Política

STP procura luz na China para a Transição Energética 

A transição energética é apontada pelo Estado santomense como a principal saída para o país ver luz no fundo do túnel. O arquipélago que nos últimos 50 anos depende exclusivamente da energia térmica a base do gasóleo ficou sem electricidade para conquistar o desenvolvimento sustentável.

«Um dos grandes desafios é a questão da energia. A China hoje é a número 1 no mundo em termos de painéis solares, do desenvolvimento da energia solar e de outras energias renováveis, e iremos ver como é que podemos melhorar essa nossa cooperação que é um aspecto estratégico muito importante para S. Tomé e Príncipe», declaração do primeiro-ministro Patrice Trovoada, antes de viajar para participar na Cimeira China – África.

Na capital da China- Pequim, a preparação da reunião dos chefes de Estado e de Governos da China e de África marcada para 5 de setembro, foi antecedida pela divulgação pelo Conselho Empresarial China – África de um relatório que revela o nível de investimento feito pela China com vista à industrialização do continente africano. Um processo que passa pela construção de infraestruturas, que promovem o crescimento do parque industrial africano.

Através do mecanismo de Diálogo de Beijing estabelecido no ano 2000 e no quadro do Fórum de cooperação com a China, foram construídos no continente africano mais de 10 mil quilómetros de caminhos de ferro. 100 mil quilómetros de estradas, 1000 pontes, 100 portos e «um grande número de hospitais e escolas», diz o relatório do Conselho Empresarial China – África.

Anualmente a República Popular da China investe 400 milhões de dólares em projectos de infraestruturas que promovem a industrialização de África.

Mas, o Governo de São Tomé e Príncipe liderado por Patrice Trovoada preferiu no ano 2023 suspender o projecto de modernização do aeroporto internacional Nuno Xavier, com financiamento em donativos da China na ordem de 100 milhões de dólares. O Chefe do Governo optou por um novo projecto virado para a construção de estradas, sobretudo no interior do país.

A prioridade de São Tomé e Príncipe em matéria de projectos estruturantes no quadro da cooperação com a China para os próximos anos, e a luz da FOCAC passou a ser a transição energética.

São Tomé e Príncipe pretende na cimeira de Beijing, atrair a experiência bem-sucedida do investimento chinês no sector da energia renovável em África, para pôr fim à crise no fornecimento de energia que já dura 50 anos.

O vizinho Gana, é um exemplo. A parceria com a China permitiu a construção de uma barragem hidroeléctrica com capacidade de 404 megawatts. A Costa do Marfim é outro vizinho de São Tomé e Príncipe onde a China construiu a barragem hidroeléctrica de Sombré, com a capacidade de 275 megawatts. Angola viu luz na barragem de Soyo com capacidade de 400 Kilowatts.

Argélia, país africano onde foi assinado em 1974 o acordo para a independência de São Tomé e Príncipe, estabeleceu parceria estratégica com a China no domínio da transição energética, e  hoje tem a maior central fotovoltaica(painéis solares) do continente africano.

São exemplos de projectos de infraestrutura energética em África executados por apenas uma empresa chinesa, a POWER CHINA, considerada em Pequim como a mais importante empresa de engenharia do mundo.

São Tomé e Príncipe busca a transição energética com a China para criar empregos e combater a pobreza.

África e a China pretendem com a abertura esta semana da FOCAC, lançar as bases para o desenvolvimento sustentado e partilhado. África tem desafios enormes pela frente. É o segundo continente mais populoso do mundo, e também mais jovem do mundo. 60% da população tem menos de 25 anos de idade.

Os dados divulgados em Pequim estimam que até o ano 2050 a população de África deve atingir os 2,5 bilhões de habitantes, mais do dobro da população actual do continente. Para criar emprego, as unidades fabris ou industriais precisarão de mais energia. A FOCAC pretende promover o crescimento das pequenas e médias empresas africanas.

Por isso, a parceria com a China para modernização e construção de uma comunidade de futuro compartilhado é estratégica. Ainda mais, quando África tem o desafio de criar 15 milhões de empregos até o ano 2025.

Abel Veiga

1 Comment

1 Comment

  1. SEMPRE AMIGO

    1 de Setembro de 2024 at 9:50

    Ate a data de hoje ninguem conseguiu me explicar porque razão os sucessivos Governos da RDSTP desde 2O14,suspenderam a execução dos seguintes projectos:porto de aguas profundas(Fernão Dias),aeroporto, extenção da cidade-capital).A disponibilidade da China em financiar os referidos projectos estava garantida.O que é que aconteceu?

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top