Política

Governo é acusado de “falhas graves” na gestão da Covid-19

A acusação acompanhada por várias denúncias de incapacidade técnica e organizacional do Governo para lidar com a Covid-19, é feita por dois quadros nacionais de competência reconhecida. Ambos foram ministros da saúde. Carlos Tiny e Fernando Silveira, que desde o início da pandemia se disponibilizaram em colaborar com o Governo e o Estado santomense no combate contra a Covid-19. Ambos médicos de profissão e antigos representantes da OMS em diversos países africanos decidiram escrever uma carta ao Presidente da República Evaristo Carvalho, onde relatam as falhas graves cometidas pelo Governo de Jorge Bom Jesus.

Falhas graves, que terão contribuído, para o alastramento da Covid-19 em São Tomé e Príncipe. Desde o aparecimento da Covid-19 no país, mo passado mês de Março, até  esta segunda feira 22 de junho, a doença já matou pelo menos 12 pessoas, e 702 outras estão infectadas pelo vírus, isto segundo o resultado dos testes realizados pelo sistema nacional de saúde, a um restrito número de pessoas.

Mais detalhes sobre o conteúdo da carta escrita pelos médicos Carlos Tiny e Fernando Silveira, podem ser acompanhados num artigo publicado pelo jornal Vitrina.

Abel Veiga

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Jornal Vitrina

Dois ex-ministros da saúde de São Tomé e Príncipe acusaram hoje o governo do país de ter cometido “falhas graves” na resposta a pandemia do Covid-19.

“Há que reconhecer que houve falhas graves, algumas delas, nomeadamente a falta de uma adequada estratégia de comunicação, falta de rigor técnico, de organização, coordenação e seguimento, algumas delas em aspetos estruturais e operacionais de resposta a pandemia”, disse Carlos Tiny e Fernando Silveira em carta dirigida ao Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho.

No documento, datado de 11 deste mês, enviado também ao presidente da Assembleia Nacional (parlamento), governo, Procurador Geral da Republica (PGR), cuja copia a Lusa teve acesso, Carlos Tiny e Fernando Silveira tomam como exemplo o facto de, “passados quase 90 dias, num momento em que se equaciona o fim do Estado de Emergência, o país ainda não dispõe de capacidade de diagnóstico laboratorial”.

Os dois ex-ministros da saúde, médicos de profissão lamentam que o país não tenha “uma base de dados epidemiológicos fiável para a caraterização e previsão futura da pandemia, para +permitir levantar o estado de emergência com uma base cientifica de sustentação”.

Carlos Tiny, ministro da Saúde entre 1981 e 1985 e Fernando Silveira, que exerceu a mesma função em 1995, já exerceram também funções de representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Carlos Tiny trabalhou para essa instituição em Moçambique, durante cerca de quatro anos e Fernando Silveira, em Congo e outros países da Africa Central, durante vários anos.

Na carta de três páginas, os dois técnicos salientam ter constatado “com muito desagrado” que num contexto em que se deveria congregar todas as sinergias para responder a uma pandemia sem precedentes no passado recente, “faltou abertura de espírito para ouvir opiniões de quadros nacionais que se predispuseram de forma patriótica e desinteressada”.

“Teríamos sido mais uteis no envolvimento técnico com as equipas de vigilância epidemiológica na organização e integração de vigilância com o laboratório e alerta, nos pontos de entradas, rastreio e contactos, busca ativa de casos, elaboração de normas e protocolos padronizados, na estratégia de comunicação, no apoio a gestão de parcerias e na organização de quarentenas”, explicam.

Na carta, os dois ex-ministros, já aposentados, reconhecem também “aspetos positivos” na resposta do governo a pandemia da Covid-19, destacando-se o “engajamento” dos profissionais da saúde a vários níveis, das Forças Armadas e de segurança, bombeiros, instalação e funcionamento do hospital de campanha.

Os dois técnicos da saúde salientam que numa situação de pandemia existem apenas duas opções: “quando os países não estão preparados a contaminação propaga-se livremente na população até atingir um determinado nível de imunização na comunidade, a partir do qual entra na fase descendente e de controlo de forma natural, com todas as suas consequências sanitárias, económicas e sociais”.

“A outra alternativa é desenvolver-se, rapidamente capacidade de resposta nacional para circunscrever a pandemia e evitar crises sanitárias, sociais e económicas”, acrescentam, defendendo que nesse contexto, “cada dia que passa é irrecuperável” porque a “eficácia e rapidez na atuação são atributos indispensáveis”.

FIM

 

    9 comentários

9 comentários

  1. Convetavirus

    22 de Junho de 2020 as 17:00

    Não é preciso ser um grande especialista ou ter experiencia de ter trabalhado na OMS para chegar a conclusão que o governo geriu mal a situação.

