Política

Afinal os Mandatos do Movimento de Caué não são da ADI

O partido ADI e o seu líder Patrice Trovoada(sempre ausente do país), garantiram durante todo o período pós eleitoral, que conta com 27 assentos no parlamento, sendo 25 mandatos concedidos pelo Povo directamente ao ADI, e mais 2 do Movimento Independente de Caué.

Uma conquista que segundo várias intervenções públicas de Patrice Trovoada, daria ao ADI confortável margem de manobra, tendo em conta que precisaria apenas de mais um deputado, para consolidar a maioria de 28 mandatos.

Nas suas múltiplas declarações sempre no estrangeiro, Patrice Trovoada disse acreditar que o Movimento Independente de Caué, será sempre parte da solução e nunca parte do problema.

No entanto no dia 22 de Novembro, na abertura da XI legislatura, os dois deputados do Movimento de Caué, demonstraram ao país e ao mundo de que são de facto independentes, e que não são da ADI.

No momento da votação para eleição do novo Presidente do Parlamento, António Monteiro(na foto) deputado e Presidente do Movimento Independente de Caué, preferiu ausentar-se da sessão plenária. A sua colega Beatriz Azevedo, entrou na sala do plenário poucos minutos antes do início da votação, e exerceu o seu direito de voto.

No apuramento final, o candidato da ADI ao cargo de Presidente da Assembleia Nacional, conseguiu apenas 25 votos a favor. Número igual a dos deputados da bancada do partido de Patrice Trovoada. O candidato da nova maioria conseguiu 28 votos. E na contagem registou-se a existência de um voto branco.

Foi o primeiro sinal dado pelos dois deputados do Movimento Independente de Caué, de que afinal de contas, os seus votos e os seus mandatos, não estão ao serviço da ADI, como Patrice Trovoada, deixou entender no país e pelo mundo fora.

Já no último sábado e pela primeira vez, desde a criação do Movimento que concorreu às eleições legislativas, apenas no circulo eleitoral de Caué, o seu Presidente António Monteiro, falou sobre o posicionamento dos independentes de Caué.

Foi logo após o encontro que o movimento teve com o Presidente da República Evaristo Carvalho. «Deixamos claro à sua excelência o senhor presidente da República que estamos disponíveis a colaborar com o partido que tiver maior assento parlamentar para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe», afirmou António Monteiro.

Para não haver qualquer dúvida, sobre o posicionamento do movimento, o Presidente, reforçou. « Nós não estamos inclinados para nenhum partido político. Aquele partido que tiver a maioria no parlamento contará sempre com o apoio do Movimento Independente».

Como se fosse uma oração, o Presidente do Movimento Independente de Caué, repetia a mesma frase, para todas as questões, colocadas pelos jornalistas. «Não temos nenhum acordo com qualquer partido político, seja ele o ADI, o MLSTP ou a Coligação. Mas estamos disponíveis a colaborar com aquele partido que tiver a maioria parlamentar», concluiu.

Aspecto interessante e talvez coincidente, é o facto de ter sido logo após as declarações do Presidente do Movimento Independente de Caué, a saída do encontro “demorado” com Evaristo Carvalho, que também o candidato de Patrice Trovoada para o cargo de Primeiro Ministro(Olinto Daio), anunciou ao público, que já não vai acatar a ordem do seu Chefe, para se apresentar como Primeiro Ministro do Décimo Sétimo Governo Constitucional.

Os dois deputados eleitos pelo Movimento Independente de Caué nas eleições de 7 de Outubro, foram até Maio de 2018 militantes do partido MLSTP. Foram deputados da nação em várias e consecutivas legislaturas, eleitos na lista do MLSTP no círculo  de Caué, incluindo a última legislatura que terminou no dia 22 de Novembro.

António Monteiro e Beatriz Azevedo nunca tiveram qualquer outro partido político. Mas, acabaram por abandonar o partido MLSTP, no mês de Maio de 2018, quando o Supremo Tribunal de Justiça, decidiu mexer com a Cervejeira Rosema.  O acórdão judicial funcionou como uma bomba no seio do partido MLSTP, tendo provocado estilhaços que ameaçavam matar o próprio partido.

