A escalada dos preços dos combustíveis no mercado internacional está a exercer uma pressão crescente sobre as finanças públicas de São Tomé e Príncipe.
O atraso no pagamento dos salários de junho na administração central reflete essas dificuldades e evidencia os desafios que o Estado enfrenta para assegurar a regularidade das suas obrigações.
Num país de economia frágil, como São Tomé e Príncipe, torna-se cada vez mais difícil suportar os custos da importação de combustíveis, agravados pela crise no Médio Oriente.
“O valor saiu de 11 milhões no mês de março para quase 18 milhões de euros em junho. Ou seja, se tivermos em conta antes da crise, o preço triplicou. Antes da crise pagávamos 6 milhões e, depois da crise, na última importação, o preço triplicou para 18 milhões de euros”, afirmou Gareth Guadalupe, Ministro da Economia e Finanças.

A subida dos preços começa a ter impacto direto na capacidade do Estado em garantir os recursos necessários para o pagamento regular dos salários da função pública.
“Quando os preços duplicam ou triplicam, torna-se muito mais difícil, sobretudo para mim, enquanto ministro das Finanças, tomar a decisão de comprar combustível a um preço triplicado e, poucos dias depois, ter dinheiro para pagar os salários”, acrescentou.
Segundo o ministro, o Governo é obrigado a redobrar esforços para assegurar a importação, sob pena de o país enfrentar cortes de energia.
“Sobretudo a maior parte dos combustíveis destinados à Empresa de Eletricidade, EMAE, para garantir o abastecimento energético, é importada e assumida pelo Estado, pelo cofre do Tesouro Público, porque a EMAE não dispõe de meios financeiros”, sublinhou.
A declaração surge na sequência do atraso no pagamento dos salários de junho na administração pública, situação que, de acordo com Gareth Guadalupe, será solucionada ainda esta semana.
José Bouças