    Mas é preciso saber que a semelhança do que aconteceu em vários países do mundo muitos decisores ficaram bloqueados no tipo de medidas a tomar: parar o pais e entrar logo no estado de emergência, com as consequências ao nível económico que todos sabemos ou esperar para ver. STP não dispondo no momento oportuno de meios de diagnostico para avaliar a dimensão real do problema, preferiu confiar na ajuda divina e o resultado todos sabemos.

    Agora é altura de pensar no futuro, ir a procura de soluções. O mal já foi feito, é escusado andar a escrever livros a falar das falhas do governo. O que adianta?

  2. Macalacata

    22 de Junho de 2020 as 20:34

    Os senhores Carlos Tiny e Fernando Silveira sao desertores. Participaram em busca de benefìcio e como nào viram benefìcio eis o desespero.Concordo com o Conventavirus.
    Muito obrigado.

  3. Generosa

    22 de Junho de 2020 as 22:13

    Asjustificaçoes dos senhores Carlos Tiny e Fernando Silveira parece ser de pessoas que vieram da lua. Dizer que o Pais levou muito tempo sem adquirir PCR? Creio que a situaçao economica na altura quando foram ministros era até melhor. Esses senhores acham que o governo adquiriu tardiamente o PCR por negligencia? O que queriam era protagonismo. As duas tecnicas que vieram apoiar foram mais uteis que esses senhores. Foram capazes de montar dados estatisticos que nem foram capazes de ajudar a montar. Tambem nao estao capacitados para tal. Nao sei o que andaram a fazer nas reunioes de coordenaçao. Só tenho a dizer: Viva a solidariedade das pessoas que vieram ajudar Sao Tomé

  4. Zaua

    23 de Junho de 2020 as 7:26

    Este é o governo mais desemparado e com um primeiro ministro mais boboioco que já conheci. Nem consegue demitir um simples director de segurança social que anda a cometer asneiras nem demitir ministros fracos. É só corrupção nas atribuição de obras de estado.. Enfim

  5. Manuel Lucena

    23 de Junho de 2020 as 8:53

    Na realidade, o Governo deveria dar prioridade a esta doença. Nada justifica lançar obras de tapagem de buraco no passeio da marginal no valor de 100 000 dólares, quando sabiamos que o laboratório para a COVID 19 era prioridade das prioridades.
    Nada justificava dar dois milhões de euros a uma empresinha para fazer as obras do mercado de bobo forro, quando o hospital estava e está em total situação de penúria. Quando o Governo deu 2 milhões de euros para as obras do mercado, dizia-se que as obras eram para 3 meses. Já passaram três meses e não se vê nada e nada da obra neste mercado. A verdade é que as vendedoras foram atiradas a sua sorte para lugares que até parecem pocilga, uma em cima da outra, proliferando desta forma a COVID 19. As únicas partes aceitáveis do mercado de bobo forro, foram as partes que já tinham sido feitas pelo governo anterior.
    Então sim o governo geriu mal as medidas que deveriam ser tomadas. No entanto também concordo que a contribuição destes dois médicos que criticam o governo não foram o melhor. Parecia que queriam fazer-se aparecer como tendo muita experiência, mas que não demonstraram nenhuma experiencia nesta matéria. Neste país temos muitos curiosos, menos a alma que não merece.
    Bem haja STP

  6. Deontchi

    23 de Junho de 2020 as 9:29

    Dizem me que o primeiro ministro tem comentado com os seus próximos que está muito aborrecido com a RTP africa e telanon devido às críticas que as pessoas têm feito ao governo. Ora bem. Caro Jorge se não consegues conviver em democracia onde a liberdade de expressão é uma das regras então acho que nos enganou quando fez oposição ao anterior governo. Quando as coisas andam mal temos que criticar sim. Aprenda com Pinto da Costa.

    • Como será

      23 de Junho de 2020 as 15:30

      Nao é a primeira vez que o sr PM ministro reage negativamente em relacao as criticas, da forma como anda a situação do pais, agora o que RTP relata é invenção, as imagens do pais todo degradado, o hospital a cair aos pedaços tambem é mentira? Se nao querem aceitar criticas entao diria que É uma pena, sera que no seu dia dia nunca fez criticas ? Ate ele fazia muitas criticas antes de ser primeiro ministro e agora fica chateado com as criticas, entao a carapuça esta lhe servir, e quer vir da uma de zangado, sr Jorge faz so o teu trabalho, que o POVO. Deveria maze analizar algumas destas criticas para endereitar o que esta mal.

  7. Pumbu

    23 de Junho de 2020 as 11:36

    Estes Carlos Tiny e outros tantos achados intelectuais de meia tijela sao sim uns OPORTUNISTAS caras de pau!!!

  8. Ôssobô

    23 de Junho de 2020 as 12:36

    Julgo que lidar com a questão de Covid 19 é uma tarefa de todos independentemente de se estar na liderança.
    Porém os decisores políticos devem estar atentos para orientar os cidadãos nesta batalha que tão facilmente não será vencida quanto mais a guerra.

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