Num cenário marcado por desafios estruturais e por uma rápida transição epidemiológica, São Tomé e Príncipe apresenta três instrumentos estratégicos fundamentais: o Plano Estratégico Multissectorial para as Doenças Não Transmissíveis, o Plano Estratégico de Controlo do Cancro e a Estratégia Nacional de Saúde Comunitária.
Segundo Eric Overvest, coordenador residente da ONU no país, “estes três instrumentos fazem diferença, porque reforçam os cuidados de saúde primários e aproximam os serviços das populações, com maior foco na prevenção e no diagnóstico precoce.”
Para o Primeiro-Ministro, Américo Ramos, é essencial ultrapassar uma visão restrita da saúde centrada apenas nos sistemas sanitários, reconhecendo que os principais determinantes da saúde se encontram fora do setor. “A saúde constrói-se nas condições em que as pessoas vivem, na qualidade da água que bebem, na alimentação a que têm acesso, na educação que recebem e no ambiente em que crescem”, defendeu.

Daí que a resposta não possa limitar-se ao campo médico, devendo assumir uma dimensão estrutural, integrada e multissectorial. “Investir na promoção da saúde e na prevenção da doença significa reduzir custos futuros, aumentar a produtividade e fortalecer o nosso capital humano”, sublinhou o Primeiro-Ministro.
Os três instrumentos, concebidos para o período 2026-2030, estão orçamentados em 10 milhões de euros. Para a sua concretização, cujo apoio dos parceiros é indispensável, foi firmado um memorando de compromisso multissectorial, envolvendo os ministérios da Saúde, Educação, Cultura, Ciências e Ensino Superior, Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, Infraestruturas e Recursos Naturais, bem como o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Este memorando formaliza o compromisso de todo o Governo em atuar sobre os determinantes sociais, económicos e ambientais da saúde, assumindo que fatores como a educação, a alimentação, o ambiente, o planeamento urbano, a mobilidade e o acesso a serviços básicos são determinantes essenciais para prevenir doenças não transmissíveis e melhorar a saúde da população.
José Bouças
Sotavento
17 de Abril de 2026 at 12:01
Bla, bla, bla. Triste