O Governo de São Tomé e Príncipe, em parceria com as Nações Unidas, promoveu um encontro de alto nível com o objetivo de reforçar o financiamento para o desenvolvimento sustentável do país.
O encontro foi concebido como uma plataforma estratégica para debater mecanismos de financiamento mais eficazes e adaptados à realidade santomense. A iniciativa juntou diversos intervenientes, entre representantes governamentais, parceiros internacionais, agências de cooperação, sociedade civil e setor privado.
“Trata-se de uma janela de oportunidades para repensarmos a forma como os recursos são mobilizados, canalisados, utilizados para melhorar a vida das populações”, destacou Eric Overvest, Coordenador Residente do Sistema das Nações Unidas.
Entre as prioridades definidas destacam-se a resiliência climática, o turismo, a segurança alimentar e o investimento no capital humano, com especial foco na educação e na saúde, além da promoção de uma economia verde e azul e do fortalecimento institucional.
“Entendemos que é preciso criar sinergias de base para que os financiamentos sejam em quantidade suficiente para permitir grandes investimentos nas áreas que impulsionam o desenvolvimento efetivo de S. Tomé e Príncipe e, garantir assim que a nossa transição para o país de desenvolvimento médio seja reforçada com parâmetros de crescimento económico sustentável” – sublinhou Ilza Amado Vaz, Ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades.
Para além de divulgar os princípios do Pacto de Financiamento, o encontro pretendeu reforçar o diálogo entre os diversos atores do desenvolvimento, assegurando que os recursos mobilizados contribuam para um crescimento mais sustentável, inclusivo e resiliente.
José Bouças
wilson veiga
23 de Abril de 2025 at 12:49
Desenvolvimento Sustentável? Isso é nome de missa para ricos com agenda escondida. Enquanto o povo come farinha com água, o BM e o FMI vêm de fato e gravata falar em “transição verde” e “economia azul” — expressões lindas para esconder a velha receita do saque moderno.
O que é essa treta afinal?
Desenvolvimento Sustentável, na prática, virou uma cortina de fumo bem financiada para fazer parecer que há progresso, quando o que há mesmo é dívida, dependência e planos de ação com 400 páginas que ninguém lê — exceto os consultores que as escrevem e depois vão jantar sushi no hotel da ONU.
Repara:
Eles dizem: “Vamos reforçar o financiamento”
Tradução real: Vamos empurrar mais empréstimos com nome bonito e taxa de juro “concessional”, mas com exigências que apertam a economia como um torniquete mal colocado.
Eles dizem: “Promover a resiliência climática”
Tradução real: Vamos vender painéis solares comprados à Europa, instalar 3, mostrar à imprensa, tirar foto com criança pobre e ir embora.
Eles dizem: “Investimento no capital humano”
Tradução real: Vamos financiar formações sobre como fazer planos de financiamento que depois nunca se concretizam porque o dinheiro evaporou em consultorias e salários de expatriados.
E nós? Nos fodem e ainda batemos palmas.
Porque a ministra lê o texto redigido pelo próprio doador e diz que é uma “janela de oportunidades”. Janela, sim. Mas para saltarmos todos pela janela abaixo de tão fartos que estamos dessa farsa.
O povo continua com escolas a cair, hospitais sem aspirina, e a agricultura abandonada — mas agora temos o discurso certo e o PowerPoint certo para mostrar em Nova Iorque. Fantástico.
“Desenvolvimento Sustentável” virou o novo nome de “colónia com linguagem moderna”.
Trocaram o chicote por empréstimos verdes.
Trocaram o governador colonial pelo “coordenador residente do sistema ONU”.
E o mais triste?
É ver os nossos próprios governos a engolirem isso com sorriso, gravata e passaporte diplomático na mão.