Economia

Canavial ressurge como celeiro agrícola desta vez na produção do arroz

Arroz, o cereal mais consumido em São Tomé e Príncipe, pode ser produzido localmente. O agricultor Olavo Moreno, conhecido como o maior produtor de milho em São Tomé e Príncipe, lidera agora um projeto-piloto de produção de arroz com o apoio técnico da República Popular da China e acompanhamento do Ministério da Agricultura e da Câmara Distrital de Lobata.

Após meses de trabalho intenso, a plantação experimental já entrou na fase de colheita. Moreno não esconde a satisfação:

Do pequeno espaço que preparei, 10 metros quadrados, já consegui colher 15 sacos de arroz híbrido, de 50 quilos cada. Ainda está no processo de secagem, mas é só o começo. A variedade híbrida está a dar novos rebentos e daqui a quatro meses teremos mais arroz no campo”, explicou.

A experiência testa duas variedades de arroz. Uma convencional e outra híbrida, com capacidade de germinação contínua. A expectativa é que a produção possa manter-se de forma cíclica e sustentável ao longo do tempo.

Temos aqui uma variedade que dura três a quatro anos, com alto poder de germinação. A terra é boa, a técnica funciona, e com apoio do governo, estou pronto para plantar em três hectares”, garante Olavo Moreno.

O entusiasmo contagia a comunidade. A visita de curiosos à plantação aumentou após a colheita inicial. Muitos querem ver com os próprios olhos algo que parecia há muito perdido: arroz produzido em São Tomé e Príncipe.

Hoje não preciso importar arroz para comer. Já temos cá. E o que colhemos, vamos partilhar com a comunidade, porque essa produção é para alimentar o nosso povo”, afirmou Olavo, com orgulho.

O projeto é também acompanhado de perto pela Câmara Distrital de Lobata. O vereador Ronaldo Suárez Lopes destacou o papel do poder local nesta iniciativa:

A terra de Lobata tem potencial. Estamos a falar de um distrito com vocação para agricultura, pesca e turismo. Esta iniciativa é uma porta aberta para a segurança alimentar nacional. O poder local conhece bem o território e estamos disponíveis para apoiar a expansão”, afirmou.

Além da assistência técnica chinesa, a iniciativa reacende memórias de um tempo em que São Tomé produzia o próprio arroz, também com apoio chinês, durante a Primeira República. O projeto foi interrompido, mas agora renasce com nova energia.

A terra é abençoada. Toda semente que lançamos, germina. O essencial é termos espírito de desenvolvimento. Com incentivo certo, Canavial pode voltar a ser o celeiro de São Tomé e Príncipe”, declarou Olavo Moreno.

Enquanto isso, os sacos de arroz continuam a encher-se no secador, provando que, com técnica, persistência e vontade, é possível transformar uma experiência piloto numa solução real para os desafios da soberania alimentar nacional.

Waley Quaresma

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