O ex-Presidente do MLSTP Aurélio Martins, apoiado por dezenas de membros da direcção, liderou um levantamento contra a decisão judicial. Uniu-se ao ADI e juntos decapitaram o Supremo Tribunal de Justiça. Outra ala do MLSTP uniu forças, derrubou o ex-presidente Aurélio, e suspendeu os militantes, assim como o grupo de deputados do partido, que se rebelou contra a justiça por causa da cervejeira Rosema.

António Monteiro, Director Geral da Cervejeira, e o seu irmão Domingos Monteiro (o dono da cervejeira), assim como a deputada Beatriz Azevedo, decidiram abandonar a bancada parlamentar do MLSTP, e constituíram-se como deputados independentes até o fecho da última legislatura.

Os dois agora deputados do Movimento Independente de Caué, deram provas nas eleições legislativas de 7 de outubro, da sua popularidade junto ao eleitorado tradicional do MLSTP no distrito de Caué, no sul da ilha de São Tomé.

Pois, os resultados eleitorais no distrito de Caué, não deixam dúvidas para nenhum leitor atento, de que os dois deputados eleitos pelo Movimento Independente foram garantidos maioritariamente pelo eleitorado tradicional do MLSTP naquela região do país, e não pelo eleitorado da ADI, ou por um alegado eleitorado independente.

Leitura fria dos resultados eleitorais, a reflectir a vontade popular expressa nas urnas, indica claramente que a grande maioria dos são-tomenses, não quer Patrice Trovoada como Primeiro Ministro, nem o partido ADI na governação do país. Uma maioria expressiva, que corresponde a 30 deputados, num parlamento de 55 assentos. Sendo 23 do MLSTP, 5 da coligação, e 2 do Movimento Independente.

Abel Veiga

    6 comentários

6 comentários

  1. José Carlos

    26 de Novembro de 2018 as 15:48

    Comportamento típico dos chamados ratos… Saltar para onde está melhor…oportunismo desmedido.

    Já se sabe que no que diz respeito à ética e a outros assuntos da mesma família, a classe política, em todo o mundo, não é propriamente bem vista, mas atendendo aos acontecimentos do passado recente, esperava-se ver um pouco de vergonha nas caras destes indivíduos.

    Pensam que são muito inteligentes e que brincam com o povo. Óbvio que tomar uma decisão destas quando o jogo está quase no fim e as cartas já todas em cima da mesa é, no mínimo, desmerecedor de crédito.

    O povo que continue atento.

    Viva a democracia.

    Viva São Tomé e Príncipe.

    • charles

      27 de Novembro de 2018 as 8:28

      como o resultado deu deferente por isso agora são independentes. sacarnas bandidos

  2. mezedo

    27 de Novembro de 2018 as 10:28

    Nessa altura os ratinhos vão ter que procurar um piqueno buraco para infiltrar, mas tem que saber que hoje não é ontem.
    Estamos a fechar todos buraquinhos do quintal.

  3. MadreDeus.igreja

    27 de Novembro de 2018 as 13:48

    Vamos ver aonde vai chegar esse dois deputados de Cauê. Rosema, será entregue ao seu dono. Ai, é morte do artista. Comeram, beberam a custa do MLSTP, aliás são todos. Vejam o caso de VARELA, filho criado no MLSTP, saiu um grande traidor

    • Seabra

      27 de Novembro de 2018 as 21:10

      Madre Deus Igreja, os filhos criados e formados pelo MLSTP, temos os traiçoeiros mais conhecidos nas pessoas do GABRIEL Costa, Varela AFONSO.O 1o foi o Senhor Gabriel, que fez a campanha desde de Paris, assim como o Pascoal Daio, em favor do Miguel Trovoado. Foi ele o mais próximo traidor da Jota MLSTP,tão próximo era ele dos Trovoada que (segundo consta )que arranjaram um casamento com o consentimento dele, para se casar com uma nacional se possível pouco esclarecida….depois correram com ele,porque parece que o Gabriel tornou -se muito guloso ao ver dos Trovoada. Mais tarde,o Varela acabou por recuperar o lugar deixado pelo Gabriel.
      Ambos foram e serão sempre considerados como OS TRAIDORES (de STP) da Républica.

      • Maria Silva

        28 de Novembro de 2018 as 2:09

        E que desgraça, foi a vinda esses trovoadas para STP….. às vezes fico a imaginar como seria STP se estes ôvó má biçu não tivessem regressado às ilhas?! De certeza que estaríamos bem melhor…
        Pior que os trovoadas são estas gentes que apoiaram e apoiam eles!

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