Política

«Não queremos que a ilha do Príncipe pague mais ainda pela sua dupla insularidade»

A declaração é do Primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, e pretendeu renovar a esperança no seio da população da ilha do Príncipe fustigada ao longo dos anos,  pela cíclica rotura do stock dos combustíveis e a consequente tendência de aumento dos preços.

Na última semana, a crise de combustíveis na ilha do Príncipe marcou a actualidade no país. O Primeiro-ministro Jorge Bom Jesus prometeu solução para esta semana.

«Não queremos que Príncipe pague mais ainda, pela sua dupla insularidade. Na próxima semana vamos continuar a conversar com o operador privado que comercializa combustíveis no Príncipe, para encontrarmos uma solução definitiva…», afirmou o Primeiro-ministro.

Jorge Bom Jesus, admitiu reforçar medidas com vista a subvenção pelo Estado do preço dos combustíveis no Príncipe.

«Ainda não posso dizer se passará por mais uma subvenção dos preços, ou outras formas de aligeirarmos as taxas, ou outras soluções.», precisou.

O alto custo de transporte de mercadorias e de pessoas entre as duas ilhas contribuiu para o aumento do custo de vida no Príncipe. A ligação marítima inter –ilhas foi sempre irregular, e assegurada por pequenas embarcações pertencentes a grupos privados.

No entanto na última semana, o Primeiro-ministro anunciou que está em curso o processo de aquisição de um barco para garantir a ligação marítima entre São Tomé e a ilha do Príncipe.

Segundo o Chefe do Governo quadros técnicos nacionais já se encontram na Grécia, para proceder a fiscalização da embarcação que o Estado são-tomense vai comprar.

A garantia da ligação marítima e segura entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, é uma exigência da população do país, que não foi cumprida pelos sucessivos governos dos últimos 31 anos de regime democrático.

O Téla Nón recorda que em Outubro do ano 2009, o Estado são-tomense inaugurou o Navio Príncipe, como sendo uma embarcação eficiente para ligar as duas ilhas e por fim aos sucessivos naufrágios de barcos privados que aventuravam em transportar pessoas e mercadorias entre as duas ilhas.

O navio Príncipe foi construído em Espanha, mais concretamente num estaleiro em Catalunha. O novo navio que custou aos cofres do Estado cerca de 1 milhão e 300 mil dólares foi lançado ao mar em Outubro do ano2009, exactamente no mesmo período em que se assinalava o primeiro aniversário do naufrágio do navio Therese.

18 pessoas incluindo crianças morreram no naufrágio ocorrido no ano 2018, algumas horas depois do navio Therese ter zarpado de São Tomé rumo a ilha do Príncipe.

Pouco tempo depois da viagem inaugural as autoridades são-tomenses deram conta que o navio Príncipe, não dava conta do recado.

As embarcações privadas voltaram a assumir destaque no transporte de pessoas e bens entre as duas ilhas. Até que no mês de Junho do ano 2017 aconteceu o desaparecimento do navio Santo António, propriedade de um operador privado.

Com  87 toneladas de carga o navio que tinha zarpado de São Tome rumo a ilha do Príncipe, incluindo os seus  8 membros de tripulação desapareceu no mar perto da ilha do Príncipe. Até hoje 6 de Dezembro de 2021, o Estado são-tomense não sabe do paradeiro do navio e da sua tripulação.

O desastre na ligação marítima inter-ilhas repetiu-se no dia 25 de Abril do ano 2019. Foi a vez do naufrágio do navio Amfitrit. Tudo aconteceu perto da ilha do Príncipe.8 mortes confirmadas, e 9 pessoas desaparecidas até o dia de hoje, incluindo crianças.

Para além do preço alto que pagam pelas mercadorias, por causa da dupla insularidade, a dor pela cíclica perda de vidas humanas na travessia entre as ilhas, provocou profundo grito de revolta no Príncipe.

O actual governo de Jorge Bom Jesus começou então a pensar seriamente na possibilidade de aquisição de uma nova embarcação para garantir a ligação inter-ilhas.

Segundo o governo o próximo navio comprado pelo Estado são-tomense deverá vir da Grécia.

Abel Veiga

    2 comentários

2 comentários

  1. Manuela Pedroso

    6 de Dezembro de 2021 as 15:27

    Espero que não seja mais uma lágrima de crocodilo
    O senhor já anda a prometer sempre. Desde a campanha das legislativas, o senhor prometeu baixar tudo, passaporte, transporte escolar, propinas nas escolas, combustível e nada. A única coisa que o senho baixou quando foi ao governo foi o preço de bebidas alcoólicas. E agora anda a chorar que as pessoas estão a beber muito. Os gatunos quintuplicaram e são acariciados pelos dirigentes. Os presos têm a liberdade de irem as suas casas e fazerem mais assaltos, roubarem, violarem e regressarem as cadeias onde têm vida de rico, com comida, bebida, televisão, luz etc. etc. O Príncipe que já teve vários navios a fazerem ligação e luz 24 sob 24 agora têm que pagar mais só porque são do Príncipe. O Cimento para construção, o ferro para construção, as areias para construção são cinco a dez vezes mais caras que em S.Tomé. O seu sócio Jerónimo da loja Papagaio, destruiu grandes áreas de Micoló e hoje o Governo está a lhe dar mais uma outra área para destruir. Área essa que é de um familiar meu, mas que o Governo quero tirar a força para dar ao seu militante ladrão de areia a força. Mas só se passarem em minha cima pois não vou aceitar
    Assim não vamos ao lado nenhum. Estas suas lágrimas já as conhecemos bem.

  2. Toni

    6 de Dezembro de 2021 as 19:54

    Estes artigos de imprensa só me fazem rir de tristeza!!!!!!

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