Política

ADI : Vídeo de Patrice pede cancelamento do Congresso – Agostinho  promete recorrer a Justiça

O Congresso do maior partido na oposição em São Tomé e Príncipe tinha sido marcado pelo Conselho Nacional para 30 de Março último.

Agostinho Fernandes militante do partido e ex – ministro do planeamento, posicionou-se como candidato a liderança, e o partido que já estava em convulsão após as eleições legislativas de Outubro de 2018, acabou por se mergulhar , numa crise marcada por violência interna.

O Congresso marcado para 30 de Março e por decisão do Conselho Nacional, teve que ser adiado. A Comissão de Gestão criada para conduzir o partido até o Congresso, também se envolveu na crise.

Alguns membros da comissão de gestão apoiam e seguem as directrizes que são emanadas via digital, por Patrice Trovoada, o Presidente Auto Suspenso do partido, e que reside no estrangeiro. Outros apoiam Agostinho Fernandes, que almeja fazer história na ADI, pondo fim ao reinado do clã Trovoada no partido.

No meio de muita contenda, a ala que apoia o Presidente auto-suspenso e residente no estrangeiro, conseguiu numa reunião do conselho nacional, marcada por muita violência, adiar o Congresso para 25 de Maio.

Faltam menos de 48 horas, para o congresso, que de repente pode ser cancelado. Agostinho Fernandes(na foto), convocou uma conferência de imprensa na última terça – feira, para denunciar as tentativas de Patrice Trovoada, para mais uma vez, adiar a reunião Magna.

Através de um vídeo gravado no estrangeiro onde reside, o Presidente Auto Suspenso, tem falado aos militantes da ADI. «No fim de semana que passou a comissão de gestão recebeu um vídeo do Presidente Auto Suspenso do partido. Esse vídeo alerta para a necessidade de uma vez adiar-se o congresso sob o pretexto de que não é possível realizar-se o Congresso da ADI sem a presença do líder auto-suspenso », afirmou Agostinho Fernandes.

O Vídeo de Patrice entrou em cena quando dirigentes e militantes do partido conseguiram financiar a realização das Assembleias Distritais com vista ao congresso de 25 de Maio.

A Comissão de Gestão, tinha declarado que não tinha meios financeiros para realizar as Assembleias Distritais. «Durante dois meses a Comissão de Gestão não fez nada alegando que não tinha disponibilidade financeira para realizar as Assembleias Distritais. Os militantes e dirigentes do ADI decidiram dar o seu apoio para que as Assembleias Distritais fossem realizada», confirmou.

Só que depois da chegada do Vídeo de Patrice, alguns membros da comissão de gestão, decidiram travar o processo. «Depois da audição do vídeo, alguns dos membros da comissão de gestão, decidiu interromper e com violência, algumas Assembleias que estão a ser realizadas, com o objectivo de convocar o Conselho Nacional, para adiar o congresso», acrescentou.

Vídeo de Patrice põe mais tensão e violência no seio da ADI. Agostinho Fernandes, não concorda. «Não podemos aceitar que um partido político com a maturidade da ADI, esteja com expedientes contínuos, no sentido de não realizar o congresso, e de não eleger de forma democrática e legítima os seus representantes como se faz em qualquer democracia».

O partido tem leis, e deve submeter-se também as leis da República. Agostinho Fernandes e demais militantes da ADI, prometem recorrer à justiça, para por fim ao “Caos” telecomandado na ADI. «Existem muitos militantes e dirigentes do ADI, que são pessoas livres no seu pensamento, e que não estão disponíveis para aceitar nenhuma manobra dilatória com vista a violação dos Estatutos do nosso partido, com vista a violação da Lei dos Partidos Políticos e com vista a violação da Constituição. Iremos usar todos os meios legais e disponíveis ao nosso alcance, para que o Congresso seja realizado no dia 25 de Maio, como previsto, e não discartamos qualquer possibilidade de recurso judicial, com vista a anulação de toda e qualquer manobra que viola os nossos Estatutos, que viola a lei dos partidos políticos, e que viola a constituição da nossa República», frisou.

Agostinho Fernandes é o único militante que publicamente apresentou a sua candidatura à Presidente do partido. Segundo o candidato, desta vez, os militantes da ADI vão escolher a nova direcção do partido.

Para o candidato a Comissão de Gestão liderada por José Diogo, deve seguir os Estatutos do partido. Se ADI não fosse gerido com base nas leis, Agostinho Fernandes, garante que não teria candidatado. «O Estatuto do partido dá direito a qualquer militante no país ou não, a concorrer à liderança. Seria mais correcto para todos, que os membros da comissão de gestão, fossem claros, e assumissem que no ADI não é possível haver qualquer candidatura a liderança do partido que não seja a candidatura do líder auto-suspenso da ADI. Ou então que fossem claros em dizer que enquanto o líder auto-suspenso da ADI não estiver no país, não se fará nenhum congresso», sublinhou.

