O Banco Central de São Tomé e Príncipe decidiu aproximar-se mais dos cidadãos, principalmente os estudantes universitários e os alunos das escolas secundárias do país.
A Iniciativa de literacia económica e financeira (Banco Central e Academias), promove o intercâmbio de conhecimentos no seio dos jovens, para que o país possa colher os frutos a curto, médio e longo prazos.
«Quem sabe gerir tem sucesso. Com os alunos queremos criar neles esta vertente, de que saber gerir, saber poupar é uma mais-valia para o sucesso futuro», afirmou Gessy do Espírito Santo, director dos estudos económicos do Banco Central de São Tomé e Príncipe.

Na sala de conferências do Banco Central, o director dos estudos económicos interagiu com os alunos da escola Portuguesa de São Tomé.
«O Banco Central tem a missão de garantir a estabilidade financeira, a preservação do poder de compra das famílias. No caso dos alunos da escola portuguesa damos a conhecer o que é a nossa economia, e quais os instrumentos são utilizados para apoiar a economia», frisou.
A inflação que era galopante na década de 90 do século XX, as reservas cambiais que diluíram a partir de 2022, fizeram parte de conhecimentos transmitidos aos alunos.
«Sobre a taxa de inflação, aprendemos que os produtos locais são mais caros, que os produtos importados. Isso porque a produção local é baixa, e o país importa mais», explicou Leandro Nascimento, aluno do 10º ano do curso de ciências socioeconómicas da escola portuguesa.


O Banco Central justificou a diferença da inflação entre os produtos importados e locais, com o facto de o país ter assinado o acordo de paridade cambial entre a dobra e o euro. Acordo assinado com o tesouro de Portugal. Um acordo que ajudou a estabilizar a inflação dos produtos importados.
«Queremos que vocês percebam a importância daquilo que vocês têm estudado. Mais do que isso, o que o Banco Central pretende é que vocês não saiam daqui informados, mas sim transformados», pontuou Lara Beirão, administradora do Banco Central.
Transformação dos jovens em homens e mulheres preparados para ojectar a economia e as finanças do país. «Dentro em breve serão vocês os empreendedores, os empresários e é necessário deixar esse legado para vós», frisou a administradora.

Os alunos da escola portuguesa ficaram a saber também que o sector terciário, nomeadamente o comércio e os serviços dominam a economia e que o país é muito dependente da conjuntura internacional.
«É muito importante reflectir sobre essas questões, e saber sobre o meu papel no futuro, para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe», declarou a aluna Emily Ceita.
A iniciativa do Banco Central de literacia económica e financeira com as escolas e universidades começou no ano passado. Com os estudantes universitários o intercâmbio é mais directo e prático.
«No caso das universidades temos feito a troca efectiva de conhecimentos. Pois o Banco Central tem, uma vertente mais prática, e as academias uma vertente mais teórica. A complementaridade desses conhecimentos será um instrumento para planear melhor, e tomar melhores decisões», sublinhou o director Gessy Espírito Santo.
A gestão correcta dos recursos financeiros, das empresas e das instituições públicas tem sido um dos pontos fraco da sociedade e do Estado são-tomense. A iniciativa do Banco Central pretende mudar o paradigma.
Abel Veiga