O Primeiro-Ministro de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, recebeu esta terça-feira, no Palácio do Governo, o Diretor-Executivo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para o país, Samson Oybode Oyetunde, num encontro centrado na análise do estado atual da cooperação entre a instituição financeira e o arquipélago.
Durante a reunião, foram abordados o progresso de vários programas e projetos financiados pelo BAD, assim como os principais desafios socioeconómicos que o país enfrenta, nomeadamente o agravamento da dívida externa, a recuperação económica no pós-pandemia e a urgente necessidade de criação de novos postos de trabalho.
Samson Oybode Oyetunde destacou que o apoio do BAD a São Tomé e Príncipe tem sido direcionado não só à mitigação dos efeitos da pandemia da COVID-19, mas também ao enfrentamento das repercussões da guerra na Ucrânia e da instabilidade económica global — fatores que têm afetado de forma significativa diversas economias em desenvolvimento. Perante esse cenário, o BAD teve de ajustar o financiamento dos seus projetos, priorizando áreas estratégicas como a saúde, as infraestruturas e a agricultura.
O representante do BAD alertou ainda para o crescimento acentuado da dívida externa do país nos últimos anos, sublinhando a necessidade de medidas urgentes para restaurar o equilíbrio orçamental. Reafirmou, contudo, o compromisso da instituição em continuar a apoiar o governo são-tomense na gestão sustentável da dívida pública e na dinamização do crescimento económico inclusivo.
No plano social, Oyetunde informou que o BAD está a colaborar com as autoridades nacionais na promoção da empregabilidade, com enfoque especial na capacitação de jovens e mulheres, considerados pilares essenciais para o desenvolvimento socioeconómico de São Tomé e Príncipe.
Uma das principais novidades do encontro foi o anúncio de uma nova doação no valor de sete milhões de dólares, que será disponibilizada ao país até ao final do mês de julho. Segundo Oyetunde, os fundos servirão para apoiar projetos de desenvolvimento nas áreas de infraestruturas, saúde e proteção ambiental, além de medidas destinadas a fortalecer a moeda nacional e a fomentar um ambiente de negócios mais competitivo e sustentável.
Após a reunião com o Chefe do Governo, Samson Oyetunde foi recebido pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, a quem apresentou os detalhes da sua missão ao país. A visita incluiu encontros com o Ministro da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural, com o Ministro da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, e uma visita técnica à CECAB. Foram também debatidos projetos em curso, como o de segurança alimentar, e reafirmada a importância de uma cooperação contínua e eficaz entre o BAD e o governo são-tomense.
Durante a audiência no Palácio do Povo, Oyetunde partilhou com o Presidente da República a informação sobre a recente eleição do novo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, o mauritano Sidi Ould Tah, que sucede ao nigeriano Akinwumi Adesina após uma década de liderança. A eleição decorreu na sede do BAD, em Abidjan, e contou com a participação de cinco candidatos — entre eles uma mulher. Sidi Ould Tah, ex-Ministro da Economia e Finanças da Mauritânia e ex-presidente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA), foi eleito para um mandato de cinco anos.
Analistas apontam que a sua eleição se deve, em grande parte, à sua forte capacidade de mobilizar fundos árabes num contexto em que a Europa enfrenta constrangimentos financeiros. Trata-se, segundo alguns observadores, de uma estratégia inteligente para diversificar as fontes de financiamento do continente.
Entre as prioridades de Sidi Ould Tah destacam-se o reforço do comércio intra-africano, a transformação digital, o estímulo à inovação, o aumento da assistência financeira aos países mais vulneráveis às alterações climáticas, bem como a promoção do desenvolvimento sustentável e da equidade social em África.
Samson Oyetunde reforçou que o novo presidente pretende fortalecer a colaboração do BAD com os países membros, impulsionar projetos que combatam a pobreza e a desigualdade e consolidar o papel do banco como parceiro estratégico para o progresso económico e ambiental do continente.
Waley Quaresma
BAD
5 de Junho de 2025 at 11:36
Disse tudo, menos o que será feito para combater a corrupção e os desvios e roubos de dinheiro do Estado.