O maior partido da oposição, não tem liderança. Depois das eleições legislativas de outubro de 2018, o Presidente Patrice Trovoada auto-suspendeu-se, e ausentou-se do país. O secretário geral Levy Nazaré também demitiu-se do cargo.

Em crise interna, para além de não estar a conseguir ser oposição séria e credível à nova maioria que governa o país, ADI debate-se com consecutivos casos de violência no seio da sua família política. «Sabemos que há diligências no sentido de realizar mais um conselo nacional na quinta – feira, para que esse Conselho possa mais uma vez, adiar ou simplesmente cancelar a realização do Congresso. Mas sabemos que esse Conselho Nacional não é um conselho nacional normal. Primeiro porque nele as pessoas não podem se exprimir livremente. São convidas uma série de pessoas que nem sequer fazem parte da ADI, e que actuam de forma violenta, alguns recorrendo a arma branca como aconteceu no último conselho nacional, daí que não se pode considerar que é um conselho nacional normal», concluiu. .

Agostinho Fernandes, pretende unir e redinamizar a acção política da ADI, que foi o partido mais votado nas eleições legislativas do ano passado.

Nas últimas semanas, a única acção política de registo movida pela Comissão de Gestão da ADI, foi e continua a ser, a exigência à justiça para que o mais rapidamente possível liberte o seu militante e ex-ministro das finanças Américo Ramos,  detido e acusado pela prática de vários crimes de corrupção, envolvendo 37 milhões de dólares, em créditos contraídos no estrangeiro em nome do povo de São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

    9 comentários

9 comentários

  1. Alligator

    23 de Maio de 2019 as 16:05

    Sinceramente eu esperava um pouco mais do Patrice Trovoada.Ele se realmente quer voltar a liderança do partido, que regresse ao pais e candidate-se legalmente como fez o outro, e não estar ali, como se estivesse “escondido” na sua “toca” tentando incendiar os animos dos militantes menos prevenidos e esclarecidos, colocando mais “lenha na fogueira, eu ate cheguei a achar que o Sr Patrice Trovoada fosse um politico mais astuto, mas pelos vistos enganei-me.

  2. Reflexão

    23 de Maio de 2019 as 18:03

    Os que estão a impedir a realização do congresso não são do ADI. São sim os que estão a receber bolo do mercenário homem da atc atc em vez de etc. Assim fica-se desconfiado com os acontecimentos trites e seguidos que estão a registar no país como naufrágio do ANFITRITE,incêndio de mais um navio que fazia carregamento para Príncipe. Tudo isto para dificultar os trabalhos do governo e criar descontentamento no seio da população. Mas Deus faz a sua justiça. Uma pessoa que não vive no país é que as pessoas ainda querem de volta? Um criminoso, ditador, malandro, larápio, vadio, ditador atc, vocês querem de volta porque ainda não apanharam pau? Deus já nos livrou. Mas se quiser saberemos. Mal são coitados inocentes. Esqueçam deste inimigo de dentes abertos.

    • Seabra

      23 de Maio de 2019 as 22:25

      Reflexão, agradeço pelo reforço que vem me dar quando utiliza os mesmos adjetivos (seguidos igualmente ) que costume utilizar na mesma ordem.
      Apraz-me ler pela 2a vez, os adjectivos e na mesma ordem que os escrevo…tenho apoio e bons seguidores.
      Junto, seremos mais forte.

  3. António cunha dos santos

    24 de Maio de 2019 as 8:08

    Tenham piedade do ministro Americo

  4. mario mendes

    24 de Maio de 2019 as 8:26

    ó Agostinho vai tratar da tua vida já se viu que as pessoas de ADI não te querem…acho melhor deixar o partido a deriva…

  5. Vedé

    24 de Maio de 2019 as 10:17

    Avante Aqoetinho.

  6. Moisés Lusitado

    24 de Maio de 2019 as 10:45

    Sr Dr. Agostinho Fernandes. Com a ala do Pateice o senhr nao vai a lado nenum. O senhor tem uma grande massa do ADI a seu favor, dai que na minha modéstia opiniáo o senhor deveria retomar o seu velho partido Geração Esperança ou mesmo criar de raiz um seu partiodo segundo seu pensamento democratico e arrastar consigo todos os adeistas que estao do seu lado. Se fizer isso o ADI patricista morreá logo a seguir. Pode crer!

  7. Tristeza

    27 de Maio de 2019 as 8:48

    Um conselho ao grande senhor e ilustre advogado Agostinho Fernandes.
    Se nao quizer perder credibilidade convem escolher melhor os seus companheiros. Esse senhor Boca Balanca nao deve mostrar a cara assim ao seu lado. Discredibiliza-o completamente.

  8. Barão de Água Izé

    27 de Maio de 2019 as 14:26

    Patrice Trovoada tem que ser afastado de vez da política Sãotomense.
    STP com grave crise e Patrice reside no exterior?!?! É total desfaçatez
    o seu comportamento. Age como se fosse um político perseguido! STP não pode ser e não será o quintal de Patrice.
    Na ADI há pessoas com coragem, com capacidade de cortar o cordão umbilical com Patrice.

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