(Nota do editor: Este artigo representa o ponto de vista da autora Wu Mengyu e não necessariamente o da CGTN.)
No dia 3 de fevereiro, na véspera do Li Chun, que marca a chegada da primavera e o símbolo tradicional da renovação agrícola na China, as autoridades centrais chinesas divulgaram o Documento Central n°1 de 2026, estabelecendo um rumo claro: estabilizar a produção de cereais em torno de 700 milhões de toneladas.
Este número não é apenas um objetivo técnico; ele encarna a promessa do governo de «segurar firme sua tigela de arroz», expressão que significa «fazer da autossuficiência alimentar um pilar da soberania nacional». No entanto, em um contexto de demanda crescente, restrições fundiárias e incertezas geopolíticas, essa promessa não pode mais se basear apenas na expansão das áreas cultivadas. O documento reconhece sem rodeios, a ciência é decisiva. E é precisamente aqui que a agricultura inteligente entra em cena, não mais como uma mera inovação, mas como a alavanca central da nova estratégia agrícola chinesa.
Um ponto importante a salientar: pela primeira vez, os termos «robôs» e «inteligência artificial aplicada à agricultura» aparecem explicitamente no Documento Central n°1. Os drones, os sistemas de análise preditiva ou ainda as máquinas autónomas já não são aparelhos futuristas, mas sim verdadeiras «novas ferramentas agrícolas», essenciais para a produtividade. Por outro lado, quase 90% do crescimento dos cereais em 2025 já vinha de ganhos de rendimento, prova que a intensificação tecnológica substitui vantajosamente a expansão.
Eu mesmo tenho observado uma crescente presença da tecnologia na agricultura. Como eu mostrei em um dos meus vídeos, em Chengdu, em uma sala de menos de 100 metros quadrados, pesquisadores projetaram um laboratório de aceleração vegetal onde mais de 200 variedades de arroz crescem durante todo o ano. Os campos são tradicionalmente colhidos duas a três vezes por ano. Aqui, até seis colheitas anuais são possíveis, o que significa um rendimento três vezes superior ao do arroz cultivado de forma convencional. Graças a estes avanços, os agricultores já não estão à mercê do tempo, mas podem agora escolher o período em que querem cultivar.
O uso de drones também é cada vez mais comum. Os robôs podem transportar culturas, colher frutas, detectar doenças ou relatar anomalias, reduzindo significativamente a necessidade de mão-de-obra. Estas inovações transformam profundamente a face da agricultura moderna.
E estes progressos são o reflexo dos números-chave do Documento Central n°1: a taxa de contribuição da ciência e da tecnologia para a agricultura ultrapassa agora os 64%, e a taxa de mecanização global atinge mais de 76%.
A China não se limita a alimentar o seu povo. Ela constrói, pouco a pouco, um novo modelo de soberania alimentar baseado na inteligência, precisão e autonomia tecnológica.
Por Wu Mengyu, jornalista da CGTN
(Foto: VCG)