde o ano 2018, não se registou qualquer incidente marítimo na região do corno de África, mais concretamente no Golfo de Aden.

Para o Golfo da Guiné, as empresas de transporte marítimo mundial, pedem intervenção militar musculada, para conter os actos de pirataria marítima.

Abel Veiga

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