O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) decidiu reforçar o investimento em São Tomé e Príncipe. O reforço de financiamento de projectos estruturantes acontece após reunião técnica entre o director do BAD Pietro Toigo e o governo.
O executivo de Américo Ramos definiu com o BAD acções pragmáticas que deverão ser executadas a curto prazo. Nos próximos anos a ilha do Príncipe pode ficar livre da energia fóssil. O BAD abriu nesta semana o concurso público para realização das obras de reabilitação da minicentral hidroeléctrica do rio Papagaio na ilha do Príncipe.
«Lançamos esta semana a licitação para as obras de reabilitação da mini-hídrica do Rio Papagaio no Príncipe, com a ideia de ter um processo acelerado em que as obras iniciem entre maio e junho deste ano. É uma peça essencial para a autonomia energética na ilha do Príncipe», afirmou Pietro Toigo.
Nos próximos tempos também vai ser lançada a obra para construção de uma central fotovoltaica na ilha do Príncipe. Para execução dos dois projectos de transição energética, o BAD disponibiliza um donativo de 24 milhões de dólares, que será aprovado em Outubro próximo.
«Para além da mini-hídrica sobre o rio Papagaio, também um parque solar, e juntos darão uma completa independência energética à ilha do Príncipe. O que vai confirmar a marca de sustentabilidade do Príncipe, como património mundial da biosfera, e com uma matriz energética 100% limpa», frisou o director do BAD.

Segundo as estimativas do Banco Africano de Desenvolvimento, a ilha do Príncipe precisa de 1,3 megawatts de energia. Mas a potência de energia limpa a ser fornecida pela mini-hídrica do rio Papagaio e a central solar será de 2,6 megawatts.
A gestão da rede eléctrica a nível nacional é outro alvo do investimento do BAD, que decidiu também aumentar o apoio directo ao orçamento geral do Estado. Através de uma parceria entre o BAD e o vizinho Nigéria, o orçamento para 2025 vai receber uma injecção de cerca de 15 milhões de euros.
«É uma intervenção que estamos a fazer em parceria com o governo da Nigéria, em que uma parte do montante é assegurada pelo fundo fiduciário gerido pelo Banco Africano, e a outra parte financiada pelo governo nigeriano», pontuou Pietro Toigo.
A carteira de financiamos do Banco Africano de Desenvolvimento atende também o sector das infra-estruturas. A reabilitação da pista rural no interior da ilha de São Tomé é um projecto que vai permitir o escoamento da produção agrícola das roças Claudino e Bernardo Faro Faro e outras, até os centros urbanos distritais e a capital São Tomé.
É através do projecto PRIASA que o Banco Africano de Desenvolvimento vem realizando obras de recuperação das infra-estruturas agrícolas e das comunidades piscatórias de São Tomé e Príncipe. O novo projecto PRIASA III conta com um financiamento de mais de 18 milhões de dólares e virado para promover a resiliência dos sectores da agricultura e pescas.
Abel Veiga
João Carlos Pontes
23 de Fevereiro de 2025 at 8:34
Espero que todos Santomenses tenhamos consiência e que trabalhemos árduos para o desenvolvimento da nossa terra.Obrigado BAD.