Política

Piratas atacaram navio petroleiro perto da ilha do Príncipe 

O incidente marítimo aconteceu por volta das 21 horas do dia 17 de março, última segunda-feira, 40 milhas a sudeste da ilha do Príncipe.

Alertada pelo Centro de Coordenação Multinacional Zona D, a Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe acompanhou toda a situação a partir da sala de fiscalização marítima. Através dos radares instalados pelos Estados Unidos da América, a Guarda Costeira, seguiu o assalto ao navio petroleiro Bitu Rever de bandeira panamiana.

Segundo o Primeiro Tenente Wander Miguel, o comando da guarda costeira enviou um sinal de alerta a todos os países vizinhos, e ao navio patrulha Centauro da armada portuguesa que coopera com a Guarda Costeira nacional na fiscalização da zona económica exclusiva. Pela distância e o adiantado da hora, não houve uma intervenção do navio patrulha português.

«Os 18 tripulantes do navio petroleiro, conseguiram abrigar-se numa sala de alta segurança do navio, e por isso não foram feitos reféns pelos piratas», detalhou o primeiro tenente da Guarda Costeira.

Estranhamente na madrugada de 18 de março, os piratas abandonaram o navio petroleiro que tinha sido assaltado a 40 milhas náuticas da ilha do Príncipe. Segundo o oficial da Guarda Costeira, a tripulação conseguiu levar o navio para um porto mais próximo, no caso o vizinho Gabão.

O navio petroleiro Bitu Rever com bandeira do Panamá navegava de Lomé, Capital do Togo, rumo a Douala nos Camarões. Os radares da Guarda Costeira mostram que ao sair de Lomé – Togo o navio fez uma trajectória, ao que tudo indica, para se desviar das águas mais conturbadas do golfo da Guiné, em termos de ataques de piratas, que ficam próximas da Nigéria. Desceu rumo a São Tomé e Príncipe, para depois subir em direcção a Douala, nos Camarões. Mesmo assim, foi apanhado pelos piratas nas águas da ilha do Príncipe.

O primeiro tenente da Guarda Costeira disse ao Téla Nón que nos últimos tempos regista-se uma baixa de acções de pirataria marítima na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe. «Algumas tentativas foram registadas no ano passado, mas nos países vizinhos», frisou.

Mas, nos anos de 2020 e 2021 os ataques de piratas contra navios nas águas territoriais de São Tomé e Príncipe passaram quase diários. Um navio mercante de nome Zhen Hua 7 foi atacado a 80 milhas da ilha de São Tomé. Os piratas raptaram 14 dos 27 tripulantes.

No ano 2021, a Guarda Costeira através do então chefe das operações navais, o primeiro tenente Hamilton Sousa, denunciou para o Téla Nón que as águas territoriais santomenses tinham se transformado no berço para as operações dos piratas. «Os piratas deram conta que têm um mar calmo, sem pressão, para realizarem os seus ataques. Eles estão posicionados nas nossas águas, e depois vão lançando os ataques. As nossas águas são actualmente o berço dos ataques dos piratas», declaração do então Primeiro-tenente Hamilton Sousa, em fevereiro de 2021.

160 vezes maior que a superfície terrestre, o mar é a principal fronteira de São Tomé e Príncipe. É o espaço territorial santomense, onde abunda peixe, e outros recursos importantes, em fase de prospecção como os hidrocarbonetos.

Mesmo assim, o país ainda não tomou a decisão de se projectar para o mar, como forma de assegurar a segurança, e promover o desenvolvimento económico.

Abel Veiga

1 Comment

1 Comment

  1. Transparência

    20 de Março de 2025 at 13:20

    os ataques piratas na zee de são tomé e príncipe continuam a ser um problema, apesar dos esforços de cooperação internacional com países como brasil, portugal e eua. a falta de meios de transporte e equipamentos adequados para a guarda costeira dificulta a resposta eficaz a esses incidentes. o recente ataque ao navio petroleiro bitu rever, a 40 milhas da ilha do príncipe, destacou a necessidade de soluções inovadoras e de baixo custo, como o uso de drones armados, para monitorar e interceptar piratas sem a necessidade de deslocamentos dispendiosos para alto mar. a implementação de tecnologias modernas poderia fortalecer a segurança marítima e proteger os recursos naturais da zee, essenciais para o desenvolvimento económico do país.
    tenho dito!
    ler✓🇸🇹 Smart defense ✅